Mostrar 19 resultados

Pessoas, Entidades
Abranches, Adelina
Pessoa singular · 1866-1945

Atriz portuguesa, Adelina Abranches nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866 e faleceu na mesma cidade a 21 de novembro de 1945.

Devido às incapacidades financeiras da família, iniciou a sua carreira no teatro ainda na infância, estreando-se como figurante aos cinco anos num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II - "Os meninos grandes", de Enrique Gaspar. Aos doze anos já tinha trabalhado no Teatro D. Maria II, no Teatro do Príncipe Real, no Variedade, no Teatro do Rato, no Teatro D. Fernando e no Teatro da Rua dos Condes. Representava com frequência papéis masculinos infantis e, mesma em adulta, continuou a fazer alguns papéis masculinos devido à sua constituição física.

Foi no Teatro Luís de Camões que assinou o seu primeiro contrato mensal e teve o primeiro papel de protagonista - em "A princesa flor de seda". Os seus primeiros êxitos foram no ano de 1882, no palco do Teatro do Rato ("Maria da Fonte" e "O tipógrafo/"O gaiato de Lisboa" - no qual representou um dos seus papéis masculinos mais memoráveis). Na temporada seguinte, foi convidada a integrar o elenco do Teatro do Príncipe Real, onde conheceu o futuro marido - o empresário Luís Ruas - e teve alguns dos seus papéis mais populares ("Pérola" (1885) e "Rosa enjeitada" (1901)).

Em 1902, mudou-se para o Teatro D. Amélia - destacando-se, por exemplo, em "Ressurreição" (1903), em "A cruz da esmola" (1903) e em "O avô" (1905). Também em 1902 dá-se o seu divórcio com Ruas, com o qual tivera dois filhos - Aura Abranches (Ruas) (1892-1962) e Alfredo Ruas (1890-1966), que seguiram ambos a carreira teatral, acompanhando muitas vezes a mãe em digressões.

Foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre e integrou a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910. Este envolvida no projeto do Teatro da Natureza. Foi também empresária teatral, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina - Aura Abranches, esta última em conjunto com a sua filha.

Regressou ao D. Amélia em 1911, renomeado Teatro República, onde representou Brísida Vaz no "Auto da barca do Inferno". Representou vários espetáculos de grand-guignol no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o que a levou ao Brasil em digressão (1913-1914). No seu regresso a Portugal, passou pelos palcos do Teatro Politeama, do Avenida e do Apolo, antes de regressar ao Teatro Nacional ("A mãe", de Russiñol, foi um dos seus maiores êxitos). Trabalhou com a companhia organizada Alves da Cunha e também com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

Apesar da sua principal carreira ser no teatro, participou em três filmes na década de 30: "Maria do Mar" e "Lisboa, Crónica Anedótica", de Leitão de Barros (1930) e "A Rosa do Adro", de Chianca Garcia (1938).

Faleceu de arteriosclerose, em Lisboa, aos 79 anos. Foi sepultada em jazigo no Alto de São João. As suas memórias foram publicadas após a sua morte pela filha, em 1947.

Castro, Augusto de
Pessoa singular · 1883-1971

Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto, 11 de janeiro de 1883 — Campolide, 24 de julho de 1971), mais conhecido por Augusto de Castro, foi um escritor, advogado, jornalista, diplomata e político português.

Foi diretor do "Diário de Notícias" de 1919 a 1924, de 1939 a 1945, e a partir de 1947 até à data da sua morte. Também colaborou na Revista Nova (1901-1902), no periódico A Imprensa (1919) e no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945).

Correia, Pedro Pezarat.
Pessoa singular · 1932 -

Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 16 de novembro de 1932. Fez o curso liceal no Colégio Militar e a licenciatura em Ciências Militares na então Escola do Exército em 1954. Oficial general reformado desde 1986.

Esteve em seis comissões durante a Guerra Colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante, desde as suas origens, na movimentação militar que desembocou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução desde a sua criação em março de 1975 até à sua extinção em outubro de 1982 e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul.

Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra instalou e lecionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no IDN, UAL e outros institutos superiores militares. Autor e coautor de muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, Guerra Colonial e descolonização. Especificamente na área militar é autor de Centuriões ou pretorianos bem como de Manual de Geopolítica e Geoestratégia.

Cortesão, Jaime.
Pessoa singular · 1884-1960

Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

Dinis, Júlio (pseud.)
Pessoa singular · 1839-1871

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, mais conhecido pelo pseudónimo Júlio Dinis, nasceu a 14 de novembro de 1839, no Porto, e morreu a 12 de setembro de 1871, na mesma cidade.

Estudou na Academia Politécnica e ingressou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1855. Nesse ano, os seus dois irmãos morreram de tuberculose, doença que nele se manifestaria no ano seguinte. Entrou para um grupo de teatro, o "Cenáculo", e escreveu as suas primeiras peças. Escreveu também as suas primeiras novelas.

Em 1860, abandonou o "Cenáculo" e estreou-se na revista A Grinalda com poesias românticas.

Em 1861, concluiu o curso de Medicina. Nos dois anos seguintes, publicou em folhetim no Jornal do Porto alguns contos, assinando ora sob o pseudónimo de Júlio Dinis, ora de Diana de Aveleda. Em 1863, passou uma temporada em casa de familiares, em Ovar, devido ao seu estado de saúde. O ambiente rural teria grande importância como inspiração para as suas obras.

Em 1865, ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, onde se formara, como demonstrador. O seu primeiro romance, As Pupilas do Senhor Reitor, é publicado em folhetins no Jornal do Porto, em 1866, e em volume um ano depois. Seguem-se-lhe, em 1868, Uma Família Inglesa e A Morgadinha dos Canaviais, no mesmo ano em que As Pupilas do Senhor Reitor, adaptadas ao teatro, são representadas no Teatro da Trindade.

Em 1869, partiu para a Madeira, de novo por motivos de saúde, regressando, um ano depois, ao Porto, onde publica os Serões da Província. No mesmo ano, concluiu o seu quarto romance, Os Fidalgos da Casa Mourisca, cujas provas tipográficas já não acabou de rever. Em 1871, morre prematuramente, vítima da tuberculose.

Garrett, Almeida
Pessoa singular · 1799-1854

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de 1799 – Lisboa, 9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

Batizado como João Leitão da Silva, o autor só mais tarde acrescentou ao seu nome o patronímico Baptista (em honra do padrinho) e os apelidos Almeida Garrett (o primeiro da avó materna; o segundo da avó paterna, de origem irlandesa).

Frequentou a Universidade de Coimbra. Ainda estudante, participou no movimento conspirativo que conduziria à revolução de 1820. Publicou nessa altura o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um poema que lhe mereceu um processo em tribunal.
Defensor do liberalismo, Garrett foi obrigado a deixar o País quando o absolutismo venceu (entre 1823-26), situação que se repetiria pouco tempo depois (1828-31), na sequência da abdicação de D. Pedro. Esteve em França e Inglaterra, em Paris publicou os poemas Camões e Dona Branca – os primeiros textos românticos portugueses.
Regressou a Portugal em 1832, integrando a expedição liberal comandada por D. Pedro, constituiu um momento heroico para o «poeta-soldado», incorporado no Batalhão Académico. Participou nas reformas legislativas do novo regime, mas pouco depois afastado do poder, sob pretexto de missões diplomáticas no estrangeiro.

Voltou à política em 1836, no contexto da «revolução de setembro», pela mão de Passos Manuel: fez parte das Cortes Constituintes e ajudou a redigir a Constituição de 1838. Além de deputado, desempenhou um papel relevante no programa de educação cultural setembrista, especificamente na renovação da dramaturgia nacional: a criação da Inspeção Geral dos Teatros, do Conservatório de Arte Dramática e do futuro Teatro Nacional. Fundou O Entreato – Jornal de Teatros.

Durante os anos 40, sob o regime autoritário de Costa Cabral, Garrett destacou-se na oposição. Afastou-se da vida pública em 1847, dedicando-se à escrita. São dessa época O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra e O Arco de Sant’Ana.
Em 1851 regressou ao Parlamento, já sob a acalmia política da Regeneração. Foi feito visconde, em 1851 e foi nomeado Par do Reino, no ano seguinte. Foi durante pouco tempo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Garrett, António de Almeida.
Pessoa singular · 1884 - 1961

Licenciatura em Medicina e Cirurgia pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto (1906). Doutoramento em Pediatria.

Lemos, Diogo Gomes de, 6º Senhor da Trofa
Pessoa singular · c. 1570 - 1651

Diogo Gomes de Lemos nasceu circa 1570 e faleceu em 1651, no Porto.

6º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação de Dom Filipe II de 1617. Sucedeu ainda como 8º morgado do Calhariz e senhor da honra e torre de Silva e das quintãs e torres de Cambra e Stª Mª de Ventosa (Vouzela).

Casou com D. Mariana de Vilhena Coutinho, com a sua capela de Jerusalém no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e respetiva Casa do Patim, matrimónio que não gerou descendência. Após a morte da primeira mulher casou em 1646 com D. Guiomar Monteiro de Almeida, de quem tinha filhos naturais, que assim legitimou, a qual faleceu em 1658 na Casa da Trofa. Diogo Gomes de Lemos deixou ainda filhos bastardos de D. Leonor Pinheiro de Atouguia. Do segundo casamento teve o filho herdeiro João Gomes de Lemos, D. Jerónima de Lemos.

Outros filhos: Frei Duarte de Lemos, filho natural, D. Madalena de Lemos, filha bastarda, D. Luiza de Távora, filha natural.

Madureira, Cândido José Aires de
Pessoa singular · 1825-1900

Cândido José Aires de Madureira (Agrobom, Alfândega da Fé, 1825 - Porto, 4 de Agosto de 1900), mais conhecido principalmente pelo título de Abade de Arcozelo. É considerado, juntamente com Castilho e João de Deus, um dos mais importantes pedagogos portugueses do século XIX.

Em 1876 - publicada A Cartilha Maternal de João de Deus, editada pelo Abade de Arcozelo. No jornal do Comércio de Lisboa e Porto, em 1879, João de Deus acusou o abade de ter plagiado a Cartilha Maternal para a sua obra Alfabeto Natural.

O seu manual de leitura, Alfabeto Natural, teve a sua primeira edição em 1876. Em O Abade de Arcozelo e o Público, lançado em 1883, o Abade reagiu à publicação de um panfleto que lançava dúvidas sobre a validade de se ensinar pelo seu método. O jornal Primeiro de Janeiro, em outubro de 1883, registrou a intervenção do Abade de Arcozelo na alfabetização de um surdo. Em Biblioteca do povo e das escolas de 1887, Arcozelo procurou provar o caráter científico do Alfabeto Natural, pedindo ao amigo Urbino de Freitas, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, que fizesse a apresentação do manual

Foi pároco na diocese do Porto, de Custóias (de 1857 a 1860) e de Arcozelo (de 1860 a 1895).

Marques, Edgard
Pessoa singular · 1899-1962

Escritor português

Matos, Júlio de
Pessoa singular · 1856-1922

Júlio Xavier de Matos (Porto, 26 de janeiro de 1856 – Lisboa, 12 de abril de 1922) foi um médico e notável psiquiatra português.

Oliveira, António de
Pessoa singular · 1867-1923

António de Oliveira, nascido a 21 de Janeiro de 1867, em Lamego, filho natural de Carolina Angélica, solteira, e de pai incógnito, foi um padre e pedagogo português. Faleceu em 9 de Setembro de 1923 na sua casa da Costa do Castelo, em Lisboa.

Foi ordenado sacerdote em 1892. Em 1899, o ministro José Maria de Alpoim (do Partido Progressista) nomeou-o capelão das Mónicas, uma Casa de Detenção e Correção, criada por uma Lei de 1871, no extinto convento de Santo Agostinho em Lisboa.

O Dr. Campos Henriques, Ministro da Justiça de um dos últimos Governos da Monarquia, criou, em 1902, a Casa de Correção do Distrito do Porto (sedeada no Convento de Santa Clara, em Vila do Conde), encarregando o Pe. António de Oliveira de proceder à sua instalação. Criou também, no ano seguinte, a Casa de Correção de Lisboa, para o sexo feminino, que foi instalada nas Mónicas.

Em 1904, Oliveira é nomeado capelão e superintendente da Casa de Caxias, onde, depois de terminadas as obras de recuperação do velho Convento, iniciou uma ação escolar e educativa

Pouco depois, o Governo Provisório encarregou António de Oliveira de várias comissões de serviço, entre elas da reforma do Instituto de Educação e Trabalho, de Odivelas, a reforma do Colégio Militar e a criação do Instituto dos Pupilos do Exército.

Além disso, teve a missão de elaborar projetos de leis de proteção à infância delinquente. Resultou desse trabalho, o Decreto de 1 de Janeiro de 1911 que criava, junto do Ministério da Justiça, uma Comissão com o objetivo de proteger menores em perigo moral, "pervertidos" ou delinquentes, com os fins de preservação e de reformação. O segundo decreto foi o Decreto de 27 de Maio de 1911, conhecido por Lei de Proteção à Infância. O artigo 1º desse decreto criava as seguintes instituições: a Tutoria da Infância (ou Tribunal de Menores) e a Federação Nacional dos Amigos e Defensores das Crianças

Em Maio de 1919, foi investido no cargo de Inspetor-geral da então criada Direcção-Geral dos Serviços de Proteção a Menores.

Oliveira, César.
PT AHS-ICS CO · Pessoa singular · 1941-1998

Cesar Oliveira, historiador e resistente ao Estado Novo, nasceu em Fiais da Beira, Oliveira do Hospital, a 26 de Março de 1941. Estudou no Colégio Braz de Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, e no liceu D. João III, em Coimbra. Em 1959 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade daquela cidade. Aderiu ao Partido Comunista Português com o qual viria a romper mais tarde. Participou na campanha eleitoral para a Assembleia Nacional em 1961 e, militante associativo, envolveu-se na vida académica e nas lutas estudantis, nomeadamente nas do ano decisivo de 1962, e acabará por ser expulso da Universidade por se ter recusado a entregar documentação relativa a uma Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra. Inscreveu-se no curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e casou-se em 1964, ano em que parte para Angola para cumprir o serviço militar, estabelecendo uma forte relação pessoal e política com Ernesto Melo Antunes. Trabalhou no Banco Português do Atlântico e na Mabor (de onde é expulso por actividade sindical) e entre 1966 e 1969 fez parte do Sindicato dos Bancários do Porto. Terminou o curso em 1969 e ensinou em liceus no norte do país. Empenhado na actividade cultural, associou-se à Cooperativa Cultural Confronto e foi um dos fundadores da Editorial Afrontamento, onde publica, ele próprio, e dinamiza publicações sobre o movimento operário. Participou na campanha de 1969 na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) e em 1972 fará parte do chamado “grupo do Flórida” que incluía elementos como Jorge Sampaio, João Cravinho ou Nuno Brederode Santos, muitos deles ligados às lutas académicas de 1962. Após o 25 de Abril será um dos fundadores do Movimento de Esquerda Socialista (MES) e dirigiu o respectivo jornal “Esquerda Socialista”. Viria a abandonar o MES e a ingressar ao Grupo de Intervenção Socialista (GIS). Em 1975 trabalhou no Ministério da Comunicação Social do IV Governo Provisório e foi adjunto do ministro Correia Jesuíno.
Fundou a Frente Operária e a União de Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS) em 1977 e associou-se à Frente Republicana e Socialista (FRS). Foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Faro entre 1980 e 1985 pela FRS. Tornou-se militante do Partido Socialista e apoiou a candidatura de Jorge Sampaio à Presidência da República, presidiu à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (1990-1994), foi eleito membro da Assembleia Municipal de Lisboa e da Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa (1994).
Destacando-se, inicialmente, sobretudo pela investigação sobre a história do movimento operário, do socialismo, do sindicalismo ou da I República, a sua carreira académica e docente notabilizou-se também pelos trabalhos seminais sobre a génese do Estado Novo e as suas relações com Espanha, ou, mais tarde, sobre a História da Administração e do Poder Local. Em 1972 começou a dar aulas no Instituto Superior de Economia e integrou a redacção da revista “Análise Social”. Em 1986 doutorou-se no Instituto Superior de Ciências Políticas de Lisboa com a tese “A consolidação do salazarismo e a guerra civil de Espanha” que dará origem ao livro “Salazar e a Guerra Civil de Espanha”.
Foi professor auxiliar do ISCTE, leccionando História Contemporânea de Portugal, na licenciatura em Sociologia, e coordenou a área de História. Em 1993 passou a professor auxiliar agregado e, em 1997, a professor catedrático convidado. Ministrou ainda as cadeiras de Política Externa Portuguesa, no curso de Mestrado de História Contemporânea, e de História Contemporânea de Portugal da licenciatura em Economia. Viria ainda a leccionar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Coordenou o curso de pós-graduação em Gestão Autárquica no Instituto Superior de Gestão e colaborou na licenciatura em Ciência Política da Universidade Internacional.
É autor de obras como “O Operariado e a República Democrática. 1910-1914”, “A Criação da União Operária Nacional”, “O Socialismo em Portugal. 1850-1900. Contribuição para o Estudo da Filosofia Política do Socialismo em Portugal na Segunda Metade do Século XIX”, “O 1º Congresso do PCP”, “A Revolução Russa na Imprensa Operária da Época”, ”Treze Cartas de Portugal para Marx e Engels”, “Portugal e a II República de Espanha”, “Salazar e o seu Tempo”, “Os Anos Decisivos. Portugal 1962-1985”, “Cem Anos de Relações Portugal/ Espanha”.
Viria a morrer prematuramente a 5 de Junho de 1998, vítima de doença prolongada aos 57 anos. Em 1999 foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e, em 2005, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Proença, Raúl.
Pessoa singular · 1884 - 1941

Raul Sangreman Proença (Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha, 10 de maio de 1884 — Porto, 20 de maio de 1941), mais conhecido por Raul Proença, foi um escritor, jornalista, bibliotecário e filósofo português, membro do grupo que fundou a revista Seara Nova.

Formado em Ciências Económicas e Financeiras pelo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.

Nos anos finais do regime monárquico, iniciou a sua carreira de jornalista, em que se distinguiu, nos jornais republicanos de Lisboa, situando-se próximo do grande tribuno António José de Almeida. Defendeu a república contra as tentativas restauracionistas (chegou a pegar em armas) e contra as correntes filo-fascistas que iam ganhando força, mas ao mesmo tempo analisou criticamente os defeitos e erros do sistema.

Integrou, para além da Renascença Portuguesa, o grupo fundador da Seara Nova (1921) e o chamado Grupo da Biblioteca (1919-1926). Trabalhou como bibliotecário, ascendendo a chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional de Lisboa, da qual era funcionário desde 1911, tendo ali colaborado diretamente com Jaime Cortesão quando este dirigiu a instituição.

Combateu o Sidonismo (1918) e a Ditadura Militar (1926) que, em 1927, o condenou ao exílio em Paris.

Regressou a Portugal em 1932, já acometido da grave doença mental que o levaria ao internamento no Hospital Conde de Ferreira, no Porto, onde faleceu vítima de febre tifoide a 20 de maio de 1941.

Régio, José.
Pessoa singular · 1901-1969

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de dezembro de 1969) foi um escritor português, um dos mais destacados do século XX. Destacou-se como ficcionista, como dramaturgo, como poeta, como crítico e ensaísta, como diarista e como memorialista. Foi também professor do ensino secundário, além de colecionador de arte popular.

Viveu a infância e adolescência em Vila do Conde. Feita grande parte da sua educação secundária no Liceu da Póvoa de Varzim e a restante no Porto, foi para Coimbra para frequentar a Faculdade de Letras. Aí se licenciou em Filologia Românica, em 1925, defendendo a tese intitulada “As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa”, fazendo a apologia dos poetas da revista Orpheu.

Na década de 20, colaborou nas revistas portuenses Crisálida e A Nossa Revista e também nas coimbrãs Bizâncio e Tríptico.

No ano seguinte à conclusão da licenciatura, publicou o seu primeiro volume de poesia Poemas de Deus e do Diabo, assinando-o com o pseudónimo literário José Régio.

Em março de 1927, fundou com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, a revista Presença que durou treze anos e foi considerada o órgão divulgador do “segundo modernismo”. Régio e os seus companheiros (principalmente João Gaspar Simões e, depois, Adolfo Casais Monteiro) irão fazer uma eloquente e crítica apologia da obra de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Botto, entre outros.

Concluído o Curso da Escola Normal, iniciou a carreira docente, com uma breve experiência como professor provisório, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, até ser nomeado, em 1930, professor efetivo no liceu de Portalegre, cargo que exerceu até se reformar, em 1962.

Desde então, viveu alternando a sua residência entre Vila do Conde e Portalegre, até que em 1966, se instalou definitivamente em Vila do Conde.

Silva, António de Castro e
Pessoa singular · 1890-?

António de Castro e Silva nasceu em 1890 em S. João da Foz do Douro, concelho do Porto.
Participou na I Guerra Mundial, tendo combatido nas Campanhas do Sul de Angola (1915) e no Corpo Expedicionário Português em França (1917) enquanto Alferes-Instrutor.
Em 1919, participou no movimento contrarrevolucionário conhecido como "Monarquia do Norte" , tendo sido afastado do efetivo do Exército.
Nos anos seguintes, dedicou-se à eletrotecnia, tendo dirigido a eletrificação de Ponta Delgada (1924) e Covilhã (1928).
Só em 1931 voltaria a exercer funções oficiais, entrando em dezembro para a Polícia Internacional Portuguesa (PIP) no Porto. Transferido para Lisboa em 1934, desempenhou diversas funções na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) enquanto inspetor-adjunto, sendo o oficial encarregue durante alguns anos, pela segurança pessoal de António de Oliveira Salazar.
Em abril de 1938 parte para Espanha para combater na Guerra Civil ao lado das tropas de Franco, tendo sido incorporado na Legião Espanhola e comandado a 63ª Companhia da Legião, que fazia parte da 16ª Bandera.
Regressaria a Portugal em Agosto do mesmo ano, reintegrando a PVDE e ficando, a título provisório, a cargo da direção da Delegação da PVDE no Porto. De volta a Lisboa, desempenhou funções no Serviço de Estrangeiro e, mais tarde, nos serviços-gerais e radiotransmissões da PVDE.
Em maio de 1948 é nomeado subdiretor da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para a Subdiretoria de Lisboa. Viria a aposentar-se em 1950.

Silva, Eduardo Ferreira dos Santos.
Pessoa singular · 1879 -1960

Eduardo Ferreira dos Santos Silva (Porto, 18 de Março de 1879 — Porto, 14 de Setembro de 1960) foi um médico, professor, pedagogo e político, presidente da Câmara Municipal do Porto, que se distinguiu na oposição ao regime ditatorial saído do golpe de 28 de Maio de 1926. Foi membro da Maçonaria.

Soromenho, Artur Ernesto de Castro.
Pessoa singular · 1868-1944

Nascimento: 10 Nov 1878, Porto, Portugal. Casamento (1): Stella Fernançolse de Leça MONTEIRO a 29 Set 1906 em Quelimane, Zambézia, Mozambique
Óbito: 16 Mai 1944, Lisboa, Portugal com 65 anos de idade.

Artur "...frequenta o Colégio Militar, nos anos 1890. Após concluir o curso, abandona a perspectiva da carreira militar e pretende estudar direito. A família opõe-se a esse projeto e ele decide ir para a África. Por volta de 1897-98, embarca para Moçambique, onde conhece o conde de Streecky, um influente empresário estrangeiro com interesses na região da Zambézia, em cujas empresas trabalha como executivo. Nessa região, na cidade de Quelimane, Artur e Stella casam-se em 1906.

Com a institucionalização do Estado Novo português, em 1933, começa o expurgo dos funcionários republicanos. Artur Soromenho é enviado de licença a Portugal. Posteriormente, é reformado num posto inferior ao de sua posição na hierarquia da administração colonial.
O Despacho Confidencial n. 7.853 da Presidência do Conselho[3], assinado por Oliveira Salazar, permite identificar os motivos do expurgo. Após elogios à carreira de A. Soromenho, consta: "Assim deve ser ouvido acerca do espírito que o anima quanto à orientação da nova ordem de cousas, e portanto: 1º. se fez compromisso de fé pró estado novo; 2º. se está filiado na União Nacional organismo de defesa nacional. Não é bastante ser-se funcionário com aquelas características; é necessário saber com absoluta segurança, se elas se podem adaptar ao novo sistema de governação para a solução final". Artur Soromenho, em carta ao Chefe do Gabinete da Presidência do Conselho, de setembro de 1936, respondeu lembrando que, segundo o que o próprio presidente do conselho havia escrito no Estatuto dos Funcionários Públicos, "os funcionários do Estado, seja qual fôr o seu credo político, não estão ao serviço dos partidos, mas da Nação"

Após a morte de Artur Ernesto de Castro Soromenho, em 1944, o elogio à sua carreira administrativa foi feito por Norton de Matos em "Um grande administrador de circunscrição de Angola" (O Primeiro de Janeiro)."

• Descendência. Foram sete os filhos de Artur Ernesto de Castro Soromenho e de Stella Fernançole de Leça Monteiro.

Vieira, Alexandre.
Pessoa singular · 1880 - 1973

Alexandre Vieira (Porto, 11 de Setembro de 1880 — Lisboa, 26 de Dezembro de 1973) foi um operário gráfico, jornalista e publicista ligado ao movimento operário e ao anarco-sindicalismo, figura marcante na agitação operária e nos acontecimentos revolucionários que caracterizaram a Primeira República Portuguesa e os anos posteriores.

Foi um destacado militante sindicalista, fortemente empenhado na acção do movimento sindical revolucionário e na luta pela melhoria da condição operária. Foi redactor de vários jornais ligados ao movimento operário, e o primeiro director do periódico operário A Batalha e teve grande actividade na Universidade Popular Portuguesa. Também colaborou na revista Renovação (1925-1926). Defendeu o regime de trabalho das oito horas, e criticou o regime de empreitada que então estava em vigor. Foi o autor de alguns livros, dedicados principalmente à sua profissão, tendo deixado a sua vasta bibliotea ao Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Sul e Ilhas Adjacentes.

Faleceu em 1973, assassinado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, devido aos seus esforços contra o regime ditatorial e a favor dos direitos dos trabalhadores.

Em 1978 foi um dos três tipógrafos mortos pela PIDE que foram homenageados pelo Sindicato dos Trabalhadores Gráficos, em conjunto com Agostinho Fineza e José Moreira. Em 1979 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o sindicalista e historiador dando o seu nome a uma rua no Bairro 2 de Maio.

Esteve em exilio entre 1928 e 1932, em França.