Publicação periódica editada pelo Secretariado dos Encontros de Estudantes Portugueses no Estrangeiro (SEEPE).
Bélgica
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Baseado em Liége, Bélgica.
"Cadernos socialistas" era uma publicação de ciências sociais sobre a situação em Portugal, que apresentava artigos por vários autores da esquerda, incluindo estrangeiros e portugueses no exílio. Era irregular, e era vendida em vários países (as primeiras duas edições contêm preços para Portugal, França, Argélia, Bélgica, Suíça, Inglaterra e Itália), e clandestinamente em Portugal. A primeira edição cresceu de um conjunto de textos para uma conferência que acabou por não acontecer, mas as edições seguintes consistiram em seleções de contribuições, algumas das quais sem autorização previa dos autores.
Advogado, colaborou na imprensa, incluindo no Rio de Janeiro
Emílio Martins Costa - anarquista, jornalista e professor português - nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, e faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa. Filho de Boaventura Costa, fabricante, e de Angélica Rosa Martins.
De Portalegre, mudou-se para Lisboa em 1896, onde frequentou o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Não viria a concluir nenhum dos cursos. Assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Fundou o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias.
Viveu alguns anos na Bélgica (1903-?) onde estudou na Universidade Nova de Bruxelas, sendo aluno do pensador anarquista Elisée Reclus. Em 1905, iniciou uma colaboração com o jornal Les Temps Nouveaux, que se prolongaria até 1914, dirigido por Jean Grave. Em 1906, iniciou também a sua colaboração com o jornal "A luta", de Brito Camacho (mantida até 1909).
Publicou-se em 1907 A Conquista do Pão, semanário em parte dirigido por Emílio Costa. Em 1908, iniciou colaboração com o Germinal, de Setúbal, e com A Sementeira. Entrou também para a administração do parisiense La Révolution, dirigido por Émile Pouget. Em Paris, entrou em contacto com um grupo de intelectuais fundadores da Liga Internacional de Educação Racional para Crianças, entre os quais Ferrer, Max Nordeau, Alfred Naquet, etc. - seria inclusive secretário de Ferrer durante alguns meses.
Em 1909, ano do seu regresso a Portugal, traduziu três brochuras - Sindicalismo e Socialismo, A Confederação Geral do Trabalho (Emile Pouget), A Ação Sindicalista (Victor Griffuelhes).
Fundou em sua casa uma Biblioteca Popular, e colaborou no jornal republicano O Intransigente, dirigido por Baltazar Teixeira. Colaborou no semanário O Sindicalista até à sua partida para a Suíça, onde foi desempenhar as funções de secretário particular de Guerra Junqueiro, que era embaixador.
De volta a Portalegre, iniciou a sua carreira como professor, dando aulas no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Fez parte do grupo libertário Ação Direta, em Lisboa. Em 1912, iniciou sua colaboração com o Lumen, e como redator do Intransigente de Machado Santos. Fundou o semanário O Semeador, libertário, anticlerical e regionalista. Em 1913, começou a trabalhar na Sociedade de Propaganda de Portugal. Iniciou a publicação de A Semana, sendo seu diretor.
A Grande Guerra causou uma clivagem no movimento anarquista - de um lado os não intervencionistas com o Grupo de Propaganda Libertária, editor de A Aurora (Porto). Em Lisboa, os que defendiam a intervenção na guerra, o Grupo Germinal, entre o qual se incluía Emílio Costa. Foi docente também no Liceu Passos Manuel (1915-1918?), em Lisboa, intermitentemente na Escola Comercial Ferreira Borges, e depois no Colégio Estoril (1918-1921). Também foi docente na Escola-Oficina n.º 1 e na Escola Académica.
Em 1925, foi contratado para o Instituto de Orientação Profissional, dirigido por Faria de Vasconcelos.
Em 1930, iniciou correspondência com Alexandre Vieira, que estava exilado em Paris.
Durante o Estado Novo, opôs-se à ditadura, participando no Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde a sua fundação - fazendo parte da junta consultiva como vogal.
político, líder anticolonial e escritor angolano.
Guillaume De Greef (9 de outubro de 1842, Bruxelas - 26 de agosto de 1924, Bruxelals) foi um sociólogo, escritor e jornalista belga. A sua grande influência a nível do pensamento era Pierre-Joseph Proudhon - De Greef adotou a sua teoria do mutualismo, e foi editor do jornal de tendência 'proudoniana' La Liberté, com o seu colega Hector Denis. De Greef publicou a sua primeira obra sociológica teórica em 1886 - "Introduction à la sociologie".
