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Pessoas, Entidades
Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
Pessoa singular · 1856 -1936

Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

Cabral, Amílcar.
PT/AHS-ICS/AMC · Pessoa singular · 1924-1973

Amílcar Lopes Cabral (Bafatá, Guiné Portuguesa, actual Guiné-Bissau, 12 de setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973) foi um político, agrónomo e teórico marxista da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Fundador do PAIGC.

Soares, Pedro dos Santos
PT/AHS-ICS/PSS · Pessoa singular · 1915-1975

Nasceu em Trigaches, Beja, em 13 de janeiro de 1915. Frequentou o Liceu de Beja e, já em Lisboa, quando estudante universitário de Letras, aderiu, em 1933, à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas e integrou os Grupos de Defesa Académica.

Foi preso, pela primeira vez, em 9 de março de 1934, quando participava numa manifestação de estudantes contra a organização fascista "Ação Escolar Vanguarda", antecessora da "Mocidade Portuguesa", foi levado para uma esquadra e libertado no dia 14. Seria novamente preso em 1 de fevereiro de 1935 e entregue pelas autoridades de Beja à Seção Política e Social da PVDE, seguindo para Peniche em 19 de março de 1935. Julgado pelo Tribunal Militar Especial (TME), foi condenado a 22 meses de prisão correcional e perda dos direitos políticos por cinco anos. em 14 de outubro, passou por Caxias a fim de ser deportado para Cabo Verde, com destino ao Campo de Concentração do Tarrafal. Tinha, então, 21 anos. Por ter sido amnistiado, regressou do Tarrafal em 15 de julho de 1940 e saiu em liberdade. Retomou os estudos na Faculdade de Letras, onde se licenciou em Histórico-Filosóficas, e prosseguiu a atividade partidária clandestina, intervindo na reorganização do Partido Comunista Português.
Seguiram-se novas detenções, sendo condenado em 4 de junho de 1943, mais uma vez, pelo TME a 4 anos de prisão correcional e perda dos direitos políticos por dez anos. Embarcaria no dia 12 para Cabo Verde, a fim de reentrar no Campo de Concentração do Tarrafal. Seria abrangido pela amnistia estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 35.041, de 18 de Outubro de 1945, regressando a Lisboa a 1 de fevereiro de 1946.
Em 1947, é publicado, clandestinamente, o seu livro “Tarrafal Campo da Morte Lenta”, no mesmo ano em que partiu para Moçambique e onde permanecerá até ao início de 1950.
Membro do Comité Central do PCP desde 1953, seria novamente preso a 5 de abril de 1954, seguindo, a 4 de agosto, para as prisões privativas da Subdiretoria do Porto da PVDE, de onde se evadiu a 3 de outubro, juntamente com Joaquim Gomes. Retornou à clandestinidade, sendo preso pela Delegação do Porto em 5 de dezembro de 1958, “por ser membro do Partido Comunista Português”: transferido para Lisboa no dia seguinte, entrou no Aljube e, em 28 de janeiro de 1959, passou para Peniche, de onde se evadiu, com mais nove presos políticos, em 3 de janeiro de 1960.

Não voltaria a ser detido, passando a desenvolver a sua ação política no estrangeiro, nomeadamente no âmbito da criação, em Bucareste, da Rádio Portugal Livre, de que foi diretor, em Argel, enquanto representante do Partido Comunista na Frente Patriótica de Libertação Nacional, e em Itália, na ligação aos movimentos de libertação de Angola, Guiné e Moçambique.Só regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, tendo sido eleito, por escassos dias, deputado por Santarém à Assembleia Constituinte.
Faleceu na madrugada de 10 de maio de 1975, juntamente com a sua esposa Maria Luísa da Costa Dias, num acidente de viação ocorrido na auto-estrada de Vila Franca de Xira, (atual A1), quando regressavam de uma reunião partidária em Benavente.