Ministro das Obras Públicas e Comunicações e Ministro do Interior durante o Estado Novo.
Empresário português que construiu um império durante o Estado Novo, com negócios em Portugal, Angola, Moçambique e Brasil.
Foi deputado à Assembleia Nacional, vereador da Câmara Municipal de Lisboa e administrador da Cidla - Combustíveis Industriais e Domésticos.
José Maria dos Santos nasceu em 1832, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, e faleceu em junho de 1913. Foi considerado um dos grandes capitalistas da sua época, na área da agricultura e do vinho. Era filho de Caetano dos Santos, ferreiro, e de Gertrudes Maria, sendo de origens humildes.
Em 1857, casou-se com Maria Cândida Ferreira Braga, filha de Alexandre José Ferreira Braga (negociante, presidente da direção do Banco de Lisboa e vice-presidente da Associação Mercantil Lisbonense) e viúva de Manuel José Gomes da Costa São Romão (1810-1852). Através deste casamento ganhou a posse da Herdade do Rio Frio, que São Romão tinha adquirido na década de 1850 e elevou a sua categoria social, passando a pertencer às elites portuguesas.
José Maria dos Santos foi também diretor do Banco de Portugal na década de 1860, mas a maior parte da sua atividade deu-se no setor fundiário. Comprou as propriedades de Óbidos e Sabugal no Alentejo e a Herdade de Barroca d’Alva, em Alcochete, assim como as Herdades de Aldeia de Coelhos (Évora), Álamo do Pigeiro (Reguengos), Cabeça de Cardares (Redondo), Defesa da Pedra Alçada (Alandroal), Granja do Peral e do Perdigão (Arronches).
Em 1868, arrendou por 20 anos as Herdades de Palma e Moncorvo, em Alcácer, à casa do conde de Óbidos e Sabugal (morgado de Palma). Eventualmente, conseguiria comprar-lhas por 75 contos (em 1897), ficando total proprietário.
Foi deputado, iniciando-se na vida política como independente, pertencendo depois ao partido Regenerador, no qual se manteve até à morte de Fontes Pereira de Melo. Em 1892 foi nomeado par do reino.
A sua influência passava pela sua pertença a vários cargos que ocupou ao longo da vida, na Real Associação Central de Agricultura, da qual foi um dos fundadores, na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e dos Pares, na Junta Distrital de Lisboa, na Comissão Promotora do Comércio de Vinhos e Azeites, na Comissão Permanente que Trata da Aquisição de Adubos e Sementes, no Conselho Superior de Agricultura, no Conselho do Mercado Central de Produtos Agrícolas, na Sociedade Geral Agrícola e Financeira de Portugal.
Doutorado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor universitário, jurista, banqueiro (vice-presidente do Banco de Portugal) e administrador de empresas. Também diretor da Faculdade de Direito de Lisboa, participou em várias conferências e integrou várias associações científicas internacionais.
Nasceu no Porto (freguesia de Massarelos) a 31 de maio de 1892, tendo vindo a casar em 1921 com Gjertrud Magdalene Krohn, de ascendência norueguesa.
Formado em económicas e financeiras no Instituto industrial e Comercial do Porto, iniciou a sua formação em Inglaterra na Fábrica de chocolates Cadbury, onde estagiou em 1909/10 graças aos laços de colaboração e amizade de seu pai com os irmãos Cadbury, nomeadamente no âmbito do trabalho de recolha de informação e das campanhas contra o trabalho forçado nas roças de São Tomé (Cf. biografia Alfredo Henrique da Silva). Foi nomeado professor provisório desse mesmo Instituto em 1920, transitando para o lugar de professor ordinário em 1925.
Para além de outras atividades empresariais, adquiriu em 1955 cotas no capital da empresa Fábrica de Chocolates Imperial em Vila do Conde, tendo assumido o cargo de Presidente da administração. Modernizou e aumentou a produção de chocolate e construiu instalações novas, também em Vila do Conde. A fábrica foi vendida em 1973 ao Grupo RAR.
Teve uma atividade cívica e religiosa prolífica, nomeadamente na Igreja Evangélica Metodista Portuguesa e na Aliança Evangélica Portuguesa. Foi Presidente do Conselho Fiscal da Beneficência Evangélica do Porto e Presidente de uma direção trianual da Associação Cristã da Mocidade do Porto (1963-1965). Apaixonado bibliófilo, morreu no Porto em 1978.