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Pessoas, Entidades
Vieira, Deolinda Lopes.
PT/AHS-ICS/DLV · Pessoa singular · 1888 - 1993

Deolinda Lopes Vieira (Santiago Maior, Beja, 8 de Julho de 1888 — São Mamede, Lisboa, 6 de Junho de 1993) foi professora primária, formada pela Escola Normal Primária de Lisboa, militante anarco-sindicalista, activista feminista.
Foi professora na Escola-Oficina n.º 1, instituição educativa em Lisboa de influência anarquista e libertária, e no ensino oficial, nos quais se dedicou ao ensino primário e à educação infantil.
Antes e durante a 1ª República, foi membro da Liga de Acção Educativa, e membro fundador do Concelho Nacional das Mulheres Portuguesas, bem como da maçonaria feminina em Portugal.
Viveu no Brasil entre 1913 e 1915, acompanhando o jornalista António Pinto Quartin, exilado político pela sua militância anarquista.
Casou em Lisboa, em 1936, com Pinto Quartin, com quem já tinha sido mãe de Orquídea Vieira Quartin, de Hélio Vieira Quartin (1916-2003) e da actriz Glicínia Quartin (1924-2006).
[adaptado da wikipedia, ver Fonte]

Vidal, Angelina.
Pessoa singular · 1853-1917

Angelina Casimira da Silva Vidal (São José, Lisboa, 11 de março de 1847 – Anjos, Lisboa, 1 de agosto de 1917) foi uma jornalista, tradutora, professora, e escritora. Destacou-se na luta pelos direitos dos mais pobres e pelos direitos das mulheres. Ideologicamente, começou por estar alinhada com o republicanismo, transitando depois para o socialismo.

Filha ilegítima do Maestro Joaquim Casimiro Júnior e de Rita Adelaide de Jesus, pertencia a uma família médio-burguesa. Tinha nove anos quando o pai e a mãe faleceram passando então a estar à guarda de um colégio de freiras. Com apenas dezanove anos, em 1872, casou-se com Luís de Campos Vidal, com quem teve cinco filhos. O casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças.

Foi conferencista e jornalista, em particular na imprensa operária e muitas vezes sem remuneração. Iniciou nos anos de 1880 a colaboração com A Voz do Operário, do qual viria a ser editora entre 1897 e 1901. Colaborou também com o jornal Pró-Infância. Escreveu teatro, prosa e poesia, arrecadando dois prémios internacionais de poesia: um em 1885, com A Morte do Espírito, outro em 1902, com Ícaro. Fez uma breve incursão na olisipografia, publicando em 1900 o livro Lisboa Antiga e Lisboa Moderna.

Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias: no seu texto Às operárias portuguesas (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. Naquela época, o dia de trabalho tinha 15 horas.

Dirigiu ainda as publicações: Sindicato, Justiça do Povo, e A Emancipação (Tomar).

Como o estado de divorciada não era legal na altura quando Luís de Campos Vidal faleceu (1894) nunca lhe foi atribuída a pensão de viuvez e passou por muitas dificuldades - a recusa da pensão também se deveu às suas atividades políticas. Nesse ano, Angelina terá tentado o suicídio. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Também A Voz do Operário conseguiu uma proposta de cotização que lhe assegurava um vencimento mensal pelo seu trabalho como professora de francês. Dois anos depois, já sem esse vencimento, foi novamente auxiliada pelas operárias.

Reclus, Eliseu.
Pessoa singular · 1830 - 1905

Jacques Élisée Reclus (geógrafo e militante anarquista francês) nasceu em 15 de março de 1830 em Sainte-Foy-la-Grande (Gironde) em França e faleceu em 4 de julho de 1905, em Thourout, na Bélgica. Teórico anarquista, foi pedagogo e escritor prolífico. Membro da Primeira Internacional, filiou-se na Fédération jurassienne [Federação do Jura] após a exclusão de Michel Bakunine. Com Pierre Kropotkine e Jean Grave, colaborou no jornal Le Révolté.

