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Pessoas, Entidades
Barreto, Álvaro Salvação.
Pessoa singular · 1890 - 1975

Oficial do exército, professor, director dos Serviços de Censura e Presidente do Municipio de Lisboa, desde 1944. JPP

Lima, João Evangelista de Campos.
PT/AHS-ICS/JECamposLima · Pessoa singular · 1877-1956

João Evangelista de Campos Lima, ou Campos Lima como assinava, nasceu em 1877, na cidade do Porto. Ainda criança, foi levado para Barcelos e depois para Braga, onde concluiu o curso liceal. Bem jovem, fora tocado pelas injustiças sociais e percebeu a desigualdade e aos 17 anos, já em Coimbra, entra num comício de trabalhadores no bairro dos Olivais, discursando ao lado dos precursores do movimento operário em Portugal, Ernesto da Silva e Azedo Gneco. Aos 20 anos matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, de onde foi expulso em 1907, no mesmo ano em que se formara advo-gado, o que o impediu de doutorar-se. A sua expulsão decorreu da sua parti-cipação na greve académica naquele ano, contra o ditador João Franco. Um ano antes, 1906, visitando Paris, ali travou conhecimento com anarquistas como Carlos Malato, o escritor romeno Janvion, Paul Pigassou, Jean Grave. Mas o que mais o entusiasmou foi a Comuna escolar La Ruche, de Sebastião Faure. De regresso a Portugal, tentou em colaboração com Tomás da Fonseca, Lopes de Oliveira e outros. fundar uma Escola Livre de Ensino Integral. Em 1908 principiou a advogar, mas nunca aceitou uma causa onde tivesse de acusar. Só uma vez acusou um agente de polícia que assassinara um operário. Como escritor anarquista foi dos mais produtivos e dos mais modestos, e como advogado defendeu heroicamente os trabalhadores e os anarquistas presos por delitos de opinião. Para melhor semear as suas ideias, divulgar os seus pensamentos o anarquista e advogado dos trabalhadores perseguidos fundou e dirigiu a Editora Spartacus, que publicou obras de real valor, como A História do Movimento Maknovista de Pedro Archinoff em 1925. Professor em escolas industriais e, interino, num Liceu, continuou a sua vida de propagandista, sempre interessado nos problemas sociais, e combateu alguns governos republicanos, com a mesma independência com que combatera os monárquicos, embora se entendesse com os democratas, na oposição e, sobretudo, quando via a República ameaçada. Foi amigo dos presidentes Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Bernardino Machado e Teixeira Gomes; mas nunca solicitou empregos, benesses, mercês honoríficas, recusando ser deputado, governador civil e até ministro da Justiça, depois do movimento de 19 de Outubro. Apenas consentiu em fazer parte de várias comissões de estudos, como a encarregada da reforma da lei do inquilinato e dos organizadores do Congresso Internacional do Livre Pensamento, em cujos trabalhos tomou parte. A sua actividade jornalística foi grande, colaborando em muitos jornais e revistas do país e do estrangeiro. Fundou e dirigiu a revista Cultura e foi director dos diários Boa Nova e Imprensa de Lisboa, o único jornal diário que se publicava no período da greve dos jornalistas. Trabalhou, como redactor nos jornais O Século, O Mundo, A Batalha, Pátria e Diário de Notícias e foi articulista primoroso, versando os mais diversos problemas nacionais e internacionais.

Campos Lima faleceu a 15 de Março de 1956 com 78 anos de idade na rua Actor Taborda, 27, em Lisboa, sem ver o fim da ditadura fascista de Salazar. Ao seu enterro compareceram figuras da mais alta expressão intelectual como Julião Quintinha, Artur Inez, Manuel Alpedrinha, João Pedro dos Santos [...]
Fontes: E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira.

Quartin, Glicínia Vieira.
Pessoa singular · 1924-2006

Glicínia Vieira Quartin nasceu a 19 de dezembro de 1924. Filha do intelectual anarquista António Pinto Quartin e da professora e feminista Deolinda Lopes Vieira, residiu com a família no bairro da Graça onde, entre 1931 e 1935, frequentou a Escola-Oficina nº 1. Licenciou-se em 1954 em Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sendo que trabalhou como bióloga e professora de biologia durante sete anos. Estreou-se no teatro amador em 1951, atuando na peça Roberto e Melissandra (1951), encenada pelo Grupo de Teatro Experimental da Rua da Fé, no Porto. Depois de atuar no filme Dom Roberto (1962) de Ernesto de Sousa, passou uma temporada na Itália, entre 1962 e 1965, onde estudou na Scuola di Arti Sceniche de Alessandro Farsen. No regresso para Lisboa, estreou-se no teatro profissional, atuando na peça Os Burosáurios, no Teatro Experimental do Porto. Posteriormente, começou a colaborar com diferentes companhias teatrais, entre as quais se destacam o Teatro Experimental de Cascais (1965-1968) e o Teatro da Cornucópia (1973-2004). De grande relevância é também a sua atividade como professora de teatro no seio da Escola Superior de Teatro e Cinema, já a partir da década de 70, quando a escola era regida ainda pelo Conservatório Nacional. A sua última atuação aconteceu em 2004, na peça A Família Schroffenstein, sob a direção de Luís Miguel Cintra.

Silva, Alfredo Henrique da.
PT AHS-ICS AHSilva · Pessoa singular · 1872 - 1950

Educador e missionário evangélico.
Formado em ciências económicas e financeiras, Alfredo da Silva combinou, ao longo da sua actividade, a sua actividade missionária e educativa com a sua actividade profissional. Foi professor de língua inglesa no Instituto Industrial e Comercial do Porto (1910), director do Instituto Comercial dessa mesma cidade e professor de história económica e organização dos transportes do Instituto Superior do Comércio (1919). No âmbito da religiosidade evangélica, foi professor na escola primária do Mirante, ministro da igreja Metodista, um dos fundadores da União Cristã da Mocidade (1894), representante, em Portugal, da Aliança Internacional pela Paz e Fraternidade." LEITE, 2009

Foi professor na sua cidade natal, Porto, onde também foi vereador. Exerceu a Superintendência da Obra Metodista Portuguesa, em sucessão ao Rev. Roberto Moreton. Foi fundador da Associação Cristã da Mocidade, do Porto, e redator do Amigo da Infância, jornal evangélico para crianças, muito apreciado no seu tempo. Esteve no Brasil em 1922, chefiando a delegação que representou o Governo Português nas comemorações do Centenário da Independência política. Por várias vezes representou oficialmente seu país no estrangeiro, sendo muito acatado em sua pátria. [Adaptado de http://www.luteranos.com.br/textos/alfredo-henrique-da-silva-1872-1950]

Alfredo Henrique da Silva sucedeu a Robert Hawkey Moreton, na liderança da Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, assumindo-a entre 1920 e 1940 e tornando-se o mais destacado dos líderes, tendo expandido a obra da Igreja ao longo dos anos mais favoráveis da I República. Moreton organizou esta igreja no ano de 1871. Foi durante a direção de Alfredo H. Silva que a Igreja Evangélica Metodista Portuguesa atravessou o seu período de expansão mais frutífero, recrutando membros de todas as classes sociais, aumentando o número das suas escolas e confirmando-se como uma das mais dinâmicas e prestigiadas Igrejas Evangélicas do País. Durante esta era a Igreja editou várias publicações de boa qualidade espiritual e intelectual, a mais notável das quais foi o mensário Portugal Evangélico, que é, ainda, a mais antiga publicação evangélica portuguesa em circulação. [adaptado de https://crentebatista.wordpress.com/2010/05/06/alfredo-henrique-da-silva/]

Silva, Luíz Henrique da.
PT AHS-ICS LHSilva · Pessoa singular · 1892-1978

Nasceu no Porto (freguesia de Massarelos) a 31 de maio de 1892, tendo vindo a casar em 1921 com Gjertrud Magdalene Krohn, de ascendência norueguesa.
Formado em económicas e financeiras no Instituto industrial e Comercial do Porto, iniciou a sua formação em Inglaterra na Fábrica de chocolates Cadbury, onde estagiou em 1909/10 graças aos laços de colaboração e amizade de seu pai com os irmãos Cadbury, nomeadamente no âmbito do trabalho de recolha de informação e das campanhas contra o trabalho forçado nas roças de São Tomé (Cf. biografia Alfredo Henrique da Silva). Foi nomeado professor provisório desse mesmo Instituto em 1920, transitando para o lugar de professor ordinário em 1925.
Para além de outras atividades empresariais, adquiriu em 1955 cotas no capital da empresa Fábrica de Chocolates Imperial em Vila do Conde, tendo assumido o cargo de Presidente da administração. Modernizou e aumentou a produção de chocolate e construiu instalações novas, também em Vila do Conde. A fábrica foi vendida em 1973 ao Grupo RAR.
Teve uma atividade cívica e religiosa prolífica, nomeadamente na Igreja Evangélica Metodista Portuguesa e na Aliança Evangélica Portuguesa. Foi Presidente do Conselho Fiscal da Beneficência Evangélica do Porto e Presidente de uma direção trianual da Associação Cristã da Mocidade do Porto (1963-1965). Apaixonado bibliófilo, morreu no Porto em 1978.

Sousa, Luciano Batista Cordeiro de
Pessoa singular · 1844-1900

Após terminar o curso superior de Letras em Lisboa, foi professor de Literatura e Filosofia no Colégio Militar, escritor, historiador, jornalista e crítico.
Era um rígido defensor das possessões portuguesas em África, numa época em que estas se mostravam ameaçadas por outras potências europeias, culminando precisamente na fundação da Sociedade de Geografia de Lisboa, contribuindo para congressos e exposições na representação de Portugal.
Foi ainda Diretor-Geral da Instrução Pública e Primeiro Oficial do Ministério do Reino, sendo também membro de diversas associações científicas internacionais.