Leiria

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            Albuquerque, João Mouzinho de
            Pessoa singular · 1797-1881

            Realizou o bacharel em Leis (Direito) na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, no ano de 1820.
            Ao longo da sua vida, publicou alguns textos, sobre a Economia, agricultura e administração portuguesa.

            Almeida, Fialho de
            Pessoa singular · 1857-1911

            José Valentim Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades, no Alentejo, dia 7 de maio de 1857, e faleceu em Cuba (Alentejo), a 4 de março de 1911.

            Foi estudar para Lisboa em 1866, no Colégio Europeu. Fez a sua estreia literária no jornal Correspondência de Leiria. Por falta de meios económicos, abandonou os estudos e começou a trabalhar como praticante de farmácia numa botica lisboeta. Publica o seu primeiro volume 'Contos' em 1881. Voltou a estudar, desta vez no Liceu Francês e na Escola Politécnica, iniciando a formação em Medicina. Entretanto, colaborou frequentemente com a imprensa, escrevendo contos, crónicas, críticas literárias e teatrais, e redigiu entradas para dicionários e outras publicações. Chegou também a dar aulas. Terminado o curso em 1885, Fialho de Almeida nunca chegou a fazer a prática de médico - optando ao invés por se dedicar exclusivamente à escrita e à prática jornalística.

            Em 1889, um editor portuense (Alcino Aranha) atraído pelo estilo original e satírico de Fialho de Almeida, propôs-lhe a publicação mensal de uma crónica. Surgiu então, nesse ano, o primeiro fascículo d'Os Gatos, que se publicaria até 1894 - marcado por um tom crítico e satírico.

            Fialho de Almeida colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nos jornais humorísticos Pontos nos ii (1885–1891) e A Comédia Portuguesa (fundado em 1888),e também nas revistas: Renascença (1878–1879?), A Mulher (1879), O Pantheon (1880–1881), Ribaltas e Gambiarras (1881), Branco e Negro (1896–1898), Brasil-Portugal (1899–1914), Serões (1901–1911) e, postumamente, na Revista de turismo iniciada em 1916. Também colaborou n' O Interesse Público, de que foi diretor literário (Lisboa, 1886), n' O Repórter (Porto, 1888), Revista de Portugal (Porto, 1889-1892), de Eça de Queirós, Ovos Moles e Mexilhões (Aveiro, 1893), Serões: revista mensal illustrada (Lisboa, 1901), Novidades (Lisboa, 1885) e Correio da Manhã (Rio de Janeiro, 1901). Usou o pseudónimo de «Valentim Demónio» em diversos artigos publicados na revista literária A Crónica, por ele fundada, e dirigida, em 1880.

            Distinguiu-se também como contista, publicando várias obras.

            Em 1893, na sequência do seu casamento com Emília Augusta Garcia Pego, alentejana e abastada proprietária rural, Fialho de Almeida foi residir para Cuba. Ela faleceu no ano seguinte, o que o levou a abandonar a vida do campo e a regressar à escrita. Viajou por Espanha, França, Suíça, Alemanha, Bélgica e Holanda. Criticou duramente o recém-implantado regime da República, antes de falecer em 4 de março de 1911, em Cuba.

            Torga, Miguel.
            Pessoa singular · 1907 - 1995

            Adolfo Correia da Rocha, conhecido pelo pseudónimo Miguel Torga (São Martinho de Anta, Sabrosa, 12 de agosto de 1907 – Santo António dos Olivais, Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais destacados poetas e escritores portugueses do século XX. Torga destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios. Publicou mais de cinquenta livros e foi Prémio Camões de 1989. Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).

            Em 1920, emigrou para o Brasil para onde os pais o enviam. Irá trabalhar durante cinco anos na fazenda de um tio paterno. Regressou a Portugal em 1925,

            Em 1928, entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.

            Em 1929, deu início à sua colaboração com a revista Presença ( revista fundada dois anos antes por Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio), com o poema Altitudes. Publica Rampa, livro de poesia que sai nas edições da Presença, antes de nesse mesmo ano romper com a revista, assinando juntamente com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca uma “Carta a José Régio e João Gaspar Simões, directores da Presença”, a participar o afastamento do grupo. Em colaboração com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de curta duração - apenas sairá um número, no mês de Julho desse ano.

