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              A Terra (Jornal)
              Pessoa coletiva · Janeiro 1949 - ?

              A Terra era um jornal clandestino e irregular, ligado com o PCP, publicado desde 1949 (1.⁠ª série 1949, 2.⁠ª série 1963). Era anticapitalista e antifascista, tendo como público-alvo os camponeses. Após o 25 de abril, continuou a existir, já não clandestino, e abordava temas como a política e a direito agrário, incluindo críticas à reversão da reforma agrária.

              Abranches, Adelina
              Pessoa singular · 1866-1945

              Atriz portuguesa, Adelina Abranches nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866 e faleceu na mesma cidade a 21 de novembro de 1945.

              Devido às incapacidades financeiras da família, iniciou a sua carreira no teatro ainda na infância, estreando-se como figurante aos cinco anos num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II - "Os meninos grandes", de Enrique Gaspar. Aos doze anos já tinha trabalhado no Teatro D. Maria II, no Teatro do Príncipe Real, no Variedade, no Teatro do Rato, no Teatro D. Fernando e no Teatro da Rua dos Condes. Representava com frequência papéis masculinos infantis e, mesma em adulta, continuou a fazer alguns papéis masculinos devido à sua constituição física.

              Foi no Teatro Luís de Camões que assinou o seu primeiro contrato mensal e teve o primeiro papel de protagonista - em "A princesa flor de seda". Os seus primeiros êxitos foram no ano de 1882, no palco do Teatro do Rato ("Maria da Fonte" e "O tipógrafo/"O gaiato de Lisboa" - no qual representou um dos seus papéis masculinos mais memoráveis). Na temporada seguinte, foi convidada a integrar o elenco do Teatro do Príncipe Real, onde conheceu o futuro marido - o empresário Luís Ruas - e teve alguns dos seus papéis mais populares ("Pérola" (1885) e "Rosa enjeitada" (1901)).

              Em 1902, mudou-se para o Teatro D. Amélia - destacando-se, por exemplo, em "Ressurreição" (1903), em "A cruz da esmola" (1903) e em "O avô" (1905). Também em 1902 dá-se o seu divórcio com Ruas, com o qual tivera dois filhos - Aura Abranches (Ruas) (1892-1962) e Alfredo Ruas (1890-1966), que seguiram ambos a carreira teatral, acompanhando muitas vezes a mãe em digressões.

              Foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre e integrou a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910. Este envolvida no projeto do Teatro da Natureza. Foi também empresária teatral, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina - Aura Abranches, esta última em conjunto com a sua filha.

              Regressou ao D. Amélia em 1911, renomeado Teatro República, onde representou Brísida Vaz no "Auto da barca do Inferno". Representou vários espetáculos de grand-guignol no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o que a levou ao Brasil em digressão (1913-1914). No seu regresso a Portugal, passou pelos palcos do Teatro Politeama, do Avenida e do Apolo, antes de regressar ao Teatro Nacional ("A mãe", de Russiñol, foi um dos seus maiores êxitos). Trabalhou com a companhia organizada Alves da Cunha e também com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

              Apesar da sua principal carreira ser no teatro, participou em três filmes na década de 30: "Maria do Mar" e "Lisboa, Crónica Anedótica", de Leitão de Barros (1930) e "A Rosa do Adro", de Chianca Garcia (1938).

              Faleceu de arteriosclerose, em Lisboa, aos 79 anos. Foi sepultada em jazigo no Alto de São João. As suas memórias foram publicadas após a sua morte pela filha, em 1947.