Devido às críticas positivas ao seu trabalho, foi nomeado para o cargo de catedrático em Sociologia na Universidade de Bruxelas. Enquanto esteve nesse cargo envolveu-se com a questão de Elisée Reclus que tinha sido demitido do seu cargo na universidade devido ao seu trabalho político. De Greef mobilizou um êxodo de professores e alunos que vieram a fundar um novo instituto progressista, L'université Nouvelle. Entre os principais trabalhos de De Greef estão "Strucuture géneral des societés" e "Lois sociologiques". Também tinha trabalhos de sociologia aplicada como "Ouvrière dentellière" (sobre as mulheres que faziam renda), "Rachat des charbonnages" (sobre as minas de carvão) e "Régime representatif" (sobre o governo representativo).
Ovide Jean Decroly (Renaix, Bélgica, 23 de julho de 1871 — Uccle, Bélgica, 10 de setembro de 1932) foi um pedagogo, médico e psicólogo belga. Lutou por uma reforma do ensino com base no método global, em que a leitura e a escrita são consideradas como parte do conjunto das atividades pedagógicas. Participou no movimento da Educação Nova e aderiu à Liga Internacional para a Educação Nova.
Estudou Medicina e especializou-se em neuropsiquiatria. Em 1898, na Polyclinique des Éperonniers (Bruxelas) era responsável por um serviço de atendimento a crianças com distúrbios da fala. Em 1901, a Sociedade de Pediatria propôs-lhe tornar-se chefe de uma clínica-laboratório para crianças ditas “anormais”. Ele aceitou com a condição de que essa clínica fosse aberta na sua própria casa, para ele observar as crianças no seu quotidiano. Foi assim que foi fundado o «Instituto de Ensino Especial para Crianças de Ambos os Sexos» (l'Institut d'enseignement spécial pour enfants des deux sexes)
Em 1907, fundou a Escola Décroly chamada École pour la vie, par la vie à la campagne, abrangendo a sua atividade a crianças “normais”. Em 1910, fundou a Société pour la coéducation juntamente com Élise Nyst e Marie Popelin para promover o ensino misto.
Em 1921, esteve presente no Congresso de Calais, onde foi fundada Liga Internacional para a Educação Nova (seria mais tarde nomeado presidente da secção nacional (belga) desta liga). Em 1923, foi nomeado presidente da Sociedade de Medicina Mental da Bélgica.
Jean-François Elslander nasceu em Bruxelas, dia 19 de setembro de 1865 e faleceu em Ostende (Bélgica), em 1945. Professor primário, seguidor das ideias de Francisco Ferrer. Foi um escritor naturalista e macabro a tal ponto que o seu romance Rage charnelle foi apreendido em Bruxelas e em Paris.
Georges Charles Marius Engerrand (11 de agosto de 1877, Libourne, França – 2 de setembro de 1961, Cidade do México) foi um geólogo e arquéologo Franco-Mexicano-Americano. Estudou na Universidade de Bordeaux, na área de geologia e botânica. Defendeu Dreyfus e, por causa disso e para evitar o serviço militar, emigrou para a Bélgica sob os auspícios do geógrafo e anarquista Élisée Reclus. Em 1907, emigrou para o México, continuando o seu trabalho. Devido ao clima político da Revolução Mexicana, emigrou de novo em 1917 para os Estados Unidos.
Hector Fleischmann (27 de outubro de 1882, Flandres Oriental, Bélgica - 3 de fevereiro de 1914, Paris) foi um ensaísta, romancista e historiador belga. Foi também poeta, jornalista e diretor de teatro. Maçon na loja de Victor Hugo em Paris, tornou-se o redator do jornal L'Événement e o secretário-geral do teatro de l'Œuvre. Foi o diretor da Revue des curiosités révolutionnaires a partir de novembro de 1910.
José Carlos Horta nasceu em Inhamússua, Homoíne, Moçambique, em 16 de dezembro de 1935.
Participou no Núcleo Clandestino dos Alunos do Liceu Nacional Salazar de Lourenço Marques entre os anos de 1951 e 1953. Foi preso pela PIDE, junto a outros alunos do Liceu Nacional Salazar, em março de 1953, acusados de lerem e discutirem livros e revistas proibidos pelo regime português. Ao cabo de duas semanas foram libertados.
Em Dezembro de 1953, mudou-se para Liège, Bélgica, para prosseguir seus estudos universitários, onde integrou um círculo de estudantes de esquerda. No verão de 1957, participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. No inverno e primavera de 1958, albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Viriato havia saído de Angola em 10 de Setembro de 1957, rumo a Paris, com breve passagem por Lisboa, para não ser preso pela PIDE; apareceu em Liège, à procura de Horta, com uma carta de apresentação de Marcelino dos Santos. Ambos estabelecem uma amizade que perduraria até a morte de Viriato em Pequim, em 13 de junho de 1973. De acordo com seu amigo Edmundo Rocha, “Liège serviria de porto e abrigo a vários nacionalistas angolanos”, como Marcelino dos Santos, Mário de Andrade e o próprio Viriato da Cruz.
Colaborou com o Movimento Anti-Colonialista (MAC) e, depois, com a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN) formada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de que foi conselheiro.
De 1960 a 1961, desempenhou as funções de conselheiro político do MPLA, durante o período de instalação em Conacri e em Leopoldville dos seus dirigentes (1959-1961). Em Liège assegurou várias ligações entre militantes, editou os primeiros cartões de membro, o programa, os estatutos e o regulamento interno do MPLA. Também editou o livro “Le Procès des Cinquante”, que denunciava a prisão de nacionalistas em Angola, em 1959. O livro contém uma introdução não assinada de Viriato da Cruz e um texto assinado por Mário de Andrade, a quem seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, de Luanda, enviou informação sobre as prisões, sobre os presos políticos e respetivas fotografias, ao mesmo tempo que apoiava as suas famílias, juntamente com Arminda Faria, entre outros nacionalistas.
Dentre os estudantes das colónias africanas portuguesas que se encontravam no exterior, foi Horta o primeiro a lançar a ideia de uma organização de jovens africanos. Em finais de 1959, assim escreve ao amigo Viriato da Cruz: “A melhor lição que lá [no Sétimo Festival da Juventude e dos Estudantes de Viena] recebi foi a necessidade de uma associação para estudantes. A cada passo pude avaliar essa necessidade que pareceu imperiosa... todas as associações beneficiam de bolsas...”. Entre 1959 e 1965, foi fundador e dirigente da União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN), tendo organizado os seus primeiro (1961) e segundo (1963) congressos, que ocorreram em Rabat, Marrocos. Em Janeiro de 1961, em virtude dessas atividades, tem recusada a renovação da sua autorização de residência na Bélgica como estudante. Da Bélgica, segue para a Alemanha Oriental. Em Outubro de 1961, José Carlos Horta e o angolano Luís de Almeida são acusados pela PIDE de “intensa actividade subversiva contra as províncias ultramarinas portuguesas” e de estarem “a provocar o êxodo de estudantes africanos residentes em Portugal” (êxodo conhecido como a “Fuga dos Cem”). A PIDE lançou, a seguir, um pedido de captura contra Horta. É expulso da UGEAN em 1965, após decisão do seu Conselho Consultivo em reunião ocorrida entre 22 e 25 de setembro desse mesmo ano, em Nuzov, Checoslováquia. Tem-se, por conseguinte, o seu afastamento do MPLA. Viaja para Argel (Argélia) em novembro de 1965, com um laissez-passer da República Democrática Alemã, inscrevendo-se no Bureau Algérien de Protection aux Réfugiés et Apatrides (BAPRA). Refugia-se em Argel até 1974. No verão de 1975, instala-se em Portugal (Algés). Profissionalmente, atuou como engenheiro de logística de transporte, função que lhe exigia recorrentes viagens internacionais.
*****adaptado de Angela Lazagna, 2020
Karl Marx (Trier (Prússia), 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883) foi um filósofo, economista e socialista alemão. Desenvolveu a teoria do materialismo histórico, analisando a luta de classes no capitalismo, e previu o eventual triunfo do proletariado e a instauração do comunismo. As suas ideias deram origem ao marxismo.
Doutorou-se em filosofia na Universidade de Jena em 1841. Foi fortemente inspirado pelas ideias de Hegel, nomeadamente por obras como A Ideologia Alemã e Grundrisse. Em Paris, escreveu os seus Manuscritos Económicos e Filosóficos. Nessa cidade, conheceu Friedrich Engels, tendo com ele uma relação de amizade que duraria toda a sua vida. Mudou-se para Bruxelas em 1845 tornando-se ativo na Liga Comunista.
Nesse período, escreveu O Manifesto Comunista (1848) em co-autoria com Engels. Sendo expulso da Bélgica e da Alemanha, mudou-se para Londres onde escreveu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) e iniciou a escrita da sua grande obra - Das Kapital (1867-1894). A partir do ano de 1864, Marx esteve envolvido na Primeira Internacional, onde teve um conflito com a fação anarquista liderada por Bakunin.
Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Santa Cruz, Praia da Vitória, 19 de dezembro de 1901 – Prazeres, Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual português.
Na infância, teve fraco desempenho na escolaridade, tendo sido expulso do Liceu de Angra, e reprovado no quinto ano. Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria. Concluiu o liceu em Coimbra, em 1921, e inscreveu-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica da mesma Faculdade.
Na primeira viagem que fez a Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conhece Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864–1936). Nesse mesmo ano foi iniciado na Maçonaria.
Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura italiana.
Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Entre 1937 e 1939 lecionou na Vrije Universiteit Brussel, tendo regressado depois ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.
Em 1958 lecionou no Brasil. A 12 de setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas, passando a ser Catedrático Jubilado.
Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976.
Jacques Élisée Reclus (geógrafo e militante anarquista francês) nasceu em 15 de março de 1830 em Sainte-Foy-la-Grande (Gironde) em França e faleceu em 4 de julho de 1905, em Thourout, na Bélgica. Teórico anarquista, foi pedagogo e escritor prolífico. Membro da Primeira Internacional, filiou-se na Fédération jurassienne [Federação do Jura] após a exclusão de Michel Bakunine. Com Pierre Kropotkine e Jean Grave, colaborou no jornal Le Révolté.
Em Outubro de 1894, com outros professores despedidos, criou a Nova Universidade em Bruxelas. Pioneiro da geografia social , da geopolítica , da geo-história , do ambientalismo e da ecologia , foi também vegetariano, naturista , defensor da união livre e esperantista . As suas principais obras são "A Terra" em 2 volumes, "Géographie universelle" em 19 volumes, "L'Homme et la Terre" em 6 volumes, bem como "Histoire d’un ruisseau [História de um Riacho]" e "Histoire d'une montagne [História de uma Montanha]". Pensador que viveu dos seus escritos, publicou também quase 200 artigos geográficos, 40 artigos sobre temas diversos e 80 artigos políticos em revistas anarquistas.
Publicação periódica editada pelo Secretariado dos Encontros de Estudantes Portugueses no Estrangeiro
Emile Vandervelde (Ixelles, 25 de janeiro de 1866 – Ixelles, 27 de dezembro de 1938) foi um político socialista belga, uma figura de destaque no Partido Trabalhista Belga (POB-BWP) e no socialismo internacional. A sua alcunha era "le patron" (o patrão).
Entrou na Universidade Livre de Bruxelas como estudante de Direito em 1881. Em 1885, juntou-se à Liga de Trabalhadores de Ixelles (Ligue Ouvrière de Ixelles). Em 1886, juntou-se ao recém formado Partido Trabalhista Belga. Esteve também ativo na Maçonaria belga, sendo um membro da Lodge Les Amis Philanthropes du Grand Orient de Belgique (Bruxelas).
Teve uma assento na Câmara de Representantes, primeiro por Charleroi (1894-1900) e depois por Bruxelas (1900-1938). Enquanto deputado, era um oponente de Leopoldo II e das suas políticas no Congo.
Teve posições importantes na Segunda Internacional, sendo presidente (1900-1919) do comité executivo do Bureau, em Bruxelas.
No contexto da I Guerra, foi nomeado Ministro de Estado em 1914, e apoiou a resistência contra a invasão alemã da Bélgica. Foi um delegado da Bélgica na Conferência de Paz de Paris (que deu origem ao Tratado de Versalhes) e esteve envolvido na Liga das Nações. Em 1923, ajudou a fundar a Internacional Operária e Socialista, da qual foi presidente entre 1929 e 1935.
Foi Ministro da Intendência (1917-1918), Ministro da Justiça (1918-1921) - defendendo reforma prisional, medidas contra o alcoolismo, direitos dos sindicatos e direitos das mulheres. Em 1922, juntou-se a um grupo de advogados socialistas que defenderam os membros do Partido Socialista Revolucionário (Rússia) no julgamento de 1922.
Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros (1925-1927), contribuindo para o Pacto de Locarno, e teve uma posição no Conselho de Ministros (1925-1936). Foi finalmente Ministro da Saúde (1936-1937).
Em 1933, tornou-se o primeiro presidente do Partido Trabalhista Belga.