Em Outubro de 1894, com outros professores despedidos, criou a Nova Universidade em Bruxelas. Pioneiro da geografia social , da geopolítica , da geo-história , do ambientalismo e da ecologia , foi também vegetariano, naturista , defensor da união livre e esperantista . As suas principais obras são "A Terra" em 2 volumes, "Géographie universelle" em 19 volumes, "L'Homme et la Terre" em 6 volumes, bem como "Histoire d’un ruisseau [História de um Riacho]" e "Histoire d'une montagne [História de uma Montanha]". Pensador que viveu dos seus escritos, publicou também quase 200 artigos geográficos, 40 artigos sobre temas diversos e 80 artigos políticos em revistas anarquistas.

Quaresma, Virgínia.
PT/AHS-ICS/VGQ · Pessoa singular · 1882 - 1973

Nascida em 1882, desenvolveu ao longo da primeira metade do século XX uma profícua carreira como jornalista, desempenhando também um papel importante papel na luta pelos direitos das mulheres, pela igualdade na educação para rapazes e raparigas, pela democracia, pela causa republicana e pelo pacifismo.

Reconhecida como a primeira jornalista em Portugal, não se deixou limitar aos lugares e modos de escrita que até então eram comumente reservados a mulheres e dedicou-se às reportagens investigativas, seguindo os princípios da objetividade e do apuramento exaustivo dos fatos que começavam a ganhar terreno sobre o jornalismo mais opinativo que caracterizara o século XIX. Exerceu a profissão em importantes veículos da imprensa portuguesa da altura, como ‘O Século’, ‘A Capital’ e ‘A Época’, e, também, no Brasil, país em que viveu por dois períodos (1912-1917) e (1930-1964), procurando afastar-se da atmosfera repressiva do Estado Novo.

Para além do destaque que alcançou como profissional de imprensa, Virgínia Quaresma foi também conferencista de renome sobre as ideias feministas e sobre a necessária vinculação entre o feminismo e a democracia, defendendo a coeducação (currículos iguais para rapazes e raparigas) como instrumento fundamental para a emancipação das mulheres.

Pessoa singular · 1706-1775

3º Marquês de Valença e 9º Conde de Vimioso.

D. José Miguel nasceu a 27 de dezembro de 1806 e morreu a 23 de julho de 1775. Casou em 1728 com D. Luísa de Lorena, filha dos 3ºs Marqueses de Alegrete.

Porto, Angélica
Pessoa singular · 1881-1938

"Considerada um dos pilares do associativismo feminista português das primeiras três décadas do século XX. Integra, em 1907, a comissão de senhoras que procura implementar, em Lisboa, uma Escola Maternal destinada às crianças desprotegidas entre os 3 e os 6 anos de idade. Adere à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, milita no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1916, é iniciada na Maçonaria. Pertence às Lojas Carolina Ângelo e Humanidade, do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Mme Roland, e integra a Loja Humanidade do Direito Humano." http://silenciosememorias.blogspot.pt/2010/12/238.html [Consult.

Pestana, Alice
Pessoa singular · 1860-1929

Alice Evelina Pestana Coelho (Santarém, 7 de abril de 1860 — Madrid, 24 de dezembro de 1929) foi uma humanista, jornalista portuguesa, pedagoga da Institución Libre de Enseñanza, feminista e fundadora da Liga Portuguesa da Paz em 1899, considerada a primeira organização feminista em Portugal.

Pessoa singular · 1800-[?]

Nasceu a 10 de novembro de 1800.

Casou-se em 1819 com D. Ana Maria Ana Maria de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva.

Foi-lhe tornada extensiva a mercê dos títulos de Duque de Lafões, Marquês de Arronches e Conde de Miranda do Corvo. Foi par do Reino, do Conselho de El-Rei, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro de S. João de Jerusalém, e sócio da Academia Real das Ciências. Fez parte da comissão que em 1826, após a morte de D. João VI, foi ao Brasil cumprimentar D. Pedro IV como herdeiro da Coroa portuguesa.

Papa Paulo VI
Pessoa singular · 1897-1978

Foi o Sumo Pontífice entre 1963 e 1978. Em 1970, recebeu os representantes dos movimentos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné.