              Almeida, José Carlos Ferreira de
              Pessoa singular · 1934-2009

              José Carlos Ferreira de Almeida (Janeiro de 1934- Março de 2009)

              José Carlos Lima Ferreira de Almeida foi um sociólogo empenhado nas questões metodológicas de aplicação dos inquéritos e o fundador da Sociologia da Saúde em Portugal.
              Nos inícios dos anos 60 do século passado, quando em Portugal se começava a aprofundar os estudos da Sociologia, pelo incentivo de Adérito Sedas Nunes, José Carlos Ferreira de Almeida partiu para Paris para se dedicar ao estudo dos problemas económicos, sociais e políticos que atravessavam a sociedade portuguesa. Para trás ficava o curso de Engenharia Civil do IST que frequentou até ao 5º ano e uma intensa actividade associativa.
              Diplomado em Outubro de 1963 pelo Institut d’Études Politiques da Universidade de Paris, foi aí que orientou os seus interesses para o estudo da emigração portuguesa para a região de Paris, a convite do Professor Louis Chevalier do Collège de France. Este interesse leva-o nos três anos seguintes a frequentar o ciclo do doutoramento de investigação em Sociologia, na Sorbonne, sob a direcção do Prof. Jean Stoetzel, já como investigador com responsabilidades de direcção de projectos do Grupo de Bolseiros da Fundação Calouste Gulbenkian (anexo ao Gabinete de Investigações Sociais, desde a sua criação até Setembro de 1969). Os resultados da investigação sobre a emigração, realizada neste período, encontram-se publicados nos primeiros números da revista Análise Social.
              De regresso a Lisboa, paralelamente às actividades de investigação no GIS, dedicou-se ao ensino de cadeiras de metodologia sociológica, no Instituto de Estudos Sociais, no Instituto de Serviço Social do Porto, no Instituto de Orientação Profissional, na Escola de Escola de Ensino e Administração de Enfermagem e na Escola Nacional de Saúde Pública, tendo sido o principal impulsionador da autonomização e criação nesta escola da cadeira de «Ciências Sociais e Humanas», onde leccionou desde 1969 a 2000.
              Após o 25 de Abril, desempenhou vários cargos: consultor dos Ministros dos Assuntos Sociais (1974-76); membro do Gabinete de Apoio Técnico da Comissão Interministerial para a Animação Sócio-Cultural; coordenador do Grupo de trabalho que elaborou o Guião para a Reestruturação do MAS (1975); membro da Secção de Ciências Sociais da Comissão de Equivalência de Diplomas Estrangeiros (1974-1976); co-criador e membro da Comissão de Recurso da Comissão de Classificação de Espectáculos (1974-77) e Presidente (equiparado a Director-Geral) desta última (1977-81).

              Como consultor para a análise sociológica ou como coordenador metodológico para aplicação de inquéritos, José Carlos Ferreira de Almeida integrou várias equipas de estudo e projectos de investigação, nas décadas de 1970 e 1980, que levaram a cabo estudos dos fenómenos urbanos e habitacionais, do consumo, dos transportes, etc. Foi ainda perito convidado, relator e/ou presidente de diversas reuniões da OCDE, da OMS, da Divisão de Assuntos Sociais da ONU, em Genebra, e da UNESCO (nomeadamente para a reestruturação do programa do Sector de Ciências Sociais e suas Aplicações), entre outras missões.
              Podemos ainda encontrar contributos de José Carlos Ferreira de Almeida para a Sociologia portuguesa nos vários artigos que publicou, em revistas da especialidade portuguesas e francesas, nas múltiplas conferências e seminários em que participou, e, sobretudo, nas muitas centenas de páginas dactilografadas com notas de leitura e apontamentos para as aulas que leccionou.

