Manuel Bernardes (Lisboa, 20 de agosto de 1644 – Lisboa, 17 de agosto de 1710) foi um clérigo e escritor português. Formou-se na Universidade de Coimbra em Filosofia e Direito Canónico. Ordenou-se sacerdote, chegando a ser confessor do bispo de Viseu, D. João de Melo, e entrou na Congregação do Oratório de S. Filipe de Néri em 1674. Viveu trinta e seis anos de clausura nesta instituição, dedicou-se ao aperfeiçoamento moral dos alunos, à composição das suas obras, na área da teologia ascético-mística.
Antigo Regime
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3ª Duquesa de Lafões, 5ª Marquesa de Arronches e 9ª Condessa de Miranda do Corvo. 33ª senhora da Casa de Sousa.
Nasceu a 21-09-1797 e morreu no palácio do Grilo, em Lisboa, a 12-09-1851. Sucedeu ao seu pai nos bens e comendas da sua Casa e à sua mãe em vários vínculos da Casa de Marialva (sucedendo também em 1823 ao seu tio materno, o 6º e último Marquês de Marialva, D. Pedro José Joaquim Vito de Meneses Coutinho, que morreu sem descendência - resultando na passagem dos bens e obrigações da Casa Marialva para a Casa de Lafões). Casou em 1819 com o seu parente Segismundo Caetano Álvares Pereira de Melo, filho dos 5ºs Duques de Cadaval. Desse casamento, teve apenas filhas.
2.º Duque de Lafões, 4.º Marquês de Arronches, 8.º Conde de Miranda do Corvo, 32º Senhor da Casa de Sousa.
Nasceu em Lisboa a 6-03-1719 e morreu a 10-11-1806.
O 2.º Duque de Lafões foi uma figura destacada na sua época. João Carlos de Bragança pensava em seguir os estudos na Universidade de Coimbra, mas as dúvidas do reitor e lentes sobre o tratamento adequado a um personagem de sangue real, apresentada ao monarca, motivou a ordem de D. João V para que regressasse à Corte. Após o terramoto de 1755, o Duque de Lafões foi um dos voluntários que permaneceu em Lisboa para tratar dos vivos e enterrar os mortos.
Ausentou-se do Reino, em 1757, com autorização régia para "passar aos Exércitos da Alemanha [ou seja, da Áustria] para neles se exercitar na arte da guerra" (decorria então a Guerra dos Sete Anos, que opunha a Prússia, aliada da Inglaterra, à Áustria, que por sua vez estava coligada com a França e depois com a Rússia), passando por uma "curta" estadia em Inglaterra. Alguns biógrafos apontam que D. José lhe teria recusado a transmissão do título, mas esta hipótese é descartada pelo facto do seu irmão, Pedro Henrique (1º Duque) ter falecido quatro anos depois. Na verdade, João Carlos viajou com autorização do rei, e manteve relações cordiais com o monarca. Permaneceu vários meses em Inglaterra, tendo sido eleito membro da Royal Society de Londres. No ano de 1758, partiu finalmente para Viena, e participou em duas campanhas militares da Guerra dos Sete Anos.
A 26 de junho de 1761, o seu irmão e 1º Duque de Lafões, Pedro de Bragança, morreu após uma prolongada doença.
Assinada a paz em 1763, viajou pela Áustria, Itália, França, Rússia Alemanha, Suécia, Dinamarca e Turquia, só regressando a Portugal após a subida ao trono de D. Maria I. A soberana devolveu-lhe todas as honras e mercês, as comendas de sua Casa e o título de Duque de Lafões.
Um ano após a sua chegada a Portugal, João Carlos de Bragança apresentou à rainha D. Maria I o projeto para a fundação de uma instituição de cultura, à semelhança das que conhecera no estrangeiro. Escolheu para seu colaborador o abade José Correia da Serra que também regressara ao Reino. Foi assim fundada a Academia das Ciências de Lisboa, cujos estatutos foram aprovados em 24 de Dezembro de 1779, tendo a 1.ª sessão ocorrido em 16 de Janeiro de 1780.
Casou, a 29 de janeiro de 1788, com D. Henriqueta Maria Júlia de Lorena e Meneses, filha dos 5ºs Marqueses de Marialva - casamento com uma grande diferença de idades já que o Duque de Lafões tinha 70 anos e a sua esposa tinha 16. Deste casamento houve um filho varão, que foi o 1º Duque de Miranda do Corvo e faleceu em criança, e três filhas: D. Carlota Margarida (que morreu com apenas um ano de idade), D. Ana Maria, que lhe sucedeu como Duquesa de Lafões, e D. Maria Domingas, que pelo seu casamento foi Duquesa de Cadaval.
O Senhorio de juro e herdade da vila da Trofa do Vouga permaneceu durante mais de 350 anos na posse dos Lemos, desde o seu 1.º senhor, Gomes Martins de Lemos (13 de Novembro de 1449) até à morte do seu 8º neto, Bernardo de Lemos de Carvalho e Vasconcelos, 10.º senhor (2 de Novembro de 1757), falecido já nos inícios do século XIX, sem geração. Senhorio criado pelo Rei de Portugal D. Afonso V, por Carta de 13 de Novembro de 1449, em favor de Gomes Martins de Lemos.
O título de 1º Conde de Abrantes foi concedido por D. Afonso V, em 1476, a Lopo de Almeida, alcaide-mor de Abrantes, Punhete (actualmente Constância) e Torres Novas, senhor do Sardoal, Mação e Amêndoa e vedor da Fazenda (1471), mordomo-mor, contador-mor e escrivão da puridade da Rainha D. Joana. Casou com D. Brites da Silva, camareira-mor da Rainha D. Isabel, filha de Pedro Gonçalves Malafaia, rico homem, vedor da Fazenda.
O título não foi renovado nos descendentes do 3º Conde, D. Lopo de Almeida, o fundador do convento de Santo António de Abrançalha (c. 1526), depois transferido para Abrantes.
António de Almeida, 9º e último alcaide-mor de Abrantes, morreu solteiro e sem geração. Foi aos descendentes de sua irmã, D. Isabel de Mendonça, condessa de Penaguião pelo casamento com D. João Rodrigues de Sá, 1º Conde de Penaguião, que coube a representação da Casa de Abrantes.
Filipe III dispôs da Casa e do título a favor do Marquês de Porto Seguro, D. Afonso de Lancastre, da Casa dos Duques de Aveiro (1635), que teve o título de Duque de Abrantes, em Espanha, o qual não foi reconhecido em Portugal.
Após a Restauração o título foi renovado por D. João IV (1645) em D. Miguel de Almeida um dos conjurados de 1640, do seu Conselho e mordomo-mor da rainha D. Luísa de Gusmão, tendo sido o 4º Conde de Abrantes. Morreu sem geração, ficando como única herdeira da Casa D. Isabel de Mendonça, condessa de Penaguião.
D. João V, em 1718, mudou o título de Marquês de Fontes para o de Marquês de Abrantes ao 7º conde de Penaguião e 3º marquês de Fontes, D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Meneses (1676-1733), terceiro filho do 4º conde de Penaguião e 1º marquês de Fontes, nascido em 1676, sendo assim o 1º Marquês de Abrantes. Recebeu os senhorios da vila de Abrantes, do Sardoal, dos concelhos de Sever, Penaguião, Gondim, Fontes, Gondomar, Vila Nova de Aguiar de Sousa, Bouças, Gaia e honra de Sobrado. Foi capitão, alcaide-mor e governador das armas do Porto, das fortalezas de São João da Foz e de Nossa Senhora das Neves de Leça (Matosinhos), alcaide-mor de Abrantes, Punhete, Amêndoa e Mourão, comendador de Santiago do Cacém e de São Pedro de Faro, da Ordem de Santiago, e de São Pedro de Macedo da Ordem de Cristo. Assistia no Paço em 1721, 1723, 1724. Casou com D. Isabel de Lorena, filha dos primeiros Duques de Cadaval.
O 5º marquês de Abrantes e 7º conde de Vila Nova de Portimão, D. Pedro de Lancastre da Silveira Castelo Branco Sá e Meneses, e seu filho, D. José Maria da Piedade de Lancastre Silveira Castelo Branco de Almeida Sá e Meneses, 6º marquês, foram prisioneiros de guerra em França, só tendo sido libertos depois da Guerra Peninsular.
O 7º marquês, D. Pedro Maria da Piedade de Alcântara Xavier de Lancastre, conde de Penaguião e de Vila Nova de Portimão, foi apoiante dos miguelistas. Julgado quando da vitória liberal, foi absolvido pelo Conselho de Guerra.
Foi 8º Marquês, já durante o regime republicano, o 12º conde de Vila Nova de Portimão, D. João Maria da Piedade de Lancastre e Távora, nascido em 1864, casado com D. Maria Carlota de Sá Pereira de Meneses Pais do Amaral, da Casa dos Condes da Anadia.
Foi 9º Marquês (1948), representante dos títulos de Vila Nova de Portimão, da Sortelha e de Penaguião, D. José Maria da Piedade de Lancastre e Távora, nascido em 1887. Casou com D. Maria Emília do Casal Ribeiro Ulrich.
Seu filho e herdeiro, D. Luís Gonzaga de Lancastre e Távora (1937-1993), 10º marquês de Abrantes, foi casado com D. Maria João de Carvalho Gomes de Castro, filha dos 4os Condes de Castro. Publicou numerosos estudos sobre genealogia, sigilografia e heráldica.
É 11º marquês de Abrantes D. José Maria da Piedade de Lancastre e Távora, filho do anterior. É detentor dos títulos de Conde de Penaguião, Conde de Vila Nova de Portimão, Marquês de Abrantes, Marquês de Fontes.
Titulares do ducado:
- 1.º duque de Lafões: D. Pedro Henrique de Bragança e Ligne Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1718-1761), primogénito do infante D. Miguel, filho (legitimado) de D. Pedro II. O título foi-lhe concedido por D. João V, seu padrinho, no dia do baptizado. Por via materna, foi 3.º Marquês de Arronches, 7.º Conde de Miranda do Corvo e 31.º senhor da Casa de Sousa. Pertenceu ao Conselho de D. João V e foi regedor das Justiças da Casa da Suplicação. Tendo falecido sem geração o título passou a seu irmão D. João Carlos de Bragança.
- 2.º Duque de Lafões: D. João Carlos de Bragança (1719-1806). Fundador da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio da Royal Society de Londres. Participou na Guerra dos Sete Anos. Foi conselheiro de Estado e de Guerra, governador das Armas da Corte, marechal general do Exército Português, mordomo-mor do Príncipe Regente D. João, e ministro encarregado dos negócios da Guerra.
- 3.ª Duquesa de Lafões: D. Ana Maria de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1797–1851).
- 4.º Duque de Lafões: D. Caetano Segismundo de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1856–1927), neto da antecessora.
- 5.º Duque de Lafões: Afonso de Bragança (1893-1946), filho do antecessor. Casado com D. Alice de Macedo.
- 6.º Duque de Lafões: Lopo de Bragança (1921-2008), filho do antecessor. Casado com D. Maria José da Graça Salvação Barreto.
- 7.º Duque de Lafões: Afonso Caetano de Barros e Carvalhosa de Bragança (1956), sobrinho paterno do 6.º Duque de Lafões, sem descendência. Casado com D. Maria Teresa Black Ramada-Curto de Bragança.
Ao 3.º Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses, foi concedido o título de Marquês de Marialva em 1661. D. António foi um dos que aclamaram D. João IV na Restauração de 1640, combatendo na Guerra da Restauração.
O 6.º e último Marquês de Marialva e 8.º Conde de Cantanhede, D. Pedro José Joaquim Vito de Meneses Coutinho foi membro da Junta do Código Penal, director do Arquivo Militar e embaixador extraordinário em Paris e Viena de Áustria. Por sua morte (1823) a Casa de Marialva foi incorporada na dos Duques de Lafões.
Foi 1º Conde de Vila Nova de Portimão D. Martinho de Castelo Branco, 1º Senhor de Vila Nova de Portimão, por mercê de D. Afonso V. O título foi-lhe concedido por carta de D. Manuel I em 1504.
O 7º Conde de Vila Nova de Portimão, D. Pedro de Lancastre Sá e Menezes, foi também 5º Marquês de Abrantes e a partir dele a sucessão da Casa de Abrantes estaria representada nos sucessores da Casa dos Condes de Vila Nova de Portimão.
A passagem deste título decorreu de uma extinção da linha sucessória principal. A 2ª Duquesa (e 4ª Marquesa) de Abrantes, D. Maria Margarida de Lorena (1713-1765) morreu sem deixar descendência, passando o título para a descendência de D. Maria Sofia de Lancastre (a segunda filha dos 1ºs Marqueses de Abrantes), que por sua vez era casada com o 5º Conde de Vila Nova de Portimão, D. Pedro de Lancastre (1699-1752).
O 5º Conde teve uma filha sucessora, D. Isabel de Lancastre, que não herdou os títulos, casada com Manuel Rafael de Távora. O seu filho sucessor foi o 6º Conde de V. N. de Portimão, D. José Maria de Lancastre e Távora (1742-1779), mas o título de Marquês de Abrantes foi renovado no seu filho, o 7º Conde.
D. Diogo nasceu a 15 de junho de 1739 e faleceu a 13 de agosto de 1803, filho do 1º casamento do 4º Marquês de Marialva. Iniciou a sua carreira militar como cadete no regimento de Cavalaria de Alcântara, ascendendo na hierarquia, chegando ao posto máximo de tenente-general em 1796. O título de Marquês foi-lhe confirmado em 1771 por D. Maria I. Casou com D. Margarida Caetana de Lorena, filha dos 4ºs Duques de Cadaval.
D. Pedro José de Alcântara nasceu a 9 de outubro de 1713 e faleceu a 22 de fevereiro de 1799. Casou duas vezes: uma em 1736, com D. Eugénia de Assis Mascarenhas, filha dos 3ºs Condes de Óbidos, a segunda vez com D. Maria José de Eça, filha do senhor da Casa de Cavaleiros. O 5º Marquês de Marialva foi fruto do seu primeiro casamento.
Pedro José Joaquim Vito de Menezes Coutinho, 6º Marquês de Marialva, nasceu a 15 de junho de 1775 e faleceu a 22 de novembro de 1823, em Paris.
D. José Maria de Lancastre e Távora nasceu a 13 de fevereiro de 1742 e morreu a 23 de maio de 1771, filho de D. Isabel de Lancastre - por sua vez filha dos 5ºs Condes, e de Manuel Rafael de Távora. Casou em 1761 com D. Maria da Conceição de Lancastre, filha de D. José de Lancastre, gentil-homem da Câmara de D. José I. O título foi-lhe renovado em 1752.
7º Conde de Vila Nova de Portimão e 5º Marquês de Abrantes.
Nasceu a 28 de julho de 1763 e faleceu a 25 de março de 1828, filho do 6º Conde de Vila Nova de Portimão. A sucessão do título de Marquês de Abrante recaiu nele após extinção da linha principal - a 2ª Duquesa (e 4ª Marquesa) de Abrantes, morrendo sem geração, fez com que o direito de representação caísse na descendência da segunda filha dos 1ºs Marqueses de Abrantes D. Maria Sofia de Lancastre, casada com o 5º Conde de V. N. de Portimão - seu bisavô. Estes tiveram uma filha sucessora D. Isabel Lancastre que não herdou os títulos - e que foi mãe do 6º Conde de V.N. de Portimão (seu pai).
Carta de concessão do título de Marquês de Abrantes - 1789.
O título de Conde de Vila Nova de Portimão foi-lhe concedido em 1777.
Depois da retirada de D. João para o Brasil em 1807 foi nomeado para o Conselho de Regência. Obrigado por Junot a ir a Baiona cumprimentar Napoleão, ficou aí detido como refém. Regressou a Portugal em 1826. Casou com D. Maria Joana Xavier de Lima, dama da Rainha e filha dos 1ºs Marqueses de Ponte de Lima.
Diogo Gomes de Lemos nasceu circa 1570 e faleceu em 1651, no Porto.
6º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação de Dom Filipe II de 1617. Sucedeu ainda como 8º morgado do Calhariz e senhor da honra e torre de Silva e das quintãs e torres de Cambra e Stª Mª de Ventosa (Vouzela).
Casou com D. Mariana de Vilhena Coutinho, com a sua capela de Jerusalém no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e respetiva Casa do Patim, matrimónio que não gerou descendência. Após a morte da primeira mulher casou em 1646 com D. Guiomar Monteiro de Almeida, de quem tinha filhos naturais, que assim legitimou, a qual faleceu em 1658 na Casa da Trofa. Diogo Gomes de Lemos deixou ainda filhos bastardos de D. Leonor Pinheiro de Atouguia. Do segundo casamento teve o filho herdeiro João Gomes de Lemos, D. Jerónima de Lemos.
Outros filhos: Frei Duarte de Lemos, filho natural, D. Madalena de Lemos, filha bastarda, D. Luiza de Távora, filha natural.
Nasceu a 10 de novembro de 1800.
Casou-se em 1819 com D. Ana Maria Ana Maria de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva.
Foi-lhe tornada extensiva a mercê dos títulos de Duque de Lafões, Marquês de Arronches e Conde de Miranda do Corvo. Foi par do Reino, do Conselho de El-Rei, grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro de S. João de Jerusalém, e sócio da Academia Real das Ciências. Fez parte da comissão que em 1826, após a morte de D. João VI, foi ao Brasil cumprimentar D. Pedro IV como herdeiro da Coroa portuguesa.
3º Marquês de Valença e 9º Conde de Vimioso.
D. José Miguel nasceu a 27 de dezembro de 1806 e morreu a 23 de julho de 1775. Casou em 1728 com D. Luísa de Lorena, filha dos 3ºs Marqueses de Alegrete.