Glicínia Vieira Quartin nasceu a 19 de dezembro de 1924. Filha do intelectual anarquista António Pinto Quartin e da professora e feminista Deolinda Lopes Vieira, residiu com a família no bairro da Graça onde, entre 1931 e 1935, frequentou a Escola-Oficina nº 1. Licenciou-se em 1954 em Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sendo que trabalhou como bióloga e professora de biologia durante sete anos. Estreou-se no teatro amador em 1951, atuando na peça Roberto e Melissandra (1951), encenada pelo Grupo de Teatro Experimental da Rua da Fé, no Porto. Depois de atuar no filme Dom Roberto (1962) de Ernesto de Sousa, passou uma temporada na Itália, entre 1962 e 1965, onde estudou na Scuola di Arti Sceniche de Alessandro Farsen. No regresso para Lisboa, estreou-se no teatro profissional, atuando na peça Os Burosáurios, no Teatro Experimental do Porto. Posteriormente, começou a colaborar com diferentes companhias teatrais, entre as quais se destacam o Teatro Experimental de Cascais (1965-1968) e o Teatro da Cornucópia (1973-2004). De grande relevância é também a sua atividade como professora de teatro no seio da Escola Superior de Teatro e Cinema, já a partir da década de 70, quando a escola era regida ainda pelo Conservatório Nacional. A sua última atuação aconteceu em 2004, na peça A Família Schroffenstein, sob a direção de Luís Miguel Cintra.
Dança
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Lubélia Verganista Stichini Quartin nasceu em 1914 e faleceu no Estoril no dia 2 de Fevereiro de 2008, com 93 anos de idade.
Oriunda de uma família de artistas, foi apresentada aos seis anos publicamente no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Chamou a atenção da professora de dança Bette Henriques que a convidou a entrar num curso no Lisboa Ginásio Clube.
Foi-lhe atribuído o Certificado de Mérito de Mestre de Dança (Ballet Mistress) pela Academia das Artes da Dança de Filadélfia.
A partir de 1927, Fez parte do elenco da revista moderna O Sete e Meio, apresentada pela Grande Companhia de Revistas, no Teatro Apolo, em 1927. Foi parceira de palco de Francisco Florêncio Graça com apenas 14 anos de idade.
A sua atividade desenvolveu-se em vários campos ligados ao bailado, convivendo com os maiores nomes da música e das artes, coreografando bailados de óperas levadas à cena em Lisboa. Fixou-se finalmente no ensino de crianças, através de cursos particulares em escolas e liceus.
Lubélia chegou a Moçambique quando o seu marido, António Tomás Rocha Quartin, foi transferido para Lourenço Marques para exercer as funções de Diretor do Aeroporto de Lourenço Marques, de que foi responsável até à sua reforma. Desde essa data que Lubélia iniciou os seus Cursos de Iniciação Coreográfica, primeiro no Ateneu Grego, depois no Clube dos Lisboetas e no Salão de Festas da Associação dos Velhos Colonos. Em 1958, apresentou as suas Classes pela primeira vez em público num recital realizado no Teatro Manuel Rodrigues.
A Escola de Dança Artística Lubélia Stichini, em Lourenço Marques, foi a primeira escola de dança fundada no Ultramar Português, funcionando desde 1964 até 1974. A escola oferecia o ensino de: Expressão Corporal, Dança Rítmica, Ballet Clássico, Ballet Moderno, Danças Típicas e Iniciação Musical, a crianças desde a idade de 5 anos, adolescentes e adultos.
Lubélia colaborou também com Manuela Arraiano no Programa radiofónico quinzenal No Mundo da Dança, do Rádio Clube de Moçambique, foi correspondente da Revista O Ballet, conduzia os ensaios dos alunos finalistas do Liceu Salazar para o Baile do Finalista que se realizava anualmente e oferecia a apresentação das alunas para Recitais de beneficência a favor da Cruz Vermelha Portuguesa. Participou ainda nos ensaios e fez parte do júri na eleição da Miss Moçambique.
Frequentou também o curso para Aperfeiçoamento de Professores sob a orientação do Mestre de Dança Norman Dixon, do Centro Português de Bailados, subsidiado pela fundação Gulbenkian.
Lubélia e o marido tiveram de abandonar Moçambique na sequência da independência moçambicana e da ordem 24/20, regressando a Portugal definitivamente.