            Em 1931, publicou o seu terceiro livro de poesia, Tributo. Estreia-se também na ficção narrativa com o livro de contos Pão Ázimo. Publicou também o livro de poesia Abismo (1932).

            Em 1933, concluiu a licenciatura em Medicina, regressou a S. Martinho de Anta para exercer a profissão.

            No ano seguinte, publicou a novela A Terceira Voz. É com este livro que adota o nome literário Miguel Torga. Deixa S. Martinho de Anta e muda-se para Vila Nova, freguesia do concelho de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, onde passará a exercer as funções de médico clínico geral.

            Em 1936, publica O Outro Livro de Job (poesia) e lançou juntamente com Albano Nogueira, o periódico Manifesto.

            Em 1937, publica “os Dois primeiros Dias” de A Criação do Mundo, romance autobiográfico. Em Dezembro deste ano viaja para a Europa, regressando em janeiro do ano seguinte. Atravessa a Espanha franquista, em plena guerra civil, e viaja por França, Itália, Suíça e Bélgica.

            Publica “O Terceiro Dia” de A Criação do Mundo (1938). Devido a algumas dificuldades com a Censura, sai no mês de julho o quinto e último número da revista Manifesto. Conhece Andrée Crabbé, sua futura mulher, em casa de Vitorino Nemésio, em Coimbra.

            Em 1939, estabelece-se como médico otorrinolaringologista em Leiria.

            O quarto volume de A Criação do Mundo, romance autobiográfico, valer-lhe-á a prisão por parte do regime do Estado Novo. Ao apresentar o testemunho de uma viagem a Itália e da travessia de Espanha, em plena guerra civil, Torga fazia uma clara denúncia do franquismo e do fascismo de Mussolini.

            Em 1939, os serviços secretos da PVDE, emitem uma ordem “confidencial” para que se proceda “à apreensão do livro ‘O Quarto Dia da Criação do Mundo’, da autoria de Miguel Torga, e à detenção deste”. Torga foi detido pela PSP de Leiria, sendo depois encaminhado para a prisão do Aljube. Na prisão, escreve um dos seus mais célebres poemas de resistência, “Ariane”, incluído no volume I do Diário. Foi libertado em fevereiro do ano seguinte.

            Casou nesse ano (1940) com Andrée Crabbé e publicou o seu volume de contos Bichos.

            Em 1941, publica o volume I de Diário, início de uma monumental e singularíssima obra de feição intimista (na totalidade serão publicados dezasseis volumes). Dá à estampa o volume de teatro Terra Firme. Mar. Publica também neste ano o livro de contos Montanha, que será apreendido pela PVDE. Passa a viver na cidade de Coimbra

            Segue-se uma série de publicações: o volume de contos Rua (1942), Lamentação (1943), O Senhor Ventura (novela - 1943), Libertação (poesia - 1944), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (romance - 1945), Odes (poesia - 1946), Sinfonia (poema - 1947), Nihil Sabi (1948), O Paraíso (peça de teatro - 1949), Cântico do Homem (poesia - 1950), Pedras Lavradas (contos - 1951), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (poesia - 1954), Traço de União (ensaios - 1955), Orfeu Rebelde (poesia - 1958),

            No dia 20 de Fevereiro de 1960, os serviços da PIDE procedem à apreensão do Diário VIII, nas livrarias de várias cidades do país. Um grupo de escritores e intelectuais apresenta um abaixo-assinado de protesto contra a apreensão deste livro.

            Seguem-se as obras Câmara Ardente (poesia - 1962), Poemas Ibéricos (1965).

            Após a Revolução de Abril, participou em vários comícios do Partido Socialista (1974-76)

            Em 1982, publicou “O Sexto Dia” de A Criação do Mundo, o último volume do romance autobiográfico. A publicação dos Diários continuará até 1993.

            Vieira, Afonso Lopes.
            Pessoa singular · 1878 - 1946

            Afonso Lopes Vieira nasceu a 26 de janeiro de 1878, em Leiria, e morreu a 25 de janeiro de 1946, em Lisboa.

            Estudou Direito na Universidade de Coimbra e ainda estudante, publicou as suas primeiras obras: "Para Quê?" (1897) e "Náufrago - versos lusitanos" (1899). Praticou advocacia, mas durante curto tempo, indo depois para redator da Câmara dos Deputados. A partir de 1916, dedicou-se exclusivamente à literatura.

            Escreveu uma vasta obra de poesia: Para Quê? (1897) faz a sua estreia poética, iniciando um período de significativa atividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as Cenas Infantis de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) — encerrando a sua atividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A sua derradeira publicação seria a inovadora e epigonal obra Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).

            Afonso Lopes Vieira foi um grande promotor das obras de Gil Vicente, adaptando algumas peças (Monólogo do Vaqueiro, Auto da Barca do Inferno) e proferindo diversas conferências (A Campanha Vicentina. Conferências & Outros Escritos, 1914). Responsável por trazer de volta à língua portuguesa duas obras que corriam em versão castelhana, o Amadis de Gaula (O Romance de Amadis, 1922) e a Diana de Montemor (A Diana de Jorge de Montemor em Português, 1924). O seu interesse pelo património medieval e renascentista português continuou na realização de uma edição nacional d' Os Lusíadas, com a reprodução do texto da edição princeps de 1572, e por uma edição crítica da Lírica.

            Como poeta colaborou com outros neorromânticos na 1ª. série da revista A Águia (1911). Teixeira de Pascoaes dá como exemplo da «nova poesia portuguesa» um livro seu, Canções do Vento e do Sol, publicado em 1911.

            Integrado a certa altura no grupo da "Renascença Portuguesa", colaborou em publicações como A Águia, Nação Portuguesa ou Contemporânea. Também esteve integrado no Grupo da Biblioteca.

            Ideologicamente, teve várias vezes, passando inclusive pelo anarquismo na sua juventude (traduziu uma obra de Kropotkin), aproximando-se depois do integralismo lusitano, opondo-se à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. As ideias de Afonso Lopes Vieira são descritas como "nacionalismo tradicionalista" ou "neorromantismo". " O seu nacionalismo assentava na ideia do «reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu»"

            Vitorino, António Gomes.
            Pessoa singular · 1886 - 1962

            António Gomes Vitorino - escritor e ator português - nasceu em 26 de Março de 1886, em Vieira de Leiria e faleceu em Lisboa, em 27 de Abril de 1962.

            Trabalhou desde muito novo: foi pastor, pescador, almocreve, marçano. Fixou-se mais tarde na profissão de serrador. Mudou-se para a capital aos 18 anos, continuando o trabalho como serrador, passando depois a encarregado e empregado administrativo. Passou mais tarde à área do comércio, como representante de firmas.

            Fez os estudos no curso noturno de Teatro dirigido pelo Actor e encenador Manuel Joaquim de Araújo Pereira, no Conservatório, depois no Instituto Francês e na Universidade Livre.

            Como ator, pertenceu primeiro ao Grupo Dramático Construção Civil, depois chamado Grupo Dramático Solidariedade Operária, e mais tarde, à companhia de Araújo Pereira. Fez também teatro radiofónico, na Rádio Peninsular. Em 1945 foi co-fundador, com Alves Redol e Luís Francisco Rebelo - entre outros - do Círculo de Cultura Teatral - cujas atividades são divulgadas pela revista Vida Mundial Ilustrada. Cerca de 1950, dirigiu o Novo Grupo de Amadores de Teatro. Escreveu também várias textos para serem representados em palco.

            Como escritor iniciou-se na poesia com o seu primeiro livro, Chuva de Maio (1930). Em 1938 publicou Gente da Vieira e em (xx) A vida começou assim.

            Foi sócio d'A Voz do Operário. Pertenceu ao respectivo Núcleo Orfeónico, dirigido por Francine Benoit.

            Politicamente, foi opositor do regime do Estado Novo.