Adolfo Correia da Rocha, conhecido pelo pseudónimo Miguel Torga (São Martinho de Anta, Sabrosa, 12 de agosto de 1907 – Santo António dos Olivais, Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais destacados poetas e escritores portugueses do século XX. Torga destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios. Publicou mais de cinquenta livros e foi Prémio Camões de 1989. Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).
Em 1920, emigrou para o Brasil para onde os pais o enviam. Irá trabalhar durante cinco anos na fazenda de um tio paterno. Regressou a Portugal em 1925,
Em 1928, entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.
Em 1929, deu início à sua colaboração com a revista Presença ( revista fundada dois anos antes por Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio), com o poema Altitudes. Publica Rampa, livro de poesia que sai nas edições da Presença, antes de nesse mesmo ano romper com a revista, assinando juntamente com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca uma “Carta a José Régio e João Gaspar Simões, directores da Presença”, a participar o afastamento do grupo. Em colaboração com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de curta duração - apenas sairá um número, no mês de Julho desse ano.
Em 1931, publicou o seu terceiro livro de poesia, Tributo. Estreia-se também na ficção narrativa com o livro de contos Pão Ázimo. Publicou também o livro de poesia Abismo (1932).
Em 1933, concluiu a licenciatura em Medicina, regressou a S. Martinho de Anta para exercer a profissão.
No ano seguinte, publicou a novela A Terceira Voz. É com este livro que adota o nome literário Miguel Torga. Deixa S. Martinho de Anta e muda-se para Vila Nova, freguesia do concelho de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, onde passará a exercer as funções de médico clínico geral.
Em 1936, publica O Outro Livro de Job (poesia) e lançou juntamente com Albano Nogueira, o periódico Manifesto.
Em 1937, publica “os Dois primeiros Dias” de A Criação do Mundo, romance autobiográfico. Em Dezembro deste ano viaja para a Europa, regressando em janeiro do ano seguinte. Atravessa a Espanha franquista, em plena guerra civil, e viaja por França, Itália, Suíça e Bélgica.
Publica “O Terceiro Dia” de A Criação do Mundo (1938). Devido a algumas dificuldades com a Censura, sai no mês de julho o quinto e último número da revista Manifesto. Conhece Andrée Crabbé, sua futura mulher, em casa de Vitorino Nemésio, em Coimbra.
Em 1939, estabelece-se como médico otorrinolaringologista em Leiria.
O quarto volume de A Criação do Mundo, romance autobiográfico, valer-lhe-á a prisão por parte do regime do Estado Novo. Ao apresentar o testemunho de uma viagem a Itália e da travessia de Espanha, em plena guerra civil, Torga fazia uma clara denúncia do franquismo e do fascismo de Mussolini.
Em 1939, os serviços secretos da PVDE, emitem uma ordem “confidencial” para que se proceda “à apreensão do livro ‘O Quarto Dia da Criação do Mundo’, da autoria de Miguel Torga, e à detenção deste”. Torga foi detido pela PSP de Leiria, sendo depois encaminhado para a prisão do Aljube. Na prisão, escreve um dos seus mais célebres poemas de resistência, “Ariane”, incluído no volume I do Diário. Foi libertado em fevereiro do ano seguinte.
Casou nesse ano (1940) com Andrée Crabbé e publicou o seu volume de contos Bichos.
Em 1941, publica o volume I de Diário, início de uma monumental e singularíssima obra de feição intimista (na totalidade serão publicados dezasseis volumes). Dá à estampa o volume de teatro Terra Firme. Mar. Publica também neste ano o livro de contos Montanha, que será apreendido pela PVDE. Passa a viver na cidade de Coimbra
Segue-se uma série de publicações: o volume de contos Rua (1942), Lamentação (1943), O Senhor Ventura (novela - 1943), Libertação (poesia - 1944), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (romance - 1945), Odes (poesia - 1946), Sinfonia (poema - 1947), Nihil Sabi (1948), O Paraíso (peça de teatro - 1949), Cântico do Homem (poesia - 1950), Pedras Lavradas (contos - 1951), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (poesia - 1954), Traço de União (ensaios - 1955), Orfeu Rebelde (poesia - 1958),
No dia 20 de Fevereiro de 1960, os serviços da PIDE procedem à apreensão do Diário VIII, nas livrarias de várias cidades do país. Um grupo de escritores e intelectuais apresenta um abaixo-assinado de protesto contra a apreensão deste livro.
Seguem-se as obras Câmara Ardente (poesia - 1962), Poemas Ibéricos (1965).
Após a Revolução de Abril, participou em vários comícios do Partido Socialista (1974-76)
Em 1982, publicou “O Sexto Dia” de A Criação do Mundo, o último volume do romance autobiográfico. A publicação dos Diários continuará até 1993.