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Pessoas, Entidades
Abranches, Adelina
Pessoa singular · 1866-1945

Atriz portuguesa, Adelina Abranches nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866 e faleceu na mesma cidade a 21 de novembro de 1945.

Devido às incapacidades financeiras da família, iniciou a sua carreira no teatro ainda na infância, estreando-se como figurante aos cinco anos num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II - "Os meninos grandes", de Enrique Gaspar. Aos doze anos já tinha trabalhado no Teatro D. Maria II, no Teatro do Príncipe Real, no Variedade, no Teatro do Rato, no Teatro D. Fernando e no Teatro da Rua dos Condes. Representava com frequência papéis masculinos infantis e, mesma em adulta, continuou a fazer alguns papéis masculinos devido à sua constituição física.

Foi no Teatro Luís de Camões que assinou o seu primeiro contrato mensal e teve o primeiro papel de protagonista - em "A princesa flor de seda". Os seus primeiros êxitos foram no ano de 1882, no palco do Teatro do Rato ("Maria da Fonte" e "O tipógrafo/"O gaiato de Lisboa" - no qual representou um dos seus papéis masculinos mais memoráveis). Na temporada seguinte, foi convidada a integrar o elenco do Teatro do Príncipe Real, onde conheceu o futuro marido - o empresário Luís Ruas - e teve alguns dos seus papéis mais populares ("Pérola" (1885) e "Rosa enjeitada" (1901)).

Em 1902, mudou-se para o Teatro D. Amélia - destacando-se, por exemplo, em "Ressurreição" (1903), em "A cruz da esmola" (1903) e em "O avô" (1905). Também em 1902 dá-se o seu divórcio com Ruas, com o qual tivera dois filhos - Aura Abranches (Ruas) (1892-1962) e Alfredo Ruas (1890-1966), que seguiram ambos a carreira teatral, acompanhando muitas vezes a mãe em digressões.

Foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre e integrou a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910. Este envolvida no projeto do Teatro da Natureza. Foi também empresária teatral, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina - Aura Abranches, esta última em conjunto com a sua filha.

Regressou ao D. Amélia em 1911, renomeado Teatro República, onde representou Brísida Vaz no "Auto da barca do Inferno". Representou vários espetáculos de grand-guignol no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o que a levou ao Brasil em digressão (1913-1914). No seu regresso a Portugal, passou pelos palcos do Teatro Politeama, do Avenida e do Apolo, antes de regressar ao Teatro Nacional ("A mãe", de Russiñol, foi um dos seus maiores êxitos). Trabalhou com a companhia organizada Alves da Cunha e também com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

Apesar da sua principal carreira ser no teatro, participou em três filmes na década de 30: "Maria do Mar" e "Lisboa, Crónica Anedótica", de Leitão de Barros (1930) e "A Rosa do Adro", de Chianca Garcia (1938).

Faleceu de arteriosclerose, em Lisboa, aos 79 anos. Foi sepultada em jazigo no Alto de São João. As suas memórias foram publicadas após a sua morte pela filha, em 1947.

Almeida, Fialho de
Pessoa singular · 1857-1911

José Valentim Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades, no Alentejo, dia 7 de maio de 1857, e faleceu em Cuba (Alentejo), a 4 de março de 1911.

Foi estudar para Lisboa em 1866, no Colégio Europeu. Fez a sua estreia literária no jornal Correspondência de Leiria. Por falta de meios económicos, abandonou os estudos e começou a trabalhar como praticante de farmácia numa botica lisboeta. Publica o seu primeiro volume 'Contos' em 1881. Voltou a estudar, desta vez no Liceu Francês e na Escola Politécnica, iniciando a formação em Medicina. Entretanto, colaborou frequentemente com a imprensa, escrevendo contos, crónicas, críticas literárias e teatrais, e redigiu entradas para dicionários e outras publicações. Chegou também a dar aulas. Terminado o curso em 1885, Fialho de Almeida nunca chegou a fazer a prática de médico - optando ao invés por se dedicar exclusivamente à escrita e à prática jornalística.