              Associação Feminina Portuguesa Para a Paz
              PT-AHS-ICS-AFPP · Pessoa coletiva · 1935 - 1952

              "Associação Feminina Portuguesa para a Paz foi uma associação pacifista feminina criada em 1935 e dissolvida pelo Estado Novo em 1952. Teve delegações em Lisboa, Coimbra e no Porto. Declarava-se apolítica e não religiosa, sendo, no entanto, muitas das suas sócias antifascistas. As suas actividades envolviam missões de ajuda a exiladas/os de guerra, palestras, exposições, saraus culturais e outros eventos culturais como forma de divulgarem os princípios da Paz Universal. Na última década de existência o carácter oposicionista acentuou-se em resposta ao aumento da repressão (geral e particular contra movimentos de mulheres não próximos do regime). Publicou um órgão de informação, o Boletim da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e contou com um coro infantil dirigido por Francine Benoît." Wikipedia

              Barreto, António.
              PT AHS-ICS AB · Pessoa singular · 1942 -

              Percurso académico e profissional
              Embora nascido no Porto, mudou-se em criança para Vila Real, onde viveu até finalizar os estudos liceais. Admitido na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, permaneceu nesta cidade até 1963. No mesmo período foi ator do CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra. Deixou os estudos de Direito e partiu para a Suíça, onde se estabeleceu em 1963. Neste país, viria a licenciar-se em Economia Social, pela Universidade de Genebra, no ano de 1968. Findo o curso, foi assistente da mesma universidade, até 1970, ano em que passou a dedicar-se exclusivamente à investigação, integrando o Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. Fez parte desse Instituto desde 1969 até 1974.

              Em 1985 voltaria à Universidade de Genebra para realizar o doutoramento em Sociologia. A sua tese intitula-se L’État et la société civile au Portugal: révolution et réforme agraire en Alentejo, 1974-1976, e encontra-se publicada em Portugal desde 1986.

              Regressado a Portugal no período da Revolução de 25 de Abril de 1974, tornou-se investigador no Gabinete de Estudos Rurais da Universidade Católica Portuguesa, função que desempenhou até 1982. Nesse ano, ingressou no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde se manteve até à jubilação, em 2009.

              Concomitantemente, foi professor de disciplinas de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, tendo feito parte da Comissão Instaladora desta última.
              Foi vogal do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Estatística.
              Autor de vasta bibliografia, dedicou a sua investigação aos temas da emigração, do socialismo e da reforma agrária, evolução da sociedade portuguesa, indicadores sociais, justiça, regionalização, Estado e Administração Pública, Estado Providência, comportamentos políticos e retrato da região do Entre Douro e Minho.

              Na televisão, assinou a série de documentários Portugal, um retrato social, realizada por Joana Pontes (RTP, 2006), e dedicou-se ao comentário político em Regra do Jogo, com José Miguel Júdice (SIC Notícias, 2006-2008).
              Foi cronista do jornal Público a partir de 1991. Atualmente, escreve no Diário de Notícias uma coluna semanal ao domingo.

              Percurso político
              Foi militante do Partido Comunista Português entre 1963 e 1970, aderindo, após o 25 de abril de 1974, mais precisamente em dezembro desse ano, ao Partido Socialista.
              Eleito deputado à Assembleia Constituinte, no ano seguinte, em 1975, seria membro do VI Governo Provisório (Pinheiro de Azevedo), como Secretário de Estado do Comércio Externo, e do I Governo Constitucional (Mário Soares), como Ministro do Comércio e Turismo, primeiro, e da Agricultura e Pescas, depois.
              Fruto da sua passagem governativa como Ministro da Agricultura ficaria com o seu nome associado à alteração legislativa preparada no seu gabinete — a «Lei Barreto». Essa alteração pretendia redefinir o caminho da Reforma Agrária, procurando contrariar o modelo de expropriação e concentração que vinha sendo seguido pela extrema esquerda e pelo PCP, desde o 25 de abril[2].
              Afastou-se do PS para apoiar o projeto da Aliança Democrática, liderado por Francisco Sá Carneiro, com o efémero Movimento dos Reformadores, criado com José Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares, em 1978.
              Em 1985, apoiou Mário Soares, no MASP I (Primeiro Movimento de Apoio Soares à Presidência) para as eleições presidenciais portuguesas de 1986.
              Na legislatura de 1987 a 1991, foi de novo deputado à Assembleia da República, pelo PS, estrutura da qual se afastou definitivamente na década de 1990.

