Fundo CO - Colecção César Oliveira

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Zona de identificação

Código de referência

PT-AHS-ICS-CO

Título

Colecção César Oliveira

Data(s)

  • ? (Produção)

Nível de descrição

Fundo

Dimensão e suporte

239 docs. + 106 livros + 1 colecção de imprensa

Zona do contexto

Nome do produtor

(1941-1998)

História biográfica

Cesar Oliveira, historiador e resistente ao Estado Novo, nasceu em Fiais da Beira, Oliveira do Hospital, a 26 de Março de 1941. Estudou no Colégio Braz de Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, e no liceu D. João III, em Coimbra. Em 1959 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade daquela cidade. Aderiu ao Partido Comunista Português com o qual viria a romper mais tarde. Participou na campanha eleitoral para a Assembleia Nacional em 1961 e, militante associativo, envolveu-se na vida académica e nas lutas estudantis, nomeadamente nas do ano decisivo de 1962, e acabará por ser expulso da Universidade por se ter recusado a entregar documentação relativa a uma Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra. Inscreveu-se no curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e casou-se em 1964, ano em que parte para Angola para cumprir o serviço militar, estabelecendo uma forte relação pessoal e política com Ernesto Melo Antunes. Trabalhou no Banco Português do Atlântico e na Mabor (de onde é expulso por actividade sindical) e entre 1966 e 1969 fez parte do Sindicato dos Bancários do Porto. Terminou o curso em 1969 e ensinou em liceus no norte do país. Empenhado na actividade cultural, associou-se à Cooperativa Cultural Confronto e foi um dos fundadores da Editorial Afrontamento, onde publica, ele próprio, e dinamiza publicações sobre o movimento operário. Participou na campanha de 1969 na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e em 1972 fará parte do chamado “grupo do Flórida” que incluía elementos como Jorge Sampaio, João Cravinho ou Nuno Brederode Santos, muitos deles ligados às lutas académicas de 1962. Após o 25 de Abril será um dos fundadores do Movimento de Esquerda Socialista (MES) e dirigiu o respectivo jornal “Esquerda Socialista”. Viria a abandonar o MES e a ingressar ao Grupo de Intervenção Socialista (GIS). Em 1975 trabalhou no Ministério da Comunicação Social do IV Governo Provisório e foi adjunto do ministro Correia Jesuíno.
Fundou a Frente Operária e a União de Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS) em 1977 e associou-se à Frente Republicana e Socialista (FRS). Foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Faro entre 1980 e 1985 pela FRS. Tornou-se militante do Partido Socialista e apoiou a candidatura de Jorge Sampaio à Presidência da República, presidiu à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (1990-1994), foi eleito membro da Assembleia Municipal de Lisboa e da Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa (1994).
Destacando-se, inicialmente, sobretudo pela investigação sobre a história do movimento operário, do socialismo, do sindicalismo ou da I República, a sua carreira académica e docente notabilizou-se também pelos trabalhos seminais sobre a génese do Estado Novo e as suas relações com Espanha, ou, mais tarde, sobre a História da Administração e do Poder Local. Em 1972 começou a dar aulas no Instituto Superior de Economia e integrou a redacção da revista “Análise Social”. Em 1986 doutorou-se no Instituto Superior de Ciências Políticas de Lisboa com a tese “A consolidação do salazarismo e a guerra civil de Espanha” que dará origem ao livro “Salazar e a Guerra Civil de Espanha”.
Foi professor auxiliar do ISCTE, leccionando História Contemporânea de Portugal, na licenciatura em Sociologia, e coordenou a área de História. Em 1993 passou a professor auxiliar agregado e, em 1997, a professor catedrático convidado. Ministrou ainda as cadeiras de Política Externa Portuguesa, no curso de Mestrado de História Contemporânea, e de História Contemporânea de Portugal da licenciatura em Economia. Viria ainda a leccionar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Coordenou o curso de pós-graduação em Gestão Autárquica no Instituto Superior de Gestão e colaborou na licenciatura em Ciência Política da Universidade Internacional.
É autor de obras como “O Operariado e a República Democrática. 1910-1914”, “A Criação da União Operária Nacional”, “O Socialismo em Portugal. 1850-1900. Contribuição para o Estudo da Filosofia Política do Socialismo em Portugal na Segunda Metade do Século XIX”, “O 1º Congresso do PCP”, “A Revolução Russa na Imprensa Operária da Época”, ”Treze Cartas de Portugal para Marx e Engels”, “Portugal e a II República de Espanha”, “Salazar e o seu Tempo”, “Os Anos Decisivos. Portugal 1962-1985”, “Cem Anos de Relações Portugal/ Espanha”.
Viria a morrer prematuramente a 5 de Junho de 1998, vítima de doença prolongada aos 57 anos. Em 1999 foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e, em 2005, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Nome do produtor

