Guimarães, Paulo. (2010). "A Questão Operária na I República" in A Ideia: Revista de Cultura Libertária, 68.
HS do operariado
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Fontes, Carlos, 2022, Anarquismo em Portugal (1796 -2022)
Em 2021 comemorou-se os 225 anos da divulgação das primeiras ideias anarquistas em Portugal. Foi a data que pretendemos assinalar com este livro. A sua estrutura base foi elaborada em 1975 quando era redactor do jornal A Batalha. Na altura um dos nossos problemas era a ausência de uma história do anarquismo em Portugal que nos permitisse perspectivar as lutas em que estávamos envolvidos. Os anos foram passando e o material reunido ao longo de anos começou a dispersar-se. No Colóquio comemorativo dos 100 anos do jornal A Batalha, em 2019, antigos camaradas recordaram-me o projecto que em tempos havia abraçado. Em casa, revolvendo velhos papéis descobri entre eles o plano do livro a publicar e centenas de fichas que ainda conservava. Desde então muito se avançou na redescoberta das ideias e práticas anarquistas em Portugal, o que me tem obrigado a novas leituras, não contando já com os testemunhos de muitos antigos camaradas. Os tempos são outros, mas as lutas no essencial são as mesmas, por isso o plano continua o mesmo com as mudanças impostas pelo tempo.
Artesãos e Operários: Indústria, Capitalismo e Classe Operária em Portugal (1870-1934)
Maria Filomena Mónica
Editado pelo ICS-ULisboa
Livro de importância decisiva na evolução dos estudos histórico-sociológicos sobre a classe operária em Portugal, aqui considerada no período de 1870 a 1934. Recusando abordar a classe operária como uma totalidade homogénea, a autora procura antes apreender e delinear a sua diversidade essencial e as complexas circunstâncias que explicam essa diversidade. Merecedora de relevo é a tentativa feita para avaliar as condições de vida do operariado, não só materiais, mas também culturais, problema amplamente debatido noutros países, mas muito pouco estudado entre nós. E aqui, de novo, tem de referir-se o esforço constante para fugir a fáceis generalizações, apontando as enormes distâncias e diferenças que separavam, uns dos outros, diversos sectores da classe operária.
Cordeiro, José Lopes. (2013). "As lutas dos operários têxteis da Bacia do Ave (1956-1974) e algumas questões da história do movimento operário" in Atas Atas do I Congresso de História do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal, 13-15 de março de 2013, FCSH-UNL, Vol. I, pp. 338-364.
Numa democracia recente, foram 9 números, 2 por ano, com apanhados de literatura sobre uma área de estudos emergente à época em Portugal, o operariado, e de noticias sobre arquivos nacionais e internacionais focados nessa dimensão. Tem pontualmente informações sobre coleções e doadores do então Arquivo das Classes Trabalhadoras, atual Arquivo de História Social. Tiragem: 250 exemplares. A partir do número 7 de 1985 Maria Filomena Mónica passa a directora da revista
Pistola, Renato (2024). "Cooperativismo, Cultura e Luta: A Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal" in Cadernos Nova Síntese. As Colectividades de Cultura e Recreio na Resistência ao Fascismo Português. Caderno Comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril.
Figueiredo, Patrick, Do 18 de Janeiro ao Tarrafal: Um olhar sobre o sindicalismo a partir da vida de Manuel António Boto (1907-1984), in João Freire, Luísa Veloso, João Loureiro e Renato Pistola (orgs.), Colóquio Sindicalismo, Trabalho e Cidadania: 90 anos depois do 18 de Janeiro de 1934, Novembro 2024, ISCTE.
Cadernos de documentação GIS nº 2, Industrialização oitocentista e concorrência externa (a indústria chapeleira de 1814 a 1914) / Maria de Fátima Bonifácio, 1980, https://catalogo-bibliotecas.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=669598
Estudos e Documentos ICS:
nº5, Actas operárias : as associações de classe e os sindicatos vidreiros da Marinha Grande (1919-1945); introdução e notas de Maria Filomena Mónica, 1983, https://catalogo-ics.biblioteca.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=1019599
nº 7, Poemas operários : 1850-1926 / prefácio e organização de Maria Filomena Mónica, 1983, https://catalogo-ics.biblioteca.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=1282556
nº14, Manuel Luís Figueiredo : um socialista ignorado / prefácio, introdução e organização de Maria Filomena Mónica, Maria Goretti Matias, 1986, https://catalogo-ics.biblioteca.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=1429149
nº15, Os corticeiros de Portalegre : actas sindicais (1910-1920) / introdução e organização de António Ventura, 1987, https://catalogo-ics.biblioteca.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=1320766
nº19: Indústria, Mineiros e Sindicatos, por Paulo Guimarães, 1989. Ficha da Biblioteca ICS: https://catalogo-ics.biblioteca.ulisboa.pt/cgi-bin/koha/opac-detail.pl?biblionumber=731105
MARQUES, João Carlos - Guerra à Guerra: os movimentos anarquistas na Grande Guerra. TEL - Revista Tempo, Ensino e Linguagem v.6 n.2 Jul./Dez. 2015. https://doi.org/10.5935/2177-6644.20150013
Monografia de Simone Tulumello, pela Tigre de Papel, 2023.
Este livro volta ao campo da habitação em Portugal para ir além da “crise” que o atravessa: problematiza a própria ideia de “crise” ao mesmo tempo que traça caminhos possíveis para a ultrapassar. Este livro debate, através das políticas públicas, a centralidade do Estado na determinação do acesso à habitação; e o conflito que tem historicamente determinado o equilíbrio de forças entre o direito à habitação e a utilização da habitação enquanto instrumento de lucro e especulação. Este livro volta à história da habitação – das suas políticas, conflitos e direitos – nos 48 anos de democracia para perceber como chegámos aqui. E abre no espaço, com exemplos de outros países, e no tempo, com uma reflexão sobre o Período Revolucionário em Curso, para pensar como podemos sair da “crise” da habitação.
SILVA, F. T. da. Imigração portuguesa e movimento operário no Brasil: fontes e arquivos de Lisboa. Acervo, [S. l.], v. 10, n. 2, p. 97–108, 2011. Disponível em: https://revista.arquivonacional.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/256.
Este artigo é o resultado parcial de um estudo realizado durante sete meses em arquivos portugueses para o desenvolvimento do projeto ‘A colônia portuguesa em Santos: imigração, trabalho, cultura e movimentos sociais (1880-1930)’.1 Seu objetivo éapontar algumas possibilidades de pes-quisa sobre a relação entre movimento operário e imigração portuguesa, nas três primeiras décadas do século XX, a partir da apresentação do conteúdo das fontes e dos respectivos arquivos localizados emLisboa. Embora as investigações tenham sido orientadas sobretudo para o caso específico de Santos (litoral paulista), serão feitas indicações que podem fornecer indícios para pesquisas sobre outras cidades brasileiras
Rei, M. (2019). Memórias do trabalho e das migrações na indústria têxtil (anos 1960-70). O caso da Companhia de Fiação e Tecidos de Guimarães. Boletim de Estudos Históricos, 141, 59–77.
A emigração é um fenómeno historicamente incontornável na sociedade portuguesa, em particular no norte do país, rural e densamente povoado. Neste contexto situa-se o concelho de Guimarães, no coração do Vale do Ave, região onde, desde meados do século XIX, se implantou a indústria têxtil. Em S. João de Ponte, a antiga Companhia de Fiação e Tecidos de Guimarães marcou longamente as trajetórias profissionais e migratórias das famílias que aqui habitam, em particular no lugar de Campelos, onde se implantou a fábrica. O trabalho têxtil sucedeu-se, aqui, ao longo de várias gerações, inserindo-se numa complexa teia de redes e relações sociais locais, que se reflete também nos destinos migratórios.
Considera-se aqui a análise dos percursos de vida destes operários-migrantes do têxtil atendendo ao tempo longo, ou seja, à presença do têxtil e das migrações ao longo das suas histórias de vida e de família. Atenta-se também, mais detalhadamente, ao fluxo migratório dos anos 1960, olhando simultaneamente a montante e a jusante, considerando tanto o contexto de partida, em particular as ambiguidades relacionadas com o desenvolvimento de um meio industrial num território longamente marcado pela ruralidade; como o destino migratório, ligado a uma especialização no setor têxtil que assume algumas particularidades em relação ao contexto parisiense.
Sá, Victor. 1983, "Noticia sobre a imprensa operária portuguesa", Revista de História do CEntro de História da Universidade do Porto, nº 5, pp 143–158, http://hdl.handle.net/10216/13527
Carvalho, J. L. C. D. de (2021). O Movimento Operário na Monarquia Constitucional: do debate público à mobilização política (1865-1877) [Tese de doutoramento, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório do Iscte. http://hdl.handle.net/10071/23353
Esta dissertação analisa o movimento operário português entre o 1º Congresso Social (1865) e o 1º Congresso dos Operários Socialistas de Portugal (1877). Para o período coberto é possível constatar a importância do movimento operário na sociedade e as ruturas e continuidades entre congressos pioneiros da responsabilidade do movimento operário, mas, totalmente distintos na sua génese e objetivos. A expansão e transformação do movimento operário, com a implosão do "Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas", o aparecimento de um novo modelo de associativismo, da "Associação Internacional dos Trabalhadores" e, mais tarde, o "Partido Socialista", resulta num processo histórico que é constantemente acompanhado por um crescente debate público. Não é menosprezada a dinâmica entre o socialismo e um outro movimento político ascendente que se pretende fora do sistema, o "Partido Republicano". Pretendemos integrar o movimento operário português num horizonte mais amplo da vida política e social do país, expor um quadro de relações entre o universo político do liberalismo, o das práticas operárias e o das elites culturais despertas para a "questão social". Assim, a investigação coloca o pressuposto de que o movimento operário existe numa constante, heterógena e multifacetada dinâmica na esfera pública que com ele se articula e o alimenta, estabelecendo sempre entre esses dois polos poderosas ligações.
Em 1875, nascia em Portugal o Partido Socialista.
Durante a década de 1880, muitos trabalhadores, em Lisboa e no Porto, começaram a falar de socialismo. Com altos e baixos, o movimento foi-se desenvolvendo até ao fim do século. Depois, estagnou. O Estado Novo acabaria por o ilegalizar durante quarenta anos. Nesta obra, patrocinada pelo IED, procura-se dar resposta às seguintes questões:
Quem formava a élite e as bases do movimento socialista, quais as suas aspirações e interesses?
Que relações existiram entre socialistas, republicanos e anarquistas?
Em que áreas se desenvolveu?
Qual a evolução da sua implantação partidária e eleitoral?
Qual a relação entre o partido e os sindicatos?
De que forma foi o movimento socialista afetado pelo republicanismo e pelo anarco-sindicalismo?
Qual a razão das dificuldades crescentes com que se deparou?
Eis alguns dos temas aqui tratados
Maria Filomena Mónica, prefácio de Francisco Salgado Zenha
Imprensa Nacional Casa da Moeda/Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Duas ilustrações, de um panfleto e a capa de uma brochura são parte do Espólio de Pinto Quartin.
Rodrigues, João Daniel Dias (2018). O Protesto Operário e o socialismo em Portugal, 1882-1894 [Dissertação de mestrado em História Contemporânea - Faculdade de Letras da Universidade do Porto]. Repositório: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/116901
O estudo do movimento socialista e operário português entre 1882 e 1894, através da análise do órgão nacional de informação do Partido Operário Socialista, O Protesto Operário, é o nosso propósito com este trabalho.
Depois de mais de uma década de relativa apatia, o movimento socialista e operário foi capaz de se reerguer em torno da questão do monopólio dos tabacos, da “lei das licenças para trabalhar”, da luta pelas 8 horas de trabalho diário e dos aumentos salariais, entre outras reivindicações. A partir de 1887, o socialismo começava a tornar-se num movimento verdadeiramente popular em Portugal.
Contudo, o conflito que opôs “marxistas” e “possibilistas” no seio do Partido Operário Socialista, durante a última década de oitocentos, contribuiu de forma decisiva para provocar uma crise interna, culminando numa rutura definitiva. Os socialistas portugueses tiveram ainda que lidar com a eficiente campanha do republicanismo, por um lado, e com a emergência de uma nova força à sua esquerda, o anarquismo.
O sindicalismo português entre 1933 e 1974:orientações políticas e estratégicas do Partido Comunista Português para a luta sindical
Lopes, Maria Filomena Rocha
Tese de doutoramento, História (História Contemporânea), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012
http://hdl.handle.net/10451/7351
O Sindicalismo português, na transição da Ditadura Militar para a plena institucionalização do Estado Novo, caracteriza-se por duas vertentes essenciais: a busca pela reorganização do tecido sindical, destruído por medidas governamentais de repressão e pela ilegalização das principais organizações sindicais, e por uma ampla discussão em torno de opções de carácter ideológico, orientadores da acção sindical. Esta transição provocará a ruptura nas organizações sindicais, colocando à margem da lei as suas principais estruturas, com recurso a métodos coercivos e punitivos, implacavelmente aplicados pela PVDE, sobre estas organizações e os seus principais dirigentes. A legislação laboral de 1933 rompe com o sindicalismo livre impondo sindicatos únicos de feição nacionalista, colaboracionistas, servis em relação aos interesses económicos nacionais e sustentados por uma negação dos princípios do internacionalismo, da pluralidade, da solidariedade e da liberdade de acção sindical que tinham caracterizado o sindicalismo português. O Estado Novo destrói, com recurso a acções de extrema violência, a liberdade sindical e o que restava de sindicalismo livre de cariz operário, diabolizando estas organizações, bem como os dirigentes e as ideologias que os sustentavam. Esta ruptura na evolução do movimento sindical português leva-nos ao lado negro da luta sindical, a clandestinidade. O PCP clandestino organiza a luta impondo aos seus dirigentes e militantes um código de silêncio conspirativo. A luta sindical coloca em risco, militantes e dirigentes sindicais comunistas pelas consequências que advêm da luta. A prisão, os interrogatórios, a perda de direitos, a deportação e quantas vezes a morte em vida são o preço a pagar pela luta sindical. A clandestinidade marca a existência destes dirigentes. A aparente abertura do regime após a II Grande Guerra e a convocação de eleições permitiu a formação de organizações de oposição como o MUD e o MUDJ. No entanto a realidade demonstrou a burla com que Salazar pretendia mascarar o regime. As condições impostas a dirigentes e militantes comunistas são de tal forma rigorosas que muitos abandonam o país para só regressarem após a revolução de 25 de Abril de 1974.
Silva, Ernesto da, 2023, Obras de Ernesto da Silva, "o Apóstolo do Socialismo", TOMO III. Escritos Políticos, Conferências e Discursos (1893-1903), org. de Beatriz Peralta Garcia. Coimbra: Universidade de Coimbra.
Campos, A. da S. (2018). "Para lutar é preciso ser instruído": a ideologia e o movimento operário na Universidade Popular de Setúbal: da 1.ª República ao advento do Estado Novo [Dissertação de mestrado, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório do Iscte. http://hdl.handle.net/10071/18567
Este trabalho procura perceber em que medida o movimento anarquista em Portugal influenciou os trabalhadores da nação com vista à sua formação intelectual, tomando como estudo de caso a secção de Setúbal da Universidade Popular Portuguesa. Atravessando o período da chamada “Nova República Velha”, da Ditadura Militar e dos anos de consolidação do Estado Novo, o trabalho divide-se em 3 linhas de análise: em que medida é que a Universidade Popular Portuguesa se ligou ao Movimento Operário português; que interesses e contrapartidas é que tal implicava para ambas as partes; qual foi a participação da vertente libertária e anarcosindicalista nestas dinâmicas. Simultaneamente, a análise parte do geral, considerado a situação nacional, para o particular, a saber, o caso da cidade de Setúbal. O trabalho resulta da análise de fontes documentais, com particular foco para correspondência particular entre figuras do anarquismo português relevantes para a temática da secção de Setúbal da Universidade Popular Portuguesa. Apresentamos a secção de Setúbal como a personificação, em escala local, das relações pretendidas entre a Universidade Popular Portuguesa e os trabalhadores do país. Relevamos, ainda, o papel do sindicalismo na educação popular, com especial ênfase para a Confederação Geral do Trabalho. Por fim, tenta-se perceber de que forma a fundação do Partido Comunista Português afectou o movimento anarquista nacional, ao disputar a influência ideológica dos trabalhadores e do meio sindical.
Matos, José Nuno, 2022, Matos, J. N. (2022). Press professionals and trade unionism in the First Republic. Estudos em Comunicação, 34, pp. 97-124.. https://repositorio.ul.pt/handle/10451/54873
O período da I República foi marcado pelo crescimento e afirmação de um movimento sindical de proporções amplas. O objetivo deste artigo é analisar o nível de participação dos jornalistas nesta dinâmica social e política. Embora a Associação de Classe dos Trabalhadores da Imprensa tenha sido criada em 1904, é a partir de 1910 que se verifica o seu crescimento e aproximação à Federação do Livro e do Jornal, controlada pelas classes gráficas, um dos setores laborais com maior experiência ao nível da organização e luta sindical. Apesar das diferenças em termos materiais e simbólicos, tal conduziria, entre outros fatores, à participação dos jornalistas na greve dos trabalhadores de imprensa de Lisboa em 1921, responsável pela paralisação da produção dos jornais ao longo de vários meses. O desfecho deste acontecimento acabaria por ter sérias implicações não só no que respeita à relação com as empresas de jornais, mas igualmente na própria ação coletiva desenvolvida pelos profissionais de imprensa.