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Pessoas, Entidades
Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
Pessoa singular · 1856 -1936

Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

Benedy, José do Patrocínio.
Pessoa singular · 1866 - 1951

Tipógrafo, fotógrafo e fotogravador.

Militante de várias causas (defensor dos marinheiros republicanos em 1908; de Ferrer em 1909; dos trabalhadores rurais, etc.) , distinguiu-se pelas suas excentricidades verbais e .Polítiicas. Anarquista e republicano, aderente ao Partido Socialista em 1920, Benedy era uma típica figura de autodidata e erudito, cujos escritos se encontram em quase toda a imprensa operária da I RepÚblica. Redactor de A Greve fez parte da primeira geração sindicalista revolucionária. Em 1920 fundou um jornal com o seu nome José Benedy, de que era, como é lógico, o único redactor. Autor prolixo escreve entre outros Pedras Toscas, 1912, Cirurgia, 1913, Escrita Simplificada, 1913; O Grande e Horrível Cime, 1916; 3º Congresso cbs Trabalhadores Rurais, 1918; A Ciência Redentora, 1921; O Vinho e o seu valor Fisiológico, 1930; etc.
(Sobre Benedy veja-se Alexandre Vieira, Figuras Gradas do Movimento Social). JPP

Cabete, Adelaide.
PT/AHS-ICS/AdCabete · Pessoa singular · 1867 - 1935

Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabette (Alcáçova, Elvas, 25 de janeiro de 1867 — Lisboa, 14 de setembro de 1935), mais conhecida como Adelaide Cabete (na atual ortografia), foi uma das principais feministas portuguesas do século XX. Republicana convicta, foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçom, autora, benemérita, pacifista, abolicionista, defensora dos animais e humanista.[1]

Foi pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres, e durante mais de vinte anos, presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Nessa qualidade reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto (licença de maternidade) e em 1912 reivindicou também publicamente o direito ao voto feminino, sendo-lhe apenas concedido em 1933, tornando-se na primeira e única mulher a votar, em Luanda, onde viveu, sob a nova lei eleitoral da Constituição Portuguesa de 1933.[2]

[1] Serrão, Joel (1975). Dicionário de história de Portugal. [S.l.]: Iniciativas Editoriais

Representou as mulheres portuguesas em congressos internacionais, nomeadamente no Congresso Internacional Feminista realizado em Roma, em 1923 e no Congresso Feminista de Washington em 1925


"Nascida em Elvas, Adelaide Cabete tornou-se uma das primeiras mulheres portuguesas com um curso superior. Realizou estudos de Medicina, tendo concluÍdo a formatura com uma tese sobre "A protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento fisico das novas geraçÕes" (1900). Activista republicana e membro da Maçonaria, foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909) e participou no 5 de Outubro, preparando as bandeiras republicanas que vieram a ser usadas na revolta. Em 1913 participou no Congresso Internacional de Gand com uma tese sobre o "ensino doméstico em Portugal" na qual se opunha ao uso dos véus, plumas, espartilhos e saltos altos pelas mulheres, por razÕes de saúde. Um ano depois participa na fundação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e desenvolve uma considerável actividade feminista. Em 1923 representa o governo português no Congresso Internacional Feminista de Roma, sendo a primeira mulher a deter tal representação, que se renovara nos congressos seguintes. No âmbito da sua actividade feminista criou as Ligas da Bondade , dirigiu a revista Alma Feminina e escreveu vários opúsculos sobre temas como a educação, a protecção da mulher grávida, a prostituição, etc. Em 1929 vai viver para Angola de onde regressa em 1934, já bastante doente. Faleceu em 1935."
José Pacheco Pereira, BEO, nº8, p. 75

Costa, Emílio.
Pessoa singular · 1877-1952

Emílio Martins Costa - anarquista, jornalista e professor português - nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, e faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa. Filho de Boaventura Costa, fabricante, e de Angélica Rosa Martins.