              Distinções honoríficas e prémios
              Agraciado pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (8-06-2012). Agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (5-10-2017).
              Recebeu o Prémio Montaigne, atribuído pela Fundação Alfred Toepfer e pela Universidade de Tübingen, em 2004. Foi eleito membro Academia das Ciências de Lisboa em 2008.

              Família
              É o terceiro de sete filhos de Manuel da Costa Pinto Barreto (Peso da Régua, 17-12-1907 – Porto, 21-12-1981) e de sua mulher (Vila Real, Folhadela, 15-09-1938) Maria do Céu de Morais Taborda (Porto, 7-05-1912 – Porto, 5-03-1980), neta materna do 1.º Barão de Gouvinhas e sobrinha-neta materna do 1.º Visconde de Morais, que recusou o título de Conde de Morais, uma família com reminiscências fidalgas, católica e apoiante da monarquia[4]

              Vida pessoal
              Casado, em segundas núpcias, com a socióloga Maria Filomena Mónica.

              Adaptado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Barreto

              Branco, Manuel Bernardes
              Pessoa singular · 1832-1900

              Manuel Bernardes Branco nasceu em Lisboa em 1832 e faleceu em 1900. Foi professor particular de línguas e professor de liceu no Porto. Foi numismático, publicou diversas obras de história e foi assíduo colaborador da imprensa.

              Castro, Augusto de
              Pessoa singular · 1883-1971

              Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto, 11 de janeiro de 1883 — Campolide, 24 de julho de 1971), mais conhecido por Augusto de Castro, foi um escritor, advogado, jornalista, diplomata e político português.

              Foi diretor do "Diário de Notícias" de 1919 a 1924, de 1939 a 1945, e a partir de 1947 até à data da sua morte. Também colaborou na Revista Nova (1901-1902), no periódico A Imprensa (1919) e no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945).

              Pessoa coletiva

              A Comissão Organisadora da Conferência inter-sindical gráfica do norte organizou a conferência inter-sindical gráfica do norte nos dias 29 e 30 do novembro em 1924 no Porto e Lisboa, e publicou uns jornais para a preparação e acompanhamento dela

              Correia, Pedro Pezarat.
              Pessoa singular · 1932 -

              Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 16 de novembro de 1932. Fez o curso liceal no Colégio Militar e a licenciatura em Ciências Militares na então Escola do Exército em 1954. Oficial general reformado desde 1986.

              Esteve em seis comissões durante a Guerra Colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante, desde as suas origens, na movimentação militar que desembocou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução desde a sua criação em março de 1975 até à sua extinção em outubro de 1982 e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul.

              Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra instalou e lecionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no IDN, UAL e outros institutos superiores militares. Autor e coautor de muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, Guerra Colonial e descolonização. Especificamente na área militar é autor de Centuriões ou pretorianos bem como de Manual de Geopolítica e Geoestratégia.

              Cortesão, Jaime.
              Pessoa singular · 1884-1960

              Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

              Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

              Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

              Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

              Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

              Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
              Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

              De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
              Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

              Despertar (Jornal, Porto, 1902)
              Pessoa coletiva · 1902 - 1905

              Folha semanal Ed. Pedro Pinto Gorgal. Porto: Typ. Peninsular

              Dinis, Júlio (pseud.)
              Pessoa singular · 1839-1871

              Joaquim Guilherme Gomes Coelho, mais conhecido pelo pseudónimo Júlio Dinis, nasceu a 14 de novembro de 1839, no Porto, e morreu a 12 de setembro de 1871, na mesma cidade.

              Estudou na Academia Politécnica e ingressou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em 1855. Nesse ano, os seus dois irmãos morreram de tuberculose, doença que nele se manifestaria no ano seguinte. Entrou para um grupo de teatro, o "Cenáculo", e escreveu as suas primeiras peças. Escreveu também as suas primeiras novelas.