Em 1889, um editor portuense (Alcino Aranha) atraído pelo estilo original e satírico de Fialho de Almeida, propôs-lhe a publicação mensal de uma crónica. Surgiu então, nesse ano, o primeiro fascículo d'Os Gatos, que se publicaria até 1894 - marcado por um tom crítico e satírico.

Fialho de Almeida colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nos jornais humorísticos Pontos nos ii (1885–1891) e A Comédia Portuguesa (fundado em 1888),e também nas revistas: Renascença (1878–1879?), A Mulher (1879), O Pantheon (1880–1881), Ribaltas e Gambiarras (1881), Branco e Negro (1896–1898), Brasil-Portugal (1899–1914), Serões (1901–1911) e, postumamente, na Revista de turismo iniciada em 1916. Também colaborou n' O Interesse Público, de que foi diretor literário (Lisboa, 1886), n' O Repórter (Porto, 1888), Revista de Portugal (Porto, 1889-1892), de Eça de Queirós, Ovos Moles e Mexilhões (Aveiro, 1893), Serões: revista mensal illustrada (Lisboa, 1901), Novidades (Lisboa, 1885) e Correio da Manhã (Rio de Janeiro, 1901). Usou o pseudónimo de «Valentim Demónio» em diversos artigos publicados na revista literária A Crónica, por ele fundada, e dirigida, em 1880.

Distinguiu-se também como contista, publicando várias obras.

Em 1893, na sequência do seu casamento com Emília Augusta Garcia Pego, alentejana e abastada proprietária rural, Fialho de Almeida foi residir para Cuba. Ela faleceu no ano seguinte, o que o levou a abandonar a vida do campo e a regressar à escrita. Viajou por Espanha, França, Suíça, Alemanha, Bélgica e Holanda. Criticou duramente o recém-implantado regime da República, antes de falecer em 4 de março de 1911, em Cuba.

Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
Pessoa singular · 1856 -1936

Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

Bernardes, Manuel
Pessoa singular · 1644-1710

Manuel Bernardes (Lisboa, 20 de agosto de 1644 – Lisboa, 17 de agosto de 1710) foi um clérigo e escritor português. Formou-se na Universidade de Coimbra em Filosofia e Direito Canónico. Ordenou-se sacerdote, chegando a ser confessor do bispo de Viseu, D. João de Melo, e entrou na Congregação do Oratório de S. Filipe de Néri em 1674. Viveu trinta e seis anos de clausura nesta instituição, dedicou-se ao aperfeiçoamento moral dos alunos, à composição das suas obras, na área da teologia ascético-mística.

Blasco (pseud.), Mercedes.
Pessoa singular · 1867 - 1961

Mercedes Blasco, pseudónimo de Conceição Vitória Marques, (Mina de S. Domingos, 4 de setembro de 1867 – Lisboa, 12 de abril de 1961) foi uma popular actriz de opereta e revista, escritora, poetisa, professora, tradutora, jornalista assim como enfermeira voluntária na Primeira Guerra Mundial. Durante o seu percurso usou também os nomes artísticos Judith Mercedes Blasco e Judith Mercedes, assim como os pseudónimos Dinorah Noemia e Mam’selle Caprice.

Durante a Grande Guerra, Mercedes alistou-se como enfermeira da Cruz Vermelha, em Bruxelas, e tratou e prisioneiros de guerra portugueses, doentes, em Liège (1918). Casou com o engenheiro eletricista belga Remi Ghekiere. Teve dois filhos, Stelio que morreu em 1917 e Marcel (ou Marcelo) que voltou com ela para Lisboa, já muito doente. A 13 de junho de 1922, Marcelo faleceu, vítima de tuberculose. Mercedes, que não conseguia arranjar trabalho no teatro, passou a viver da pensão que Filipe Mendes, então o governador civil de Lisboa, lhe manteve .