De Portalegre, mudou-se para Lisboa em 1896, onde frequentou o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Não viria a concluir nenhum dos cursos. Assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Fundou o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias.

Viveu alguns anos na Bélgica (1903-?) onde estudou na Universidade Nova de Bruxelas, sendo aluno do pensador anarquista Elisée Reclus. Em 1905, iniciou uma colaboração com o jornal Les Temps Nouveaux, que se prolongaria até 1914, dirigido por Jean Grave. Em 1906, iniciou também a sua colaboração com o jornal "A luta", de Brito Camacho (mantida até 1909).

Publicou-se em 1907 A Conquista do Pão, semanário em parte dirigido por Emílio Costa. Em 1908, iniciou colaboração com o Germinal, de Setúbal, e com A Sementeira. Entrou também para a administração do parisiense La Révolution, dirigido por Émile Pouget. Em Paris, entrou em contacto com um grupo de intelectuais fundadores da Liga Internacional de Educação Racional para Crianças, entre os quais Ferrer, Max Nordeau, Alfred Naquet, etc. - seria inclusive secretário de Ferrer durante alguns meses.

Em 1909, ano do seu regresso a Portugal, traduziu três brochuras - Sindicalismo e Socialismo, A Confederação Geral do Trabalho (Emile Pouget), A Ação Sindicalista (Victor Griffuelhes).

Fundou em sua casa uma Biblioteca Popular, e colaborou no jornal republicano O Intransigente, dirigido por Baltazar Teixeira. Colaborou no semanário O Sindicalista até à sua partida para a Suíça, onde foi desempenhar as funções de secretário particular de Guerra Junqueiro, que era embaixador.

De volta a Portalegre, iniciou a sua carreira como professor, dando aulas no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Fez parte do grupo libertário Ação Direta, em Lisboa. Em 1912, iniciou sua colaboração com o Lumen, e como redator do Intransigente de Machado Santos. Fundou o semanário O Semeador, libertário, anticlerical e regionalista. Em 1913, começou a trabalhar na Sociedade de Propaganda de Portugal. Iniciou a publicação de A Semana, sendo seu diretor.

A Grande Guerra causou uma clivagem no movimento anarquista - de um lado os não intervencionistas com o Grupo de Propaganda Libertária, editor de A Aurora (Porto). Em Lisboa, os que defendiam a intervenção na guerra, o Grupo Germinal, entre o qual se incluía Emílio Costa. Foi docente também no Liceu Passos Manuel (1915-1918?), em Lisboa, intermitentemente na Escola Comercial Ferreira Borges, e depois no Colégio Estoril (1918-1921). Também foi docente na Escola-Oficina n.º 1 e na Escola Académica.

Em 1925, foi contratado para o Instituto de Orientação Profissional, dirigido por Faria de Vasconcelos.

Em 1930, iniciou correspondência com Alexandre Vieira, que estava exilado em Paris.

Durante o Estado Novo, opôs-se à ditadura, participando no Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde a sua fundação - fazendo parte da junta consultiva como vogal.

Ferrer, Francisco.
Pessoa singular · 1859-1909

Nascido em Alella (Barcelona), em 14 de janeiro de 1859, Ferrer educou-se como autodidata e iniciou a sua atividade política com o republicanismo. Afiliou-se à maçonaria em 1883 e participou na tentativa de sublevação republicana de 1886. Após este evento, exilou-se em Paris, onde entrou em contacto com representantes da pedagogia renovadora, laica e livre-pensadora e o seu pensamento político começou a evoluir para o anarquismo. Ferrer funda a Escola Moderna em Barcelona em 1901 - com um ensino inspirado no livre-pensamento, educando conjuntamente ambos os géneros e diferentes classes sociais.
A 31 de maio de 1906 houve um tentado em Madrid contra o rei Afonso XIII cujo perpetrador era um antigo bibliotecário da Escola Moderna. Ferrer foi detido e condenado por conspiração, levando ao encerramento da Escola. Foi mais tarde absolvido por falta de provas, mas a Escola permaneceu encerrada. Após os eventos da Semana Trágica (decorridos em julho e agosto de 1909 e constituídos por uma série de confrontos violentos entre o exército espanhol e anarquistas, maçons, socialistas e republicanos na Catalunha) Ferrer foi de novo preso, sendo fuzilado no dia 13 de outubro de 1909, acusado de ser um dos principais instigadoras da Semana Trágica.