(1975-1981)

História administrativa

Forjado na crise do marcelismo, fruto da mundividência da década de 60 e criado nos dias seguintes ao 25 de Abril de 1974, o Movimento de Esquerda Socialista é a confluência de vários campos sociais, políticos e ideológicos, como socialistas radicais, católicos progressistas, elementos do movimento estudantil, intelectuais, sindicalistas e até oficiais das Forças Armadas. Entre as tendências que desaguam no MES contam-se os elementos que protagonizam uma cisão à esquerda na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) em 1972, dirigentes estudantis das lutas de 1969 em Coimbra, como Alberto Martins, e estudantes de Lisboa como Eduardo Ferro Rodrigues ou, ainda, sindicalistas como Agostinho Roseta. O MES agrupou ainda individualidades como Augusto Mateus, José Manuel Galvão Teles, Vítor Wengorovius, Nuno Teotónio Pereira, Jorge Sampaio, Eduarda Dionísio, João Martins Pereira, César de Oliveira ou João Bénard da Costa. Ideologicamente próximo do Partido Socialista Unificado francês (PSU), da Lotta Continua italiana ou do chileno Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), preconizava o autonomismo e o conselhismo.
Em 25 de Abril de 1975 o MES concorre às eleições para a Assembleia Constituinte, meses depois integrará a FUR (Frente de Unidade Revolucionária) e constitui-se como um dos dinamizadores da esquerda revolucionária ao longo de 1975. Publica os seus órgãos de informação, “Esquerda Socialista”, dirigido por César Oliveira, e “Poder Popular”. Já em 1976 será uma das organizações a integrar os Grupos Dinamizadores de Unidade Popular (GDUP) frente eleitoral que apoiava a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho.
O MES viria a dissolver-se em 1981 com a maioria dos seus militantes e dirigentes a juntar-se ao Partido Socialista.

Nome do produtor

(1973 -)

História administrativa

Entidade detentora

História do arquivo

Fundo incorporado em 1986.

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Este espólio foi, em parte, adquirido e, em parte, doado ao AHS. Descrito parcialmente.

Zona do conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Engloba documentos muito distintos. Um primeiro conjunto é formado por correspondência, provas tipográficas e recortes da imprensa, da autoria de Alexandre Vieira. O segundo inclui cerca de cinquenta panfletos da oposição política ao Estado Novo (anos 30-40), que completam os existentes no Espólio Pinto Quartim. O último conjunto engloba documentação que reflecte a acção política de César Oliveira quer enquanto dirigente político (MES, ASDI, UEDS, PS), quer enquanto deputado e reporta-se toda ela ao período posterior ao 25 de Abril.

Avaliação, seleção e eliminação

Incorporações

Sistema de organização

Zona de condições de acesso e utilização

Condições de acesso

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

  • português

Sistema de escrita do material

    Notas ao idioma e script

    Características físicas e requisitos técnicos

    Instrumentos de descrição

    Zona de documentação associada

    Existência e localização de originais

    Depósito 1.

    Existência e localização de cópias

    Unidades de descrição relacionadas

    Descrições relacionadas

    Nota de publicação

    Movimento Estudantil.

    Zona das notas

    Nota

    Organização da parte relativa ao ME feita posteriormente por Joana Bénard da Costa.

    Identificador(es) alternativo(s)

    Pontos de acesso

    Pontos de acesso - Local

    Pontos de acesso - Nomes

    Pontos de acesso de género (tipologias documentais)

    Identificador da descrição

    Identificador da instituição

    Regras ou convenções utilizadas

    Estatuto

    Nível de detalhe

    Datas de criação, revisão, eliminação

    Línguas e escritas

      Script(s)

        Fontes

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        Área de ingresso