Dedicou-se à escrita, publicando um conjunto de obras que constituem, no geral, a continuação do livro Memórias de Uma Atriz (1907). Em 1922 inseriu, em “Vagabunda”, um capítulo que denominou “Um pouco de feminismo” em que advogava a favor a emancipação cultural e económica feminina, o sufrágio universal, a partilha de poderes entre géneros, a valorização da mulher enquanto esposa e mãe, contra o divórcio, a dissolução dos lares e a ilegitimidade dos filhos.

Bragança e Ligne, Ana Maria de, 3ª Duquesa de Lafões
Pessoa singular · 1797-1851

3ª Duquesa de Lafões, 5ª Marquesa de Arronches e 9ª Condessa de Miranda do Corvo. 33ª senhora da Casa de Sousa.

Nasceu a 21-09-1797 e morreu no palácio do Grilo, em Lisboa, a 12-09-1851. Sucedeu ao seu pai nos bens e comendas da sua Casa e à sua mãe em vários vínculos da Casa de Marialva (sucedendo também em 1823 ao seu tio materno, o 6º e último Marquês de Marialva, D. Pedro José Joaquim Vito de Meneses Coutinho, que morreu sem descendência - resultando na passagem dos bens e obrigações da Casa Marialva para a Casa de Lafões). Casou em 1819 com o seu parente Segismundo Caetano Álvares Pereira de Melo, filho dos 5ºs Duques de Cadaval. Desse casamento, teve apenas filhas.

Bragança, João Carlos de, 2º Duque de Lafões
Pessoa singular · 1719-1806

2.º Duque de Lafões, 4.º Marquês de Arronches, 8.º Conde de Miranda do Corvo, 32º Senhor da Casa de Sousa.

Nasceu em Lisboa a 6-03-1719 e morreu a 10-11-1806.

O 2.º Duque de Lafões foi uma figura destacada na sua época. João Carlos de Bragança pensava em seguir os estudos na Universidade de Coimbra, mas as dúvidas do reitor e lentes sobre o tratamento adequado a um personagem de sangue real, apresentada ao monarca, motivou a ordem de D. João V para que regressasse à Corte. Após o terramoto de 1755, o Duque de Lafões foi um dos voluntários que permaneceu em Lisboa para tratar dos vivos e enterrar os mortos.

Ausentou-se do Reino, em 1757, com autorização régia para "passar aos Exércitos da Alemanha [ou seja, da Áustria] para neles se exercitar na arte da guerra" (decorria então a Guerra dos Sete Anos, que opunha a Prússia, aliada da Inglaterra, à Áustria, que por sua vez estava coligada com a França e depois com a Rússia), passando por uma "curta" estadia em Inglaterra. Alguns biógrafos apontam que D. José lhe teria recusado a transmissão do título, mas esta hipótese é descartada pelo facto do seu irmão, Pedro Henrique (1º Duque) ter falecido quatro anos depois. Na verdade, João Carlos viajou com autorização do rei, e manteve relações cordiais com o monarca. Permaneceu vários meses em Inglaterra, tendo sido eleito membro da Royal Society de Londres. No ano de 1758, partiu finalmente para Viena, e participou em duas campanhas militares da Guerra dos Sete Anos.

A 26 de junho de 1761, o seu irmão e 1º Duque de Lafões, Pedro de Bragança, morreu após uma prolongada doença.

Assinada a paz em 1763, viajou pela Áustria, Itália, França, Rússia Alemanha, Suécia, Dinamarca e Turquia, só regressando a Portugal após a subida ao trono de D. Maria I. A soberana devolveu-lhe todas as honras e mercês, as comendas de sua Casa e o título de Duque de Lafões.

Um ano após a sua chegada a Portugal, João Carlos de Bragança apresentou à rainha D. Maria I o projeto para a fundação de uma instituição de cultura, à semelhança das que conhecera no estrangeiro. Escolheu para seu colaborador o abade José Correia da Serra que também regressara ao Reino. Foi assim fundada a Academia das Ciências de Lisboa, cujos estatutos foram aprovados em 24 de Dezembro de 1779, tendo a 1.ª sessão ocorrido em 16 de Janeiro de 1780.