Fonseca, José Tomás da.
Pessoa singular · 1877-1968

José Tomás da Fonseca (Mortágua, 10 de Março de 1877 — Lisboa, 12 de Fevereiro de 1968) foi um agricultor, ex-seminarista, poeta, escritor, historiógrafo, jornalista, professor, político e militante republicano de cariz ateu e anticlerical português. Pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática, à Maçonaria e ao Partido Comunista Português.

Por causa de seu ateísmo militante, sua verve polemista, das ideias republicanas, laicistas e ateias, das críticas às aparições em Fátima e à igreja católica Tomás foi perseguido pela PIDE, preso diversas vezes e 14 de seus livros foram censurados e banidos durante as ditaduras sidonista e salazarista.

A perseguição a Tomás da Fonseca o afastou das atividades docentes que ele desenvolvia no Conselho Superior de Instrução Pública, da direção da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra e da Universidade Livre de Coimbra, que ele ajudou a fundar.

Junqueiro, Guerra
Pessoa singular · 1850-1923

Abílio Manuel Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta, 15 de setembro de 1850 – Lisboa, 7 de julho de 1923) foi um escritor português e também alto funcionário administrativo e político.

Frequentou o curso de Teologia da Universidade de Coimbra, mudando depois para o curso de Direito. A sua frequência da Universidade de Coimbra coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã.

Começou a sua carreira literária como redator do jornal literário A Folha. Em 1868, publicou o opúsculo O Aristarco Português e a obra Baptismo de Amor. Sendo antimonárquico, manifestou as suas ideias republicanas em 1873, publicando o poemeto À Hespanha Livre, em que celebrou a proclamação da república espanhola. Em 1874, publicou A Morte de D. João, obra que obteve um enorme sucesso.

Em Lisboa Lisboa, foi colaborador de jornais políticos e artísticos, como o jornal A Lanterna Mágica. Entrou para o funcionalismo público e tornou-se secretário-geral do governador civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Em 1878, foi eleito deputado pelo círculo de Macedo de Cavaleiros, sendo posteriormente também eleito pelo círculo de Viana do Castelo (1880) e pelo círculo de Quelimane, África Oriental Portuguesa (1890).

Nos anos oitenta, participou nas reuniões dos Vencidos da Vida, juntamente com Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e António Cândido, entre outros. Reagiu ao Ultimato inglês de 1890, com o livro de poesias Finis Patriae, altura em que se afastou ideologicamente de Oliveira Martins, confiando na República como solução para os males da sociedade portuguesa. Entre 1911 e 1914, assumiu o cargo de Ministro de Portugal na Suíça.

Na fase final da sua vida, retirou-se para a sua propriedade no Douro.

Casou com Filomena Augusta Neves (1880).

Lima, Sebastião de Magalhães.
Pessoa singular · 1850-1928

Sebastião de Magalhães Lima (Santos, 30 Maio 1850 — Lisboa, 7 Dezembro 1928) foi um advogado, jornalista, político e escritor português, fundador do jornal O Século. Defensor de republicanismo com pendor a um socialismo utópico, fez parte da chamada Geração de 70 e foi durante largos anos grão-mestre da Maçonaria portuguesa, presidindo aos destinos da organização aquando do Golpe de 28 de Maio de 1926 e do desencadear das perseguições que levariam à sua posterior ilegalização durante o regime do Estado Novo.

A defesa de um ideal republicano e a propaganda antidinástica e anticlerical estão patentes na sua produção escrita e jornalística, bem como na sua acção cultural e cívica (Garnel, Maria Rita Lino).

A primeira mensagem que passou ao conselho do Grande Oriente Lusitano Unido, em 4 de Maio de 1906, logo após ter sido eleito seu dirigente e anteriormente à Implantação de República Portuguesa, foi: "impor a revolução laicista como linha oficial da maçonaria".

Machado, Bernardino.
Pessoa singular · 1851 - 1944

Bernardino Luís Machado Guimarães, (Rio de Janeiro, 28 de março de 1851 - 28 de abril de 1944) foi um político português, sendo Presidente da República entre 1915-1917 e 1925-1926.

Filho de António Luís Machado Guimarães e da sua segunda esposa D. Praxedes de Sousa Guimarães. Em 1860, a família regressou a Portugal, fixando residência em Joane, concelho de Famalicão.

Concluídos os estudos secundários no Porto, matriculou-se, em 1866, na Universidade de Coimbra, onde estudou Matemática e Filosofia. Em 1873, concluiu a licenciatura em Filosofia.

Ingressou na Maçonaria, iniciando-se na Loja “Perseverança”, em Coimbra, logo em 1874. Dentro do Grande Oriente Lusitano irá ocupar os cargos seguintes: Presidente do Conselho da Ordem, entre 1892 e 1895, Grão-Mestre, entre 1895 e 1899, Membro das lojas “Razão Triunfante”, “Elias Garcia”, “Fraternidade Colonial”, em Lisboa, e “Fernandes Tomás”, na Figueira da Foz, Apoiante do Supremo Conselho do Grau 33, em 1914, quando da cisão do Movimento Maçónico, regressando, no entanto, ao Grande Oriente Lusitano Unido em 1920, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, desde 1929 até à data da sua morte.

Em 28 de fevereiro de 1877, foi nomeado professor da Faculdade de Filosofia. Em 2 de julho de 1877, alcançou o doutoramento com a tese Dedução das Leis dos Pequenos Movimentos da Força Elástica. Em 17 de abril de 1879, foi nomeado lente catedrático de Filosofia. A partir de 1883, passou a dirigir em exclusividade a cadeira de Antropologia. Nesse mesmo ano licenciou-se em Agricultura Geral Zootécnica e Economia Rural.

A sua atividade política tem início em 1882, ao ser eleito deputado por Lamego, pelo Partido Regenerador. Em 1886, é novamente eleito para o mesmo cargo, mas agora pelo círculo de Coimbra. Em 1892, integrou o Conselho Superior de Instrução Pública. Dirigiu também o Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Em 1893, fez parte do governo de Hintze Ribeiro, ocupando a pasta de ministro das Obras Públicas. A sua ação vai incidir na elaboração da legislação protetora do trabalho das mulheres e dos menores.

Aderiu ao Partido Republicano em 31 de outubro de 1903, presidindo ao diretório, entre 1906 e 1909. Durante a crise académica de 1907, juntou-se aos estudantes e por esse motivo é obrigado a pedir a demissão do cargo de lente da Universidade de Coimbra.

A partir da implantação da República, em 5 de outubro de 1910, ocupou vários cargos: Ministro dos Negócios Estrangeiros no Governo Provisório, Deputado à Câmara Alta até 1915, Ministro e embaixador no Brasil, desde 20 de janeiro de 1912, Presidente do Ministério, ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior entre 9 de fevereiro de 1914 e 23 de junho do mesmo ano, Presidente do Ministério e ministro do Interior desde aquela última data até 12 de dezembro de 1914. Ministro da Justiça interino até 22 de julho, Presidente da República, eleito no escrutínio de 6 de agosto de 1915.

