Artistas na Fábrica: Tereza Arriaga, Jorge de Oliveira, Manuel Filipe 1943-1945, De 15 de junho 2024 a 15 de junho 2025 no m|i|mo – museu da imagem em movimento, Leiria (parceria com a Câmara Municipal de Leiria)
Pequeno vídeo sobre a exposição: https://www.youtube.com/watch?v=eCCcHOYIITE
No decurso da Segunda Guerra Mundial e no contexto de afirmação do neorrealismo nas artes plásticas, três jovens artistas realizaram, na região de Leiria, um conjunto de trabalhos de grande qualidade e importância, que manifestam o seu empenho em testemunhar as condições de trabalho do operariado fabril.
Manuel Filipe (1908-2002) realizou um conjunto impressionante de desenhos a carvão. Representam a dureza, o sofrimento e a falta de esperança de um operariado oprimido. Tereza Arriaga (1915-2013) e Jorge de Oliveira (1924-2012) trabalham a partir da observação direta. Tereza realizou dezenas de retratos de meninos-operários da Nacional Fábrica de Vidros – Marinha Grande, documento extraordinário da dureza das suas vidas sem infância, praticamente inédito e que será exposto pela primeira vez na sua totalidade. Jorge de Oliveira desenhou na fábrica de cimentos da Maceira-Liz. Sonhava que as dezenas de desenhos realizados pudessem servir de base à elaboração de um grande mural, à semelhança do que faziam os pintores mexicanos que admirava.
As obras plásticas apresentadas são o cerne da exposição. Esta apresenta, ainda, uma diversidade de documentação escrita, de fotografias, filmes e fontes orais, que comunicam ao visitante o contexto histórico e social das obras. Incide-se, em especial, sobre as realidades fabris representadas, bem como sobre elementos relevantes da biografia dos artistas: a aproximação de Jorge de Oliveira ao trabalho do cimento, a receção inicial dos Desenhos negros de Manuel Filipe, ou o notável percurso ativista e militante de Tereza Arriaga.
A exposição culmina com um núcleo dedicado à cidade de Leiria, o lugar do seu encontro. Aqui participaram em exposições conjuntas e testemunharam o dinamismo cultural e político da cidade e das suas instituições – também visível na Marinha Grande – que fazia jus a dinâmicas artísticas anteriores, dos anos de 1920 e 1930 e refletia o ambiente esperançoso do imediato pós-guerra.