Oliveira, António de
Pessoa singular · 1867-1923

António de Oliveira, nascido a 21 de Janeiro de 1867, em Lamego, filho natural de Carolina Angélica, solteira, e de pai incógnito, foi um padre e pedagogo português. Faleceu em 9 de Setembro de 1923 na sua casa da Costa do Castelo, em Lisboa.

Foi ordenado sacerdote em 1892. Em 1899, o ministro José Maria de Alpoim (do Partido Progressista) nomeou-o capelão das Mónicas, uma Casa de Detenção e Correção, criada por uma Lei de 1871, no extinto convento de Santo Agostinho em Lisboa.

O Dr. Campos Henriques, Ministro da Justiça de um dos últimos Governos da Monarquia, criou, em 1902, a Casa de Correção do Distrito do Porto (sedeada no Convento de Santa Clara, em Vila do Conde), encarregando o Pe. António de Oliveira de proceder à sua instalação. Criou também, no ano seguinte, a Casa de Correção de Lisboa, para o sexo feminino, que foi instalada nas Mónicas.

Em 1904, Oliveira é nomeado capelão e superintendente da Casa de Caxias, onde, depois de terminadas as obras de recuperação do velho Convento, iniciou uma ação escolar e educativa

Pouco depois, o Governo Provisório encarregou António de Oliveira de várias comissões de serviço, entre elas da reforma do Instituto de Educação e Trabalho, de Odivelas, a reforma do Colégio Militar e a criação do Instituto dos Pupilos do Exército.

Além disso, teve a missão de elaborar projetos de leis de proteção à infância delinquente. Resultou desse trabalho, o Decreto de 1 de Janeiro de 1911 que criava, junto do Ministério da Justiça, uma Comissão com o objetivo de proteger menores em perigo moral, "pervertidos" ou delinquentes, com os fins de preservação e de reformação. O segundo decreto foi o Decreto de 27 de Maio de 1911, conhecido por Lei de Proteção à Infância. O artigo 1º desse decreto criava as seguintes instituições: a Tutoria da Infância (ou Tribunal de Menores) e a Federação Nacional dos Amigos e Defensores das Crianças

Em Maio de 1919, foi investido no cargo de Inspetor-geral da então criada Direcção-Geral dos Serviços de Proteção a Menores.

Moura, Maria Lacerda de.
Pessoa singular · 1887 - 1945

Maria Lacerda de Moura (Manhuaçu, 16 de maio de 1887 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1945) foi uma professora, escritora, anarquista e feminista brasileira. Filha de pais espíritas e anticlericais, cresceu na cidade de Barbacena, no interior de Minas Gerais, onde formou-se professora pela Escola Normal Municipal de Barbacena e participou dos esforços oficiais para enfrentar a questão social através de campanhas nacionais de alfabetização e reformas educacionais.

Formou-se como professora pela Escola Normal Municipal de Barbacena em 1904 e em 1908, foi diretora do Pedagogium. Participou na Campanha Barbacense de Alfabetização.

Em 1912, enviou as suas primeiras crónicas para um jornal local. Em 1918, publicou o seu primeiro livro, Em torno da educação. No mesmo período, iniciou correspondências com José Oiticica e Galeão Coutinho e conheceu as ideias pedagógicas da médica Maria Montessori e dos educadores anarquistas Paul Robin, Sebastien Faure e Francisco Ferrer y Guardia. Ligou-se a associações femininas e feministas, preocupando-se com questões como a dos menores abandonados, e os movimentos sufragistas.

Em 1919, publicou Renovação e realizou as suas primeiras conferências fora da sua cidade. Em 1920, discursou na sede da Federação Operária Mineira (FOM) em Juiz de Fora.

Lacerda mudou-se para a cidade de São Paulo em 1921. Foi convidada a unir-se à bióloga feminista Bertha Lutz para a fundação da Federação Internacional Feminina. Ao mesmo tempo, entrou em contacto com o movimento trabalhista daquele período, colaborando com a imprensa operária e escrevendo para jornais como A Plebe, A Lanterna e O Trabalhador Gráfico. Contribuiu para a imprensa operária e para jornais independentes e progressistas, como O Combate, de São Paulo, A Tribuna, de Santos, e O Corymbo, de Rio Grande. Também publicou, em 1923, a revista cultural Renascença.

Depois de ter sido presidente da Federação Internacional Feminina entre 1921 e 1923, Maria Lacerda afastou-se das feministas liberais, por achar que o direito ao voto não era suficiente.

Em 1926, conheceu o francês André Néblind, com quem colaborou e esteve sob influência até 1937, e entrou em contato com a obra do anarquista individualista francês Han Ryner.

Entre 1928 e 1937, Maria Lacerda viveu numa comunidade agrícola em Guararema, no interior de São Paulo, formada por anarquistas individualistas e desertores espanhóis, franceses e italianos da Primeira Guerra Mundial.
Em Guararema, Maria Lacerda pôs em prática a sua modalidade de educação racionalista, junto aos companheiros e seus filhos.

Diante da notícia da fundação de um Partido Católico Brasileiro, a Coligação Nacional Pró-Estado Leigo foi mobilizada. Foi através da Coligação que Maria Lacerda manteve, na década de 30, os seus maiores contatos com grupos intelectuais e políticos anticlericais.

Em 1934 e 1935, publicou dois livros antifascistas Clero e fascismo – horda de embrutecedores! e Fascismo – filho dilecto da Igreja e do capital. Ainda em 1935, rompeu com a Fraternidade Rosacruz, com a qual tinha certa proximidade, após saber que sua sede em Berlim havia sido cedida aos nazis, e também participou do Comitê Feminino Contra a Guerra.

Com a proclamação do Estado Novo, a repressão policial logo atingiu a comunidade de Guararema. Lacerda voltou a Barbacena, em 1937.

Em 1938, mudou-se para o Rio de Janeiro. Buscou refúgio no espiritualismo e viveu dando aulas no ensino comercial. O período carioca foi marcado pela leitura de horóscopos, na Rádio Mayrink Veiga, aplicando seus estudos de astrologia.

Matos, Júlio de
Pessoa singular · 1856-1922

Júlio Xavier de Matos (Porto, 26 de janeiro de 1856 – Lisboa, 12 de abril de 1922) foi um médico e notável psiquiatra português.

Marques, Carmen.
Pessoa singular · 1902 - 1930

Carmen Marques - advogada, conferencista, escritora e activista política - nasceu em 1902 e faleceu em 26 de Maio de 1930, em Lisboa.

Formou-se em Direito na Universidade de Lisboa.

Destacou-se em atividades ligadas ao republicanismo e às mulheres. Pertenceu à Comissão de Propaganda do Diretório da Liga da Mocidade da Republicana, que funcionava a partir da sede da revista Seara Nova. Além disso, colaborou com Adelaide Cabete na Associação das Mulheres Universitárias de Portugal, fundada em 1928. Participou, em 1928 e 1929, nos Congressos Feminista e Abolicionista. A partir de 1929, fez parte do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas a partir deste último ano, tendo aderido por proposta de Elina Guimarães.

Da sua atividade de conferencista, destacam-se os títulos "Trabalho manual e trabalho intelectual"; "A Igreja e o casamento civil"; "Crise de bom senso, crise do espírito jurídico", pronunciada na Associação Comercial dos Lojistas em 11 de Janeiro de 1930, e "Democracia e Feminismo", conferência pronunciada em Coimbra.

Lluria, Enrique
Pessoa singular · 1863-1925

Enrique Lluria y Despau (Matanzas (Cuba) c. 1863 - Cienfuegos (Cuba), 1925) foi um médico e publicista cubano.

Iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de Havana, concluindo o curso em Barcelona em 1889. Daí, passou a Paris, onde se especializou em urologia. Em 1890 regressou a Cuba, mas pouco tempo depois foi para Paris para trabalhar no Hospital Necker. Abriu mais tarde uma clínica urológica em Madrid.

Na política, afiliou-se ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em 1905 e participou na Agrupación Socialista Madrileña. Colaborou com a Revista Socialista, publicando sobre socialismo científico, evolução social, educação popular ou higiene pública. Também manteve contacto com outros intelectuais socialistas e anarquistas, como Carlos Malato, Francisco Ferrer ou Pablo Iglesias. Era amigo do pinto Joaquín Sorolla.