Foi deposto na sequência do movimento comandado por Sidónio Pais e expulso do país. Após a queda do sidonismo regressou à atividade política, sendo eleito senador em 1919, Presidente do Ministério e ministro do Interior entre 2 de março de 1921 e 23 de maio do mesmo ano; ministro da Agricultura interino, no mesmo Ministério até 4 de maio e Presidente da República, desde 1925, na sequência da resignação de Teixeira Gomes. Não terminou o mandato que foi interrompido na sequência do movimento militar do 28 de maio de 1926.

Depois de entregar os poderes presidenciais ao almirante Mendes Cabeçadas em 31 de maio, manteve-se em Portugal até às derrotas das revoltas de 3 e 7 de fevereiro de 1927, sendo então novamente expulso do País. Exilado primeiro na Galiza e posteriormente em França.

Foi autorizado a regressar em junho de 1940, na altura em que as forças nazis invadem a França. Proibido de residir em Lisboa, fixou residência no Alto Douro.

Porto, César.
PT-AHS-ICS-CPorto · Pessoa singular · 1873-1944

Formou-se em Antropologia, em Paris, e exerceu o magistério primário em várias escolas portuguesas. Assíduo colaborador do jornal A Batalha tendo também colaborado na revista Renovação (1925-1926); era mação e republicano e iniciou sua vida política como libertário.

Ganhou lugar entre a intelectualidade portuguesa participando no movimento para a educação progressista. A César Porto, professor de Português e Sociologia da Escola Oficina nº 1, se deve o primeiro estudo sobre a pedagogia soviética com base na vivência de uma viagem à Rússia a convite da Federação Pan-Russa dos Trabalhadores de Ensino. O relato da viagem, A Rússia Hoje e Amanhã, teve circulação restrita durante o governo da ditadura.

Em 1924 fundou e dirigiu a revista Educação Social que era a favor da educação progressista, a Escola Única, em prática na Escola Oficina nº1 e na Escola da Granja. A revista teve a colaboração de várias personalidades proeminentes da educação e cultura que defendiam o ensino com base em filosofias de ensino com base na experiência da criança como as de Claparède, Stanley Hall, Ferrière, Kerchensteiner e Dewey.

Fez parte da comissão promotora da Liga de Ação Educativa e do conselho pedagógico da Universidade Popular Portuguesa.

PRP - Partido Republicano Português
PT-AHS-ICS-PRP · Pessoa coletiva · 1876 - 1926

Fundação: 1876
Dissolução: 1912 (de jure), 1926 (de facto)

Ideologias: republicanismo, antimonarquismo, liberalismo, radicalismo, anticlericalismo, secularismo

Em 1912 dá-se uma divisão no PRP - com a secessão dos Evolucionistas e dos Unionistas do Partido Republicano Português, em Fevereiro de 1912. Forma-se então o Partido Democrático de Afonso Costa, cujo nome oficial continua a ser Partido Republicano Português - embora os seus opositores não o considerem um sucessor legítimo deste.

Santos, Raul Esteves dos.
Pessoa singular · 1889 -1954

Raúl Esteves dos Santos (Lisboa, 7 de Março de 1889 - Lisboa, 24 de Julho de 1954) foi um jornalista, escritor e ativista político português.

Durante a sua carreira, também trabalhou como funcionário para a Câmara Municipal de Lisboa, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e a Direcção-Geral de Caminhos de Ferro.

Defensor dos ideais republicanos, foi um dos participantes na Revolução de 5 de Outubro de 1910. Durante a Primeira República, foi mobilizado para a Primeira Guerra Mundial. Foi preso pela primeira vez por motivos políticos em 1918, durante a ditadura de Sidónio Pais.

Trabalhou como secretário para o presidente do ministério, António Granjo, em 1921,

Na imprensa, foi diretor do jornal O Grito do Povo. Foi também diretor do jornal A Voz do Operário em duas ocasiões, de 1931 a 1933 e de 1945 a 1947. Nestes períodos, também exerceu como presidente da Sociedade de Instrução e Beneficiência A Voz do Operário.

Também trabalhou como diretor da Revista Portuguesa de Comunicações, e escreveu para a Revista Municipal de Lisboa e na Gazeta dos Caminhos de Ferro.

Aquando da sua instauração, tornou-se um opositor à ditadura militar. Em 1930 foi preso durante cerca de duas semanas.

Já durante o Estado Novo, foi um dos fundadores do Movimento de Unidade Democrática, em conjunto com outros diretores de periódicos nacionais, incluindo Luís Câmara Reis, da revista Seara Nova, Jaime Carvalhão Duarte, do jornal República, e Vítor Santos, do Democracia do Sul.

Em 16 de Maio de 1947, foi de novo preso pela polícia política e ficou preso durante vinte dias na Penitenciária de Lisboa

Destacou-se igualmente como escritor, tendo deixado um grande número de obras, incluindo A Arte Negra e A Grande Catedral do Bem, sobre o periódico A Voz do Operário.

Ocupou o posto de presidente da Federação das Sociedades de Educação e Recreio e da Sociedade de Instrução de Campo de Ourique, e também foi dirigente dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique.

Silva, Eduardo Ferreira dos Santos.
Pessoa singular · 1879 -1960

Eduardo Ferreira dos Santos Silva (Porto, 18 de Março de 1879 — Porto, 14 de Setembro de 1960) foi um médico, professor, pedagogo e político, presidente da Câmara Municipal do Porto, que se distinguiu na oposição ao regime ditatorial saído do golpe de 28 de Maio de 1926. Foi membro da Maçonaria.

Vidal, Angelina.
Pessoa singular · 1853-1917

Angelina Casimira da Silva Vidal (São José, Lisboa, 11 de março de 1847 – Anjos, Lisboa, 1 de agosto de 1917) foi uma jornalista, tradutora, professora, e escritora. Destacou-se na luta pelos direitos dos mais pobres e pelos direitos das mulheres. Ideologicamente, começou por estar alinhada com o republicanismo, transitando depois para o socialismo.

Filha ilegítima do Maestro Joaquim Casimiro Júnior e de Rita Adelaide de Jesus, pertencia a uma família médio-burguesa. Tinha nove anos quando o pai e a mãe faleceram passando então a estar à guarda de um colégio de freiras. Com apenas dezanove anos, em 1872, casou-se com Luís de Campos Vidal, com quem teve cinco filhos. O casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças.

Foi conferencista e jornalista, em particular na imprensa operária e muitas vezes sem remuneração. Iniciou nos anos de 1880 a colaboração com A Voz do Operário, do qual viria a ser editora entre 1897 e 1901. Colaborou também com o jornal Pró-Infância. Escreveu teatro, prosa e poesia, arrecadando dois prémios internacionais de poesia: um em 1885, com A Morte do Espírito, outro em 1902, com Ícaro. Fez uma breve incursão na olisipografia, publicando em 1900 o livro Lisboa Antiga e Lisboa Moderna.

Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias: no seu texto Às operárias portuguesas (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. Naquela época, o dia de trabalho tinha 15 horas.

Dirigiu ainda as publicações: Sindicato, Justiça do Povo, e A Emancipação (Tomar).

Como o estado de divorciada não era legal na altura quando Luís de Campos Vidal faleceu (1894) nunca lhe foi atribuída a pensão de viuvez e passou por muitas dificuldades - a recusa da pensão também se deveu às suas atividades políticas. Nesse ano, Angelina terá tentado o suicídio. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Também A Voz do Operário conseguiu uma proposta de cotização que lhe assegurava um vencimento mensal pelo seu trabalho como professora de francês. Dois anos depois, já sem esse vencimento, foi novamente auxiliada pelas operárias.