Casou, a 29 de janeiro de 1788, com D. Henriqueta Maria Júlia de Lorena e Meneses, filha dos 5ºs Marqueses de Marialva - casamento com uma grande diferença de idades já que o Duque de Lafões tinha 70 anos e a sua esposa tinha 16. Deste casamento houve um filho varão, que foi o 1º Duque de Miranda do Corvo e faleceu em criança, e três filhas: D. Carlota Margarida (que morreu com apenas um ano de idade), D. Ana Maria, que lhe sucedeu como Duquesa de Lafões, e D. Maria Domingas, que pelo seu casamento foi Duquesa de Cadaval.

Branco, Camilo Castelo.
Pessoa singular · 1825-1890

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (16 de março de 1825, Lisboa - 1 de junho de 1890, Famalicão) foi um escritor português do Romantismo, que se destacou pela quantidade e qualidade dos seus escritos. Desde a poesia, a traduções, a romances, a obras históricos, e outros, produzindo uma diversificada obra literária.

Brasil, Jaime.
PT AHS-ICS JBrasil · Pessoa singular · 1896-1966

Artur Jaime Brasil Luquet Neto (N. Angra do Heroísmo, 1896 – m. Lisboa, 1966) foi escritor e jornalista. Cursou o liceu e, durante a Grande Guerra, a escola de oficiais milicianos, entrando para o Exército como alferes.

Jornalista brilhante, crítico literário e de arte, foi redactor do Primeiro de Janeiro, do Século, do Século da Noite, da República, do Diabo, dirigiu o jornal O Globo, de efémera duração, e muitos foram os jornais e revistas em que colaborou, sendo à data da sua morte chefe da delegação em Lisboa de O Primeiro de Janeiro, cuja excelente página «Das Artes, das Letras» organizou, desde início, durante muitos anos, e na qual colaboraram José Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Jorge de Sena, bem como inúmeros dos melhores autores das décadas de 40 e 50; as recensões críticas eram, nessa página que passou a ser dirigida pelo poeta Alberto de Serpa , assinadas com a letra A. (correspondente a Artur, de seu primeiro nome).

Grande amigo do seu patrício Vitorino Nemésio, ajudou-o quando este, em 1921, vindo dos Açores, se estreou no jornalismo profissional.

Jaime Brasil, para além de jornalista culto e probo, distinguiu-se como polemista, não poupando o adversário nas pugnas que travou (com o diário católico Novidades, a propósito do livro A Questão Sexual; com Agustina Bessa-Luís, acerca de Os Super-Homens, em 1950; e com um camilianista a quem chama «camelianista», em 1958).

Em 1925 fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, do qual foi o primeiro secretário-geral. Em Paris, onde residia desde 1937 e para onde voltou, algum tempo, no final dos anos 40, fundou em 1939 a Union des Journalistes Amis de la République Française.

Brazão, Arnaldo.
PT/AHS-ICS/ArnaldoBrazão · Pessoa singular · 1890 - 1968
Brun, André
Pessoa singular · 1881-1926

André Francisco Brun (Coração de Jesus, Lisboa, 9 de Maio de 1881 – Camões, Lisboa, 22 de Dezembro de 1926) foi um humorista e escritor português de ascendência francesa. Era filho de André Régis Brun e de Anna Dayska Nougaraide, doméstica, ambos cidadãos franceses.

A 9 de junho de 1915, casou primeira vez civilmente, em Lisboa, com Maria Irene Soares Vieira da Silva. Divorciaram-se em 1925. A 12 de junho de 1926, casou segunda vez civilmente, em Lisboa, com a escritora Alice Ogando. Viria a morrer de tuberculose nesse mesmo ano, doença contraída quando combateu na I Guerra (cuja participação inspirou a sua obra A Malta das Trincheiras).

Caires, Lutegarda Guimarães de
Pessoa singular · 1858-1935

Lutegarda do Livramento Guimarães de Caires (poetisa, escritora e feminista) nasceu em Vila Real de Santo António, 17 de novembro de 1858 e faleceu em Lisboa, 30 de março de 1935. Era filha de João António Guimarães e de Maria Teresa de Barro.

Mudou-se para Lisboa, e casou em 1877 com o tenente de infantaria Serafim Duarte Soares Coelho. O marido vai para Angola onde virá a falecer em 1889. Nesse mesmo ano, conheceu o que viria a ser o segundo marido - João de Caires, advogado madeirense e escritor, além de fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal. Desse casamento, nasceu o seu filho Álvaro Guimarães de Caires, que viria a ser médico, professor na Universidade de Sevilha, escritor e investigador

Dedicou-se a causas sociais, visitando crianças doentes no Hospital D. Estefânia. Durante dez anos promoveu o evento "Natal das Crianças dos Hospitais". Em 1911, fez um estudo da situação dos presos, especialmente das mulheres (naquela época, as prisões eram mistas), denunciando as terríveis condições das prisões portuguesas. Em junho de 1913, Lutegarda Guimarães, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Beatriz Pinheiro, Maria Veleda e Joana de Almeida Nogueira, representaram a delegação portuguesa na Sétima Conferência da Aliança Internacional de Sufrágio Feminino, em Budapeste. Feminista convicta, insurgiu-se contra a discriminação de que eram vítimas as mulheres por não poderem dispor dos seus próprios bens. Publicou vários artigos em jornais em defesa dos direitos das mulheres.

Câmara, João da
Pessoa singular · 1852-1908

João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara (Alcântara (Lisboa), 27 de Dezembro de 1852 - Alcântara (Lisboa), 2 de Janeiro de 1908), mais conhecido como D. João da Câmara, foi um dramaturgo português. Foi o primeiro português a ser nomeado para o Prémio Nobel da Literatura, em 1901.

Era filho dos 1.ºs marqueses da Ribeira Grande, D. Francisco de Sales Gonçalves Zarco da Câmara (1819-1872) e de sua mulher D. Ana da Piedade Brígida Senhorinha Francisca Máxima Gonzaga de Bragança Mello e Ligne Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1822-1856).

Câmara, José Paulo da
Pessoa singular · 1887-1939

José Paulo da Câmara (Lisboa, 25 de Janeiro de 1887 - Campinas, Brasil, 1939) foi um poeta, dramaturgo e jornalista português. Filho do dramaturgo e escritor português D. João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara e de D. Eugénia de Melo Breyner. Era irmão de Tomás da Câmara.

Casa dos Duques de Lafões
PT/AHS-ICS/CDLafões · Família · 1718-

Titulares do ducado:

  • 1.º duque de Lafões: D. Pedro Henrique de Bragança e Ligne Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1718-1761), primogénito do infante D. Miguel, filho (legitimado) de D. Pedro II. O título foi-lhe concedido por D. João V, seu padrinho, no dia do baptizado. Por via materna, foi 3.º Marquês de Arronches, 7.º Conde de Miranda do Corvo e 31.º senhor da Casa de Sousa. Pertenceu ao Conselho de D. João V e foi regedor das Justiças da Casa da Suplicação. Tendo falecido sem geração o título passou a seu irmão D. João Carlos de Bragança.
  • 2.º Duque de Lafões: D. João Carlos de Bragança (1719-1806). Fundador da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio da Royal Society de Londres. Participou na Guerra dos Sete Anos. Foi conselheiro de Estado e de Guerra, governador das Armas da Corte, marechal general do Exército Português, mordomo-mor do Príncipe Regente D. João, e ministro encarregado dos negócios da Guerra.
  • 3.ª Duquesa de Lafões: D. Ana Maria de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1797–1851).
  • 4.º Duque de Lafões: D. Caetano Segismundo de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1856–1927), neto da antecessora.
  • 5.º Duque de Lafões: Afonso de Bragança (1893-1946), filho do antecessor. Casado com D. Alice de Macedo.
  • 6.º Duque de Lafões: Lopo de Bragança (1921-2008), filho do antecessor. Casado com D. Maria José da Graça Salvação Barreto.
  • 7.º Duque de Lafões: Afonso Caetano de Barros e Carvalhosa de Bragança (1956), sobrinho paterno do 6.º Duque de Lafões, sem descendência. Casado com D. Maria Teresa Black Ramada-Curto de Bragança.
Cortesão, Jaime.
Pessoa singular · 1884-1960

Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

Costa, Emílio.
Pessoa singular · 1877-1952

Emílio Martins Costa - anarquista, jornalista e professor português - nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, e faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa. Filho de Boaventura Costa, fabricante, e de Angélica Rosa Martins.

De Portalegre, mudou-se para Lisboa em 1896, onde frequentou o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Não viria a concluir nenhum dos cursos. Assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Fundou o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias.

Viveu alguns anos na Bélgica (1903-?) onde estudou na Universidade Nova de Bruxelas, sendo aluno do pensador anarquista Elisée Reclus. Em 1905, iniciou uma colaboração com o jornal Les Temps Nouveaux, que se prolongaria até 1914, dirigido por Jean Grave. Em 1906, iniciou também a sua colaboração com o jornal "A luta", de Brito Camacho (mantida até 1909).

Publicou-se em 1907 A Conquista do Pão, semanário em parte dirigido por Emílio Costa. Em 1908, iniciou colaboração com o Germinal, de Setúbal, e com A Sementeira. Entrou também para a administração do parisiense La Révolution, dirigido por Émile Pouget. Em Paris, entrou em contacto com um grupo de intelectuais fundadores da Liga Internacional de Educação Racional para Crianças, entre os quais Ferrer, Max Nordeau, Alfred Naquet, etc. - seria inclusive secretário de Ferrer durante alguns meses.

Em 1909, ano do seu regresso a Portugal, traduziu três brochuras - Sindicalismo e Socialismo, A Confederação Geral do Trabalho (Emile Pouget), A Ação Sindicalista (Victor Griffuelhes).

Fundou em sua casa uma Biblioteca Popular, e colaborou no jornal republicano O Intransigente, dirigido por Baltazar Teixeira. Colaborou no semanário O Sindicalista até à sua partida para a Suíça, onde foi desempenhar as funções de secretário particular de Guerra Junqueiro, que era embaixador.

De volta a Portalegre, iniciou a sua carreira como professor, dando aulas no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Fez parte do grupo libertário Ação Direta, em Lisboa. Em 1912, iniciou sua colaboração com o Lumen, e como redator do Intransigente de Machado Santos. Fundou o semanário O Semeador, libertário, anticlerical e regionalista. Em 1913, começou a trabalhar na Sociedade de Propaganda de Portugal. Iniciou a publicação de A Semana, sendo seu diretor.

A Grande Guerra causou uma clivagem no movimento anarquista - de um lado os não intervencionistas com o Grupo de Propaganda Libertária, editor de A Aurora (Porto). Em Lisboa, os que defendiam a intervenção na guerra, o Grupo Germinal, entre o qual se incluía Emílio Costa. Foi docente também no Liceu Passos Manuel (1915-1918?), em Lisboa, intermitentemente na Escola Comercial Ferreira Borges, e depois no Colégio Estoril (1918-1921). Também foi docente na Escola-Oficina n.º 1 e na Escola Académica.

Em 1925, foi contratado para o Instituto de Orientação Profissional, dirigido por Faria de Vasconcelos.

Em 1930, iniciou correspondência com Alexandre Vieira, que estava exilado em Paris.

Durante o Estado Novo, opôs-se à ditadura, participando no Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde a sua fundação - fazendo parte da junta consultiva como vogal.

Dantas, Júlio.
Pessoa singular · 1876 - 1962

Júlio Dantas (Lagos, 19 de Maio de 1876 – Lisboa, 25 de maio de 1962) foi um escritor, médico, político e diplomata português.

Filho de Casimiro Augusto Vanez Dantas e de Maria Augusta Pereira de Eça, estudou no Colégio Militar em Lisboa e depois na Escola Médico-Cirúrgica dessa cidade, concluindo o curso em 1900. Daí passou a exercer Medicina no Exército, o que faria durante doze anos.

Entretanto, iniciava a sua carreira como dramaturgo: em 1899, era feita a primeira produção de uma das suas peças de teatro "O que morreu de amor", no Teatro Dona Amélia. A Ceia dos Cardeais (1902) guarneceu-lhe grande popularidade, sendo reeditada até hoje. Além disso, com obra na sua peça 'A Severa' foi feito o primeiro filme sonoro em português. A peça 'Os crucificados' abordava a questão da homossexualidade, algo inovador na época.

Iniciou a sua carreira política em 1905, sendo eleito deputado pelo Partido Progressista no círculo de Coimbra (1905). Em 1908, foi eleito sócio da Academia de Ciências de Lisboa - viria a ser seu presidente a partir de 1922.

Foi nomeado Diretor da Secção Dramática do Conservatório Nacional (1909), em que também foi professor e organizador do respetivo museu.

Em 1915, após a saída do segundo número da revista Orfeu, Dantas foi um dos críticos e opositores a este movimento literário. Por esse motivo, Almada Negreiros escreveu o conhecido Manifesto Anti-Dantas.

Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em três governos (1914, 1921-1922, 1923), de Instrução Pública (durante apenas 41 dias). Pertenceu ao Partido Reconstituinte (1920) e ao Partido Nacionalista (1923).

Entre 1925 e 1928 foi o (primeiro) presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP), que mais tarde daria origem à Sociedade Portuguesa de Autores.

Em 1935 tornou-se procurador à Câmara Corporativa, cargo que deteria até 1961. Enveredou na carreira diplomática e , em 1941, foi enviado como embaixador especial ao Brasil e ficaria como embaixador permanente no Rio de Janeiro a partir de 1949.

Como escritor, Júlio Dantas acabou conotado com o regime do Estado Novo: “Júlio Dantas passou, com algum fundamento, pelo ornamento beatificado do Estado Novo, exemplo clássico do escritor conformista ao serviço de um regime que o promoveu e com ele se promoveu" (Dicionário Cronológico de Autores Portugueses). No entanto, algumas das suas obras revelam um caráter mais complexo.

Casou civilmente em 1942 com Maria Isabel Penedo Cardoso e Silva.

Deus, João de.
Pessoa singular · 1830-1896

João de Deus Nogueira Ramos (São Bartolomeu de Messines, Silves, 8 de Março de 1830 — Lapa, Lisboa, 11 de Janeiro de 1896), mais conhecido por João de Deus, foi um poeta lírico e pedagogo, defensor de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal.

Demorou dez anos a concluir o curso de Direito na Universidade de Coimbra. De 1851 conhece-se o poema Pomba e a elegia Oração, a qual foi a sua primeira obra publicada, tendo saído a público na Revista Académica em 1855. em 1858, uma crítica fortemente elogiosa no artigo A propósito de um Poeta, publicado no Instituto de Coimbra por Antero de Quental.

Foi para Beja, onde, entre 1862 e 1864, dirigiu o jornal O Bejense (onde publicou muitas das suas primeiras poesias). Mantendo colaboração com a imprensa regional alentejana e algarvia e redigindo a Folha do Sul, em São Bartolomeu de Messines e em Silves tentou sem sucesso a advocacia, tendo em 1868 optado por partir para Lisboa, cidade onde passou a residir.

Apresentou-se às eleições em 1868 como candidato independente pelo Círculo de Silves - sendo eleito. Em 1874, casou com Guilhermina das Mercês Battaglia. Um dos seus filhos, João de Deus Ramos, continuaria a obra pedagógica de seu pai.

Publicou em 1876, a sua Cartilha Maternal, método de ensino da leitura revolucionário no panorama pedagógico nacional. Este método foi dois anos depois, e por proposta do deputado Augusto de Lemos Álvares Portugal Ribeiro, aprovado como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa. Graças a esta decisão, João de Deus teria a nomeação vitalícia de "Comissário Geral da Leitura"

Em 1895, foi-lhe feita uma homenagem à escala nacional, sendo honrado como sócio honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra e com a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada.