Licenciada em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorada em História Contemporânea pela Universidade de Évora, foi investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (até 2015). Conceição Martins aborda nas suas publicações temáticas relacionadas, sobretudo, com a História económica e financeira portuguesa. Assim sendo, as suas publicações giram em torno da História vitivinícola, evolução dos preços e salários e ainda algumas biografias de personalidades políticas, e importantes para a História do vinho em Portugal.
Comércio e Indústria
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João Martins Pereira (JMP) nasce em Lisboa, em novembro de 1932. Apesar da formação inicial em engenharia química-industrial no Instituto Superior Técnico, em 1956, estuda sociologia e economia do trabalho no Institut des Sciences Sociales du Travail, em Paris, em 1963 e 1964. Dois anos depois, em 1966, entra para a redação da Seara Nova onde ficaria até 1968. A partir de 1969, faz parte da redação de O Tempo e o Modo, até ser expulso, em 1971, por uma maioria maoista associada ao Movimento Reoganizativo do Proletariado Português (MRPP). Entretanto, ainda em 1971, publica Pensar Portugal Hoje, e, em 1974, Indústria, Tecnologia e Quotidiano. Nesse mesmo ano, logo após o golpe militar de 25 de Abril, torna-se o principal responsável pela área económica da revista Vida Mundial, dirigida por Augusto Abelaira. A convite de João Cravinho entra, em Março de 1975, para o IV Governo Provisório como secretário de Estado da Indústria e da Tecnologia do IV Governo Provisório e está, por isso, à frente do processo de nacionalizações. No entanto, demite-se do cargo em julho desse mesmo ano. Em 1976, publica O Socialismo, a Transição e o Caso Português e apoia criticamente a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, assinando uma carta aberta ao próprio publicada pela imprensa nacional e estrangeira. Ainda em 1976 ajuda a fundar a Gazeta da Semana (mais tarde, em 1980, Gazeta do Mês), da qual será diretor. Publica, em 1980, Sistemas Económicos e Consciência Social e, em 1983, No Reino dos Falsos Avestruzes: provavelmente o livro mais polémico do autor, merecendo críticas e elogios de diversos setores político-partidários. Dois anos mais tarde, vota em Maria de Lurdes Pintasílgo apesar de esta não lhe criar particular entusiasmo político. Em 1987 apoia a campanha para as eleições europeias do Partido Socialista Revolucionário (PSR) e entra para a redação do seu jornal Combate – do qual fará parte até 2003. Entretanto, em 1989, publica O Dito e o Feito: livro diarístico mas de fundo político. Apesar de não ser militante, intervem no congresso de fundação do Bloco de Esquerda, em 1999. Em 2005 publica o seu último livro em vida, Para a História da Indústria em Portugal: 1941-1965: adubos e siderurgia. Morre em novembro de 2008, vítima de cancro.
-João Moreira
Nasceu no Porto (freguesia de Massarelos) a 31 de maio de 1892, tendo vindo a casar em 1921 com Gjertrud Magdalene Krohn, de ascendência norueguesa.
Formado em económicas e financeiras no Instituto industrial e Comercial do Porto, iniciou a sua formação em Inglaterra na Fábrica de chocolates Cadbury, onde estagiou em 1909/10 graças aos laços de colaboração e amizade de seu pai com os irmãos Cadbury, nomeadamente no âmbito do trabalho de recolha de informação e das campanhas contra o trabalho forçado nas roças de São Tomé (Cf. biografia Alfredo Henrique da Silva). Foi nomeado professor provisório desse mesmo Instituto em 1920, transitando para o lugar de professor ordinário em 1925.
Para além de outras atividades empresariais, adquiriu em 1955 cotas no capital da empresa Fábrica de Chocolates Imperial em Vila do Conde, tendo assumido o cargo de Presidente da administração. Modernizou e aumentou a produção de chocolate e construiu instalações novas, também em Vila do Conde. A fábrica foi vendida em 1973 ao Grupo RAR.
Teve uma atividade cívica e religiosa prolífica, nomeadamente na Igreja Evangélica Metodista Portuguesa e na Aliança Evangélica Portuguesa. Foi Presidente do Conselho Fiscal da Beneficência Evangélica do Porto e Presidente de uma direção trianual da Associação Cristã da Mocidade do Porto (1963-1965). Apaixonado bibliófilo, morreu no Porto em 1978.