Em 1917, mudou-se para a Galiza, fundando no ano seguinte um sanatório. Dois anos mais tarde voltou a Cuba para fundar com outros intelectuais a filial cubana de Clarté, Agrupamento Internacional de Intelectuais Progressistas, organizada pelo escritor francês Henri Barbusse para denunciar as consequências da I Guerra e promover a solidariedade com a Revolução Russa.

Lima, João Evangelista de Campos.
PT/AHS-ICS/JECamposLima · Pessoa singular · 1877-1956

João Evangelista de Campos Lima, ou Campos Lima como assinava, nasceu em 1877, na cidade do Porto. Ainda criança, foi levado para Barcelos e depois para Braga, onde concluiu o curso liceal. Bem jovem, fora tocado pelas injustiças sociais e percebeu a desigualdade e aos 17 anos, já em Coimbra, entra num comício de trabalhadores no bairro dos Olivais, discursando ao lado dos precursores do movimento operário em Portugal, Ernesto da Silva e Azedo Gneco. Aos 20 anos matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, de onde foi expulso em 1907, no mesmo ano em que se formara advo-gado, o que o impediu de doutorar-se. A sua expulsão decorreu da sua parti-cipação na greve académica naquele ano, contra o ditador João Franco. Um ano antes, 1906, visitando Paris, ali travou conhecimento com anarquistas como Carlos Malato, o escritor romeno Janvion, Paul Pigassou, Jean Grave. Mas o que mais o entusiasmou foi a Comuna escolar La Ruche, de Sebastião Faure. De regresso a Portugal, tentou em colaboração com Tomás da Fonseca, Lopes de Oliveira e outros. fundar uma Escola Livre de Ensino Integral. Em 1908 principiou a advogar, mas nunca aceitou uma causa onde tivesse de acusar. Só uma vez acusou um agente de polícia que assassinara um operário. Como escritor anarquista foi dos mais produtivos e dos mais modestos, e como advogado defendeu heroicamente os trabalhadores e os anarquistas presos por delitos de opinião. Para melhor semear as suas ideias, divulgar os seus pensamentos o anarquista e advogado dos trabalhadores perseguidos fundou e dirigiu a Editora Spartacus, que publicou obras de real valor, como A História do Movimento Maknovista de Pedro Archinoff em 1925. Professor em escolas industriais e, interino, num Liceu, continuou a sua vida de propagandista, sempre interessado nos problemas sociais, e combateu alguns governos republicanos, com a mesma independência com que combatera os monárquicos, embora se entendesse com os democratas, na oposição e, sobretudo, quando via a República ameaçada. Foi amigo dos presidentes Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Bernardino Machado e Teixeira Gomes; mas nunca solicitou empregos, benesses, mercês honoríficas, recusando ser deputado, governador civil e até ministro da Justiça, depois do movimento de 19 de Outubro. Apenas consentiu em fazer parte de várias comissões de estudos, como a encarregada da reforma da lei do inquilinato e dos organizadores do Congresso Internacional do Livre Pensamento, em cujos trabalhos tomou parte. A sua actividade jornalística foi grande, colaborando em muitos jornais e revistas do país e do estrangeiro. Fundou e dirigiu a revista Cultura e foi director dos diários Boa Nova e Imprensa de Lisboa, o único jornal diário que se publicava no período da greve dos jornalistas. Trabalhou, como redactor nos jornais O Século, O Mundo, A Batalha, Pátria e Diário de Notícias e foi articulista primoroso, versando os mais diversos problemas nacionais e internacionais.

Campos Lima faleceu a 15 de Março de 1956 com 78 anos de idade na rua Actor Taborda, 27, em Lisboa, sem ver o fim da ditadura fascista de Salazar. Ao seu enterro compareceram figuras da mais alta expressão intelectual como Julião Quintinha, Artur Inez, Manuel Alpedrinha, João Pedro dos Santos [...]
Fontes: E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira.