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Pessoas, Entidades
Vicente, Arlindo.
Pessoa singular · 1906-1977
Tavares, Francisco Sousa
Pessoa singular · 1920-1993

Advogado, jornalista e político português, foi opositor do regime de Salazar. Depois do 25 de abril foi deputado e ministro.

Soares, Mário.
Pessoa singular · 1924-2017

Presidente da República portuguesa durante dois mandatos, de 1986 a 1996. Primeiro-ministro de 1976 a 1978 e, mais tarde, de 1983 a 1985. Secretário-geral do PS de 1973 a 1986.

Simões, Nuno.
Pessoa singular · 1894-1975

"Advogado, político e publicista, Nuno Simões nasceu a 30 de Janeiro de 1894 em Calendário, freguesia de Vila Nova de Famalicão e faleceu em Lisboa a 27 de Julho de 1975. Foi um democrata republicano até ao fim da vida. Deixou o seu nome associado a várias instituições de solidariedade social, que ajudou a criar.

Em 1935, quando desempenhava o cargo de Secretário-Geral do Supremo Tribunal Administrativo, foi afastado compulsivamente de todas as funções no Estado, apenas por perfilhar opiniões políticas divergentes, e sem que lhe fosse imputada qualquer infracção disciplinar ou menor dedicação ou competência no exercício dessas funções.
Nuno Simões fez parte de um afastamento colectivo de 33 funcionários públicos, demitidos das funções que exerciam, em 14 de Maio de 1935, ao abrigo do DECRETO-LEI N.º 25:317 assinado por Carmona e Salazar, (“Diário do Governo”, I Série, n.º 108, de 13 de Maio de 1935), nos seguintes termos: «Os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política, ou não dêem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado, são «aposentados ou reformados, se a isso tiverem direito, ou demitidos em caso contrário», não podendo ser «nomeados ou contratados para quaisquer cargos públicos nem admitidos a concurso para provimento neles.»

  1. Frequentou o curso dos liceus em Guimarães e no Porto. Era Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra (1913). Foi Sub-Delegado do Procurador da República na comarca de Vila Nova de Famalicão (1913). Nos anos seguintes exerceu advocacia em Guimarães e V. N. de Famalicão e no Porto. Foi Governador Civil de Vila Real (1915/17). Deputado em várias legislaturas (1919/21, 1922/25 e 1925/26), pelo círculo de Vila Real.
    Foi Ministro do Comércio e Comunicações por três vezes (em 1921/22, em 1924 e em 1925, nos Governos presididos, respectivamente, por Francisco Cunha Leal, Álvaro de Castro e Domingos Pereira), desenvolveu política de fomento de portos e marinha mercante e dos transportes ferroviários, criou a Junta Autónoma das Estradas, implementou a classificação dos monumentos históricos nacionais, criou a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

  2. Participou nos esforços para apresentação de candidaturas da Oposição às eleições legislativas de 1957 e presidenciais de 1958.
    Jornalista, colaborou em diversos jornais e revistas (“Diário de Coimbra”, “Atlântida”, “A Pátria”, “O Jornal”, "O Primeiro de Janeiro", "O Jornal do Comércio”, “A República", "Noticias" (de Lourenço Marques), "A Ilha" (de Ponta Delgada), e, no Brasil, em "O Observador Económico e Financeiro", “Diários Associados” e "Diário de Notícias" (do Rio de Janeiro). Membro do comité de redacção da "Révue Economique Internationale".
    Após o seu afastamento (1935), dedicou-se à actividade industrial, exercendo funções de orientador e consultor económico de várias empresas.

  3. Publicou, entre outras, as seguintes obras: "Águas Mortas" (crónicas, 1915), "Gente risonha: palavras sobre «a caricatura e alguns caricaturistas do nosso tempo» no primeiro salão d’arte do Salão dos Humoristas do Porto" (1915), "As Nossas Relações Económicas com a Inglaterra" (1931), "Os vinhos do Porto e a defesa internacional da sua marca: subsídio para o estudo da questão" (1932), "O Ultramar como Fornecedor e Cliente das Indústrias Metropolitanas" (1933), "O Brasil e a Emigração Portuguesa" (1934), "Vinhos da Madeira" (1935), "Pescarias e Conservas de Peixe" (1936), “Notas sobre a evolução das relações comerciais entre Portugal e a França desde os fins do século XVIII” (1937), "Portugueses no mundo: esboço para um estudo e notas de uma campanha" (1940), “Sobre a indústria nacional de curtumes” (1945), “Esplendor económico de São Paulo (Discurso pronunciado no Instituto de Coimbra na Comemoração do quarto centenário da fundação de São Paulo)”, 1955; “Actualidade e permanência do luso-brasilismo: conferências e discursos (1945-1955)”, 1955; “Indústria da borracha e pneus (Relatório ao II Congresso da Indústria Portuguesa)”, 1957; “Números e sugestões sobre emigração colonizadora” (em “Curso de deontologia ultramarina”, Agência Geral do Ultramar, 1958), “Jaime Cortesão e o Brasil (conferência)”, 1961.

  4. Grande defensor da política de aproximação luso-brasileira, foi sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras (1959), e foi agraciado com a Ordem do Cruzeiro do Sul, (1953) e o grau de Grande Oficial da Ordem do Rio Branco (1968). Em Portugal, foi agraciado, em 1990, a título póstumo, como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 1968, o espólio de Nuno Simões foi doado à Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Famalicão. Com milhares de volumes referentes a várias épocas históricas, esta biblioteca de NS reflecte o percurso da sua vida (político, profissional, cultural, social), bem patente nas obras que a integram. Na sua biblioteca, podemos ainda encontrar uma série de livros com dedicatórias, de escritores brasileiros, tais como: Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Assis Chateubriand.
Biografia da autoria de Helena Pato"

Fontes:

Sertório, Manuel.
Pessoa singular · 1926-1985

Nasceu em Lisboa, onde iniciou a carreira de advogado.
Desde a Juventude foi animador de organizações de luta pelo socialismo, que não chegaram a alcançar influência nem a ter continuidade. Defendeu vários presos políticos no Tribunal Plenário e tornou-se entretanto, com Câmara Reis, uma das figuras centrais da revista Seara Nova.
Exerceu considerável influência no processo conducente à campanha eleitoral de Humberto Delgado em 1958. Aliado quase permanente que era do PCP, empenhou-se a princípio na candidatura de Arlindo Vicente. Mas rapidamente se apercebeu de que a campanha de Delgado se estava tornando um factor potencial de derrubamento do salazarismo. A tomada de posição pública de Manuel Sertório contribuiu de forma relevante para a viragem que em pouco tempo havia de levar à desistência de Arlindo Vicente e à unificação das oposições.
Consumada em 1958 a fraude eleitoral salazarista, iniciou-se uma vaga de repressão que forçou ao exílio numerosas personalidades oposicionistas. Manuel Sertório refugiou-se em São Paulo no ano seguinte, onde viveu até 1965. Data desse tempo a sua acidentada colaboração com Delgado, com quem chegou a estar de relações cortadas devido a profundas divergências políticas, mas de quem foi noutras ocasiões o mais respeitado mentor. Acompanhou o general a Praga pouco antes do assassínio deste pela PIDE, para uma reunião de ambos com Álvaro Cunhal, destinada a restabelecer uma colaboração do delgadismo com o PCP.
Sob o título Humberto Delgado 70 Cartas Inéditas, publicaria mais tarde a copiosa correspondência que nesses anos trocou com o general e um balanço crítico da sua própria orientação.
Entretanto começava a guerra de libertação nas colónias e Manuel Sertório passava a ser na oposição metropolitana, exilada ou não, um símbolo da solidariedade com os povos africanos. Em atenção a esse prestígio de anticolonialista, esteve como convidado português na conferência de Nova Deli e Bombaim, em Outubro de 1961.
O golpe brasileiro de 1964 levou-o a fixar-se na Argélia, que proporcionava as melhores condições para a colaboração das várias correntes antifascistas entre si e com os movimentos de libertação das colónias. Aí viveu o golpe de Boumediene é a invasão da Checoslováquia, que acabou de afastá-lo do PCP. Depois dessa ruptura, viria a ser duramente atacado em escritos polémicos de Álvaro Cunhal.
Com o 25 de Abril regressou a Lisboa, tendo recusado diversos cargos públicos que Ihe oferecia o novo regime e mantido, durante vários anos, uma colaboração informal com as organizações da área do trotskismo. Publicista fértil colaborou, entre outros, no Estado de S. Paulo, Portugal Democrático (fase do exílio brasileiro); Afrique-Asie, Revolution Africaine, Rádio Portugal Livre (fase do exílio argelino), Diário Popular; República, O Jornal, Combate Operário, Combate Socialisa, Militante Socialista (após o regresso). Na última fase foi um dos animadores da revista de investigação Estudos do Comunismo e da revista política Versus.
(ROSAS, Fernando; BRITO, J. M. Brandão de - Dicionário do Estado Novo)

Rita, José Santa
Pessoa singular · 1917-1969

José Godinho de Matos Santa Rita (Lisboa, 1917 - Cidade do Cabo, África do Sul, 7 de Março de 1969) foi um advogado e opositor ao regime do Estado Novo. Filho de José Gonçalo Santa-Rita, chegou a Moçambique em Março de 1942. Exerceu advocacia em Inhambane e Maputo (na altura Lourenço Marques).

Foi membro do Aero Clube de Moçambique.

Domingos Arouca era seu colega de escritório até ter sido preso em 1965.

Ribeiro, Leonel.
Pessoa singular · 1898 - 1978
Ribeiro, António Sousa
PT/AHS-ICS/ASRibeiro · Pessoa singular · 1868 -1951

Conselheiro, advogado, professor e oficial colonial, Sousa Ribeiro exerceu os lugares de secretário-geral do governo de São Tomé e Príncipe (1897-1898), secretário-geral (1898) e governador interino de Moçambique (1909-1910) e ainda de secretário-geral da Companhia de Moçambique e Beira (1914-1918).
Em 1909 foi elevado a conselheiro por D. Manuel II. Surpreendido em África pela proclamação da República, António de Sousa Ribeiro abandonou depois as suas responsabilidades políticas.
Ao longo da sua vida, publicou livros de poesia, foi fundador e director da Revista Colonial (1913-1915), professor de grego, latim, inglês e francês.
Nascido no Porto em 1868, formou-se em Jurisprudência e Teologia na Universidade de Coimbra e faleceu em Esposende em 1951.

Pitta, Pedro Góis.
Pessoa singular · 1891-1974

Ministro do Comércio em 1923.. Bastonário da Ordem dos Advogados de 1957 a 1968.