              Em 1860, abandonou o "Cenáculo" e estreou-se na revista A Grinalda com poesias românticas.

              Em 1861, concluiu o curso de Medicina. Nos dois anos seguintes, publicou em folhetim no Jornal do Porto alguns contos, assinando ora sob o pseudónimo de Júlio Dinis, ora de Diana de Aveleda. Em 1863, passou uma temporada em casa de familiares, em Ovar, devido ao seu estado de saúde. O ambiente rural teria grande importância como inspiração para as suas obras.

              Em 1865, ingressou na Escola Médico-Cirúrgica, onde se formara, como demonstrador. O seu primeiro romance, As Pupilas do Senhor Reitor, é publicado em folhetins no Jornal do Porto, em 1866, e em volume um ano depois. Seguem-se-lhe, em 1868, Uma Família Inglesa e A Morgadinha dos Canaviais, no mesmo ano em que As Pupilas do Senhor Reitor, adaptadas ao teatro, são representadas no Teatro da Trindade.

              Em 1869, partiu para a Madeira, de novo por motivos de saúde, regressando, um ano depois, ao Porto, onde publica os Serões da Província. No mesmo ano, concluiu o seu quarto romance, Os Fidalgos da Casa Mourisca, cujas provas tipográficas já não acabou de rever. Em 1871, morre prematuramente, vítima da tuberculose.

              Fonseca, Lília.
              Pessoa singular · 1906-1991

              Maria Lília Valente da Fonseca Severino (Benguela, 21 de Maio de 1906 - Lisboa, 14 de Agosto de 1991) foi uma jornalista e escritora portuguesa. Foi a primeira mulher a integrar uma lista candidata às eleições legislativas, em 1957.

              Nascida em Benguela, veio para Portugal muito nova. Estudou no Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, e na Escola Carolina Michäelis, no Porto.
              Regressada a Angola, trabalhou como jornalista em Luanda, no diário A Província de Angola. Quando se radicou em Portugal, mais tarde, foi correspondente deste diário.

              O seu primeiro romance foi publicado em 1944, Panguila, onde traça um retrato fiel da sociedade benguelense colonial da época.
              Em Novembro de 1945, assinou um manifesto de intelectuais em protesto contra «as limitações de toda a espécie» a que a actividade intelectual estava sujeita pelo regime.

              Fundou, em 1950, a revista Jornal-Magazine da Mulher, sendo sua directora até ao último número, em 1956.
              Em 1957 foi candidata, a primeira mulher numa lista, às eleições legislativas.

              Criou um grupo teatral, o Teatro de Fantoches de Branca Flor. O grupo apresentou-se em escolas, colónias de férias, bairros pobres da periferia de Lisboa e em teatros de província e representou Portugal em festivais internacionais de teatro de fantoches.

              Foi bolseira da Fundação Gulbenkian, que lhe deu oportunidade de visitar teatros de marionetas de vários países.
              Publicou numerosas obras literárias sobre a situação social da mulher, mas, principalmente, romances e literatura infantil.

              Garrett, Almeida
              Pessoa singular · 1799-1854

              João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de 1799 – Lisboa, 9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

              Batizado como João Leitão da Silva, o autor só mais tarde acrescentou ao seu nome o patronímico Baptista (em honra do padrinho) e os apelidos Almeida Garrett (o primeiro da avó materna; o segundo da avó paterna, de origem irlandesa).

              Frequentou a Universidade de Coimbra. Ainda estudante, participou no movimento conspirativo que conduziria à revolução de 1820. Publicou nessa altura o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um poema que lhe mereceu um processo em tribunal.
              Defensor do liberalismo, Garrett foi obrigado a deixar o País quando o absolutismo venceu (entre 1823-26), situação que se repetiria pouco tempo depois (1828-31), na sequência da abdicação de D. Pedro. Esteve em França e Inglaterra, em Paris publicou os poemas Camões e Dona Branca – os primeiros textos românticos portugueses.
              Regressou a Portugal em 1832, integrando a expedição liberal comandada por D. Pedro, constituiu um momento heroico para o «poeta-soldado», incorporado no Batalhão Académico. Participou nas reformas legislativas do novo regime, mas pouco depois afastado do poder, sob pretexto de missões diplomáticas no estrangeiro.

