A União Geral dos Estudantes da África Negra (UGEAN) começou a desenvolver-se no seio do Movimento Anticolonial entre 1959 e 1960 (MAC, fundado em 1957, em Paris). Sob a impulsão de José Carlos Horta e do Comité Diretor Provisório — constituído por Luís D'Almeida (Angola), José Fret (São Tomé e Príncipe), Carlos Rocha e Edmundo Rocha (Angola), e pelo próprio Horta (Moçambique) —, a UGEAN inicia as suas atividades com o objetivo de obter reconhecimento internacional por parte dos movimentos internacionais de estudantes, em particular da União Internacional de Estudantes (UIE, fundada em 1946, com sede em Praga). Paralelamente, começa a angariar as primeiras bolsas de estudo, destacando-se como bolseiros iniciais estudantes que mais tarde viriam a assumir algum papel de relevo na história pós-colonial destes países: João Cruz Pinto (Guiné), Manuel Pinto da Costa (São Tomé e Príncipe) e Artur Janeiro da Fonseca (Moçambique).
Entre os dias 22 e 25 de setembro de 1961, realiza-se o Congresso Constitutivo da UGEAN em Rabat (Marrocos), revelando-se um grande sucesso e contando com importantes apoios da UIE e da CONCP, para além da presença de diversos dirigentes de movimentos progressistas africanos, com particular destaque para o MPLA, o PAI e a UDENAMO.
Os anos seguintes são atribulados, marcados por disputas políticas e ideológicas, decorrentes do surgimento de organizações nacionais de estudantes associadas aos movimentos de libertação — em particular, a União Nacional dos Estudantes Moçambicanos (UNEMO), fundada em Paris em 1961 e com ligações à FRELIMO, e a União de Estudantes Angolanos (UNEA), fundada na Suíça em 1962 e com ligações à UPA. Apesar da realização do 2.º Congresso e de um Seminário sobre Unidade (1963, Rabat), a crise da UGEAN vai-se acentuando devido a estas disputas. O período seguinte é marcado pela progressiva fragmentação da organização. O 3.º Congresso, convocado para 1965, é cancelado, sendo substituído por uma reunião do Conselho Consultivo, realizada em Nuzov (Checoslováquia), entre 22 e 25 de setembro. Para além de várias decisões políticas, nesta reunião dá-se também a expulsão de José Carlos Horta da UGEAN.
Desde então, a atividade da UGEAN entra em declínio, havendo pouca informação sobre o seu fim. No entanto, mantém-se a publicação de um boletim de informação no ano de 1966 (consultável em formato digital no AHS, com o código de referência: CAHS-MNA-150).
Nasceu em 1943, em Coimbra. Entre 1971 e 1976, lecionou em Moçambique, nas cidades da Beira (1971/72) e de Lourenço Marques/Maputo (1972 a 1976).
Após a independência do país, participou nas campanhas de alfabetização realizadas nos bairros limítrofes da cidade de Maputo (1974-1975) e colaborou, também em Maputo, na elaboração dos novos programas de História (História de África) para o curso complementar e respetivos textos de apoio (1976).
Em 1978 ingressou na Cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, lecionando entre 1978 e 1980 no Liceu Kwame N'Krumah, em Bissau, Guiné-Bissau. Foi membro do grupo de trabalho para a elaboração dos novos programas de História no Comissariado do Estado e Educação Nacional e do grupo de trabalho para a elaboração dos textos de apoio de História para o curso complementar, no mesmo Comissariado. Exerceu também o cargo de coordenadora da disciplina de História (novembro de 1978 a agosto de 1980).
Foi colaboradora num projeto de investigação histórica, que implicou deslocações ao interior da Guiné-Bissau, e colaboradora da revista Nô Pui Mon.
Em 1984 regressou à Cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e, entre 1984 e 1986, lecionou no Instituto Pedagógico de Maputo, Moçambique, a disciplina de História e Didática da História. Exerceu ainda o cargo de orientadora de estágio na formação de 26 professores para o ensino secundário e elaborou textos de apoio de História de África.
Em 1987 lecionou novamente em Bissau, Guiné-Bissau.
A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Abeba, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes, para enfrentar o colonialismo e o neocolonialismo e apropriação das suas riquezas. A OUA foi substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002.
Algumas das suas publicações com carácter periódico: Angola in Arms; Boletim do Militante; Boletim de Informação; Leopardo; Vitória ou Morte; Vitória é Certa, A Vitória é Certa.
Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara (Caála, 9 de abril de 1929 — Luanda, 27 de fevereiro de 2016), também conhecido por seu nome de guerra Tchiweka, foi um físico-matemático, político, professor, ideólogo anticolonial e um dos membros fundadores (e presidente) do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Juntou ao longo da sua vida documentação relativa à libertação das então colónias portuguesas, editando várias obras com base nesses documentos. A Associação Tchiweka de Documentação tem continuado a dinamizar o seu acervo.
Após o início da guerra colonial em 1961, os dirigentes da União das Populações de Angola (UPA) decidiram reunir todas as forças numa frente nacional de libertação. É nesse processo que nasce a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), criada a 27 de março de 1962 em Léopoldville. A sua criação resultou da fusão entre a UPA e o Partido Democrático de Angola (PDA). A UPA e o PDA formaram um Governo Revolucionário no Exílio, chefiado por Holden Roberto. Este foi reconhecido pela Organização da Unidade Africana (OUA) e por 32 países africanos em 1963.
No processo de negociação de Angola, em 1974/1975, assim como na Guerra Civil Angolana de 1975 a 2002, a FNLA combateu o MPLA ao lado da UNITA.
Constituída em Casablanca, Marrocos, com representantes de dez organizações de Angola, Cabo Verde, Guiné, Goa, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
É antecedido pelo MAC - Movimento Anti-Colonialista, fundado em dezembro de 1957, em Paris, numa reunião de vários nacionalistas das colónias portuguesas e pela FRAIN - Frente Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas, estabelecida durante a 2ª Conferência dos Povos Africanos, realizada em Tunes, em janeiro de 1960. A FRAIN foi criada por Amílcar Cabral, Hugo Azancot de Menezes, Lúcio Lara e Viriato da Cruz, reunindo inicialmente o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Amílcar Lopes Cabral (Bafatá, Guiné Portuguesa, actual Guiné-Bissau, 12 de setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973) foi um político, agrónomo e teórico marxista da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Fundador do PAIGC.
A Associação Tchiweka Documentação foi fundada em 2006 e reconhecida em 2012, por decreto presidencial, como instituição de utilidade pública.
É uma associação sem fins lucrativos que tem como principal objetivo a promoção e divulgação de atividades que contribuam para preservar a memória e aprofundar o conhecimento sobre a luta de libertação e soberania nacional dos povos africanos, da ex CONCP e mais particularmente de Angola.
Com esse propósito, a ATD organiza e gere um Centro de Documentação que tem como principal acervo a documentação conservada por Lúcio Lara durante toda a sua trajetória política e militar. Para além disso, promove e divulga atividades de carácter científico, educativo e cultural; realiza encontros ligados à luta pela libertação de África e executar e promove projetos de investigação.
Informação disponível no site da Associação Tchiweka Documentação