              Voltou à política em 1836, no contexto da «revolução de setembro», pela mão de Passos Manuel: fez parte das Cortes Constituintes e ajudou a redigir a Constituição de 1838. Além de deputado, desempenhou um papel relevante no programa de educação cultural setembrista, especificamente na renovação da dramaturgia nacional: a criação da Inspeção Geral dos Teatros, do Conservatório de Arte Dramática e do futuro Teatro Nacional. Fundou O Entreato – Jornal de Teatros.

              Durante os anos 40, sob o regime autoritário de Costa Cabral, Garrett destacou-se na oposição. Afastou-se da vida pública em 1847, dedicando-se à escrita. São dessa época O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra e O Arco de Sant’Ana.
              Em 1851 regressou ao Parlamento, já sob a acalmia política da Regeneração. Foi feito visconde, em 1851 e foi nomeado Par do Reino, no ano seguinte. Foi durante pouco tempo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

              Garrett, António de Almeida.
              Pessoa singular · 1884 - 1961

              Licenciatura em Medicina e Cirurgia pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto (1906). Doutoramento em Pediatria.

              Lemos, Diogo Gomes de, 6º Senhor da Trofa
              Pessoa singular · c. 1570 - 1651

              Diogo Gomes de Lemos nasceu circa 1570 e faleceu em 1651, no Porto.

              6º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação de Dom Filipe II de 1617. Sucedeu ainda como 8º morgado do Calhariz e senhor da honra e torre de Silva e das quintãs e torres de Cambra e Stª Mª de Ventosa (Vouzela).

              Casou com D. Mariana de Vilhena Coutinho, com a sua capela de Jerusalém no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e respetiva Casa do Patim, matrimónio que não gerou descendência. Após a morte da primeira mulher casou em 1646 com D. Guiomar Monteiro de Almeida, de quem tinha filhos naturais, que assim legitimou, a qual faleceu em 1658 na Casa da Trofa. Diogo Gomes de Lemos deixou ainda filhos bastardos de D. Leonor Pinheiro de Atouguia. Do segundo casamento teve o filho herdeiro João Gomes de Lemos, D. Jerónima de Lemos.

              Outros filhos: Frei Duarte de Lemos, filho natural, D. Madalena de Lemos, filha bastarda, D. Luiza de Távora, filha natural.

              Lima, João Evangelista de Campos.
              PT/AHS-ICS/JECamposLima · Pessoa singular · 1877-1956

              João Evangelista de Campos Lima, ou Campos Lima como assinava, nasceu em 1877, na cidade do Porto. Ainda criança, foi levado para Barcelos e depois para Braga, onde concluiu o curso liceal. Bem jovem, fora tocado pelas injustiças sociais e percebeu a desigualdade e aos 17 anos, já em Coimbra, entra num comício de trabalhadores no bairro dos Olivais, discursando ao lado dos precursores do movimento operário em Portugal, Ernesto da Silva e Azedo Gneco. Aos 20 anos matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, de onde foi expulso em 1907, no mesmo ano em que se formara advo-gado, o que o impediu de doutorar-se. A sua expulsão decorreu da sua parti-cipação na greve académica naquele ano, contra o ditador João Franco. Um ano antes, 1906, visitando Paris, ali travou conhecimento com anarquistas como Carlos Malato, o escritor romeno Janvion, Paul Pigassou, Jean Grave. Mas o que mais o entusiasmou foi a Comuna escolar La Ruche, de Sebastião Faure. De regresso a Portugal, tentou em colaboração com Tomás da Fonseca, Lopes de Oliveira e outros. fundar uma Escola Livre de Ensino Integral. Em 1908 principiou a advogar, mas nunca aceitou uma causa onde tivesse de acusar. Só uma vez acusou um agente de polícia que assassinara um operário. Como escritor anarquista foi dos mais produtivos e dos mais modestos, e como advogado defendeu heroicamente os trabalhadores e os anarquistas presos por delitos de opinião. Para melhor semear as suas ideias, divulgar os seus pensamentos o anarquista e advogado dos trabalhadores perseguidos fundou e dirigiu a Editora Spartacus, que publicou obras de real valor, como A História do Movimento Maknovista de Pedro Archinoff em 1925. Professor em escolas industriais e, interino, num Liceu, continuou a sua vida de propagandista, sempre interessado nos problemas sociais, e combateu alguns governos republicanos, com a mesma independência com que combatera os monárquicos, embora se entendesse com os democratas, na oposição e, sobretudo, quando via a República ameaçada. Foi amigo dos presidentes Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Bernardino Machado e Teixeira Gomes; mas nunca solicitou empregos, benesses, mercês honoríficas, recusando ser deputado, governador civil e até ministro da Justiça, depois do movimento de 19 de Outubro. Apenas consentiu em fazer parte de várias comissões de estudos, como a encarregada da reforma da lei do inquilinato e dos organizadores do Congresso Internacional do Livre Pensamento, em cujos trabalhos tomou parte. A sua actividade jornalística foi grande, colaborando em muitos jornais e revistas do país e do estrangeiro. Fundou e dirigiu a revista Cultura e foi director dos diários Boa Nova e Imprensa de Lisboa, o único jornal diário que se publicava no período da greve dos jornalistas. Trabalhou, como redactor nos jornais O Século, O Mundo, A Batalha, Pátria e Diário de Notícias e foi articulista primoroso, versando os mais diversos problemas nacionais e internacionais.

              Campos Lima faleceu a 15 de Março de 1956 com 78 anos de idade na rua Actor Taborda, 27, em Lisboa, sem ver o fim da ditadura fascista de Salazar. Ao seu enterro compareceram figuras da mais alta expressão intelectual como Julião Quintinha, Artur Inez, Manuel Alpedrinha, João Pedro dos Santos [...]
              Fontes: E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira.

              Madureira, Cândido José Aires de
              Pessoa singular · 1825-1900

              Cândido José Aires de Madureira (Agrobom, Alfândega da Fé, 1825 - Porto, 4 de Agosto de 1900), mais conhecido principalmente pelo título de Abade de Arcozelo. É considerado, juntamente com Castilho e João de Deus, um dos mais importantes pedagogos portugueses do século XIX.

              Em 1876 - publicada A Cartilha Maternal de João de Deus, editada pelo Abade de Arcozelo. No jornal do Comércio de Lisboa e Porto, em 1879, João de Deus acusou o abade de ter plagiado a Cartilha Maternal para a sua obra Alfabeto Natural.

              O seu manual de leitura, Alfabeto Natural, teve a sua primeira edição em 1876. Em O Abade de Arcozelo e o Público, lançado em 1883, o Abade reagiu à publicação de um panfleto que lançava dúvidas sobre a validade de se ensinar pelo seu método. O jornal Primeiro de Janeiro, em outubro de 1883, registrou a intervenção do Abade de Arcozelo na alfabetização de um surdo. Em Biblioteca do povo e das escolas de 1887, Arcozelo procurou provar o caráter científico do Alfabeto Natural, pedindo ao amigo Urbino de Freitas, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, que fizesse a apresentação do manual

              Foi pároco na diocese do Porto, de Custóias (de 1857 a 1860) e de Arcozelo (de 1860 a 1895).

              Marques, Edgard
              Pessoa singular · 1899-1